Atletas falam sobre as dificuldades em completar o Mountain Do Lagoa

Redação Webrun | Ultra Maratona · 19 out, 2010

Na chegada ae emoções se misturavam (foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br)
Na chegada ae emoções se misturavam (foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br)

No último sábado (16/10), pela primeira vez em sete anos de história, o Mountain Do Lagoa da Conceição foi disputado sem chuva. Isso não quer dizer que as dificuldades foram menores, já que o sol forte e a alta umidade aumentaram o desgaste dos competidores.

Direto de Florianópolis – A partir das 8h foi dada a largada para as equipes iniciantes, que saíram do estacionamento do Lagoa Iate Clube, ao contrário dos anos passados, em que o tiro inicial acontecia no Hotel Engenho Eco Park. Já as equipes de elite, que disputariam um lugar ao pódio, foram autorizadas a sair às 9h.

O primeiro trecho foi uma descida pelo asfalto, onde o cuidado com os veículos que trafegavam em alta velocidade foi o maior desafio encontrado. Logo depois os participantes tiveram que atravessar o mangue numa verdadeira obra de engenharia moderna: tábuas de madeira dispostas sobre a vegetação.

Até este momento o percurso ainda não estava tão desafiador, mas logo em seguida apareceu uma trilha íngreme na areia fofa e dunas altas, onde era necessário escalaminhar para alcançar o topo. Alguns atletas exclamavam palavrões ao encontrar o obstáculo, outros pediam uma corda ou mesmo a presença de um guindaste para transpor as dunas.

A prova seguiu adiante e a animação corria solta nos postos de troca, onde a expectativa de quem iria correr era grande, enquanto aqueles que chegavam nitidamente só pensavam em descansar. Alguns corredores, porém, se decepcionavam ao chegar à tenda e não encontrar o parceiro que cumpriria a próxima etapa.

Fato esse que aconteceu com uma das integrantes do octeto misto Leões da Montanha, de Curitiba (PR). Ao chegar ao Campo do Lili, Heloise Kulig procurou por todos os lados o seu colega de equipe e, ao constatar que ele ainda não estava pronto, sentou no chão desolada. Cerca de cinco minutos depois ele apareceu e saiu para correr sob uma tremenda vaia do público local.

Após oito percursos, muito esforço e superação, todas as equipes cruzaram a linha de chegada em segurança. “A trilha do último percurso estava muito complicada, pois tu não consegues ter ritmo, tem muitos obstáculos”, relata Roberta de Castro, da equipe Lagoa Teen. “Esse é meu quinto Mountain Do e achei bem melhor a largada no LIC”, completa ainda ofegante.

Já Elisa Beck, da Floripa Runners, se emocionou ao cruzar a linha de chegada e não resistiu às lágrimas. “Foi uma superação pessoal e uma conquista. A gente não pensa na colocação, apenas em chegar bem. Essa foi a distância mais longa que eu corri até hoje e adorei, com certeza voltarei”, comenta a corredora que enfrentou 12,4 quilômetros com trilhas entre bosques em terreno irregular e pequenas elevações.

Se o lema é superação pessoal, Flávio Souza correu boa parte do percurso contundido. “Corri com o tornozelo torcido, depois torci de novo e vim mancando até a chegada. No final ainda tive câimbras e não conseguia colocar o pé no chão”, ressalta. Segundo ele, o espírito de equipe prevaleceu para ele cruzar a linha de chegada. “Como tem uma equipe envolvida, a motivação é maior para terminar. Se eu estivesse correndo sozinho, certamente abandonaria”.

A última equipe a cruzar a linha de chegada foi a dupla Corja/ Solsports, com Elke Noda Bernadino, que correu durante quase cinco horas. “É uma prova muito dura. Infelizmente a minha parceira não conseguiu correr os trechos dela e eu tentei cobrir”, lembra a competidora segurando as lágrimas. “Infelizmente devido ao tempo eu não consegui fazer o último percurso inteiro, pois por questão de segurança a organização não permitiu”, completa.

Com o cair da noite a trilha já se mostrava ainda mais perigosa do que com a luz do dia, então ela foi obrigada a cortar caminho. “Eu queria chegar correndo, então eles me permitiram correr do Canto do Araçá até a chegada”, finaliza. Após cruzar a linha, ela deu um forte abraço na colega de equipe, Heloisa Junkes, no organizador da prova, Kiko, e no motoqueiro que fez a escolta nos trechos finais.

Foram mais de 70 quilômetros de aventuras pela Ilha da Magia, cerca de 1.200 atletas e mais uma edição do Mountain Do, uma das provas de revezamento mais tradicionais da região sul do país. Para aqueles que ficaram com gostinho de quero mais, ou quem pretende ingressar nesta modalidade, ano que vem já estão confirmadas as etapas do Costão do Santinho e Lagoa da Conceição. Em breve as informações sobre inscrição estarão disponíveis no site oficial, o www.mountaindo.com.br.

Este texto foi escrito por: Alexandre Koda

Redação Webrun

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