Uma dúvida aparece com frequência em academias, consultórios e redes sociais: afinal, alongar antes ou depois da musculação faz diferença? Segundo a fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto, a resposta é sim e o momento certo depende do objetivo do treino, do tipo de alongamento e da condição física de cada pessoa.

A musculação ocupa cada vez mais espaço na rotina de quem busca força, saúde e funcionalidade. Ao mesmo tempo, os alongamentos continuam cercados por orientações contraditórias. Num cenário de dor musculoesquelética crescente, especialmente em lombares e ombros, entender o papel de cada etapa do treino ajuda a evitar exageros e simplificações.
De acordo com a especialista, os alongamentos específicos feitos antes da musculação podem reduzir temporariamente a força muscular, a potência e a velocidade de execução, principalmente quando realizados por tempo prolongado ou com intensidade elevada.
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Ao mesmo tempo, alongamentos de curta duração podem não ter impacto relevante sobre o desempenho em alguns contextos. Isso reforça que a intensidade e o tempo de execução são importantes mais do que a regra de “pode” ou “não pode”.
Antes do treino
Antes da musculação, o mais indicado costuma ser o aquecimento com movimentos dinâmicos, que preparam as articulações, os músculos e o sistema cardiovascular para a carga do exercício. A lógica é aumentar a temperatura corporal, ativar o corpo e simular movimentos semelhantes à série que será realizada, em vez de buscar relaxamento profundo.
Isso não significa que todo alongamento antes do treino esteja errado. A diferença está no objetivo. Se uma pessoa precisa de mais mobilidade para executar um movimento específico, pode haver espaço para alongamentos leves e curtos, mas eles não devem substituir o aquecimento, afirma Mariana.
Depois do treino
Após a musculação, os alongamentos podem entrar como recurso complementar para quem se sente mais tenso ou quer trabalhar o relaxamento com mais calma. Nesse momento, eles tendem a ser mais confortáveis, porque o corpo já foi aquecido pela atividade e a musculatura é mais receptiva ao movimento.
Ainda assim, a especialista lembra que acompanhar depois do treino não é obrigatório para todas as pessoas e nem faz milagres contra dor ou lesão. A prática pode ser útil, mas o principal ganho costuma ser na percepção de mobilidade e no intervalo temporário da tensão, não na correção automática de problemas de carga ou força.
O que é mais correto
Para a Dra. Mariana, a resposta mais precisa hoje é esta: “para a musculação, o aquecimento dinâmico costuma ser a melhor opção antes do treino, enquanto o alongamento estático pode ser mais bem aproveitado depois ou em sessões específicas de mobilidade”.
“Quem busca desempenho, força e potência precisa ter cuidado para não exagerar no alongamento estático antes da carga principal. Já quem tem limitações de mobilidade pode se beneficiar de uma abordagem individualizada, com orientação profissional”.
Para a fisioterapeuta, o ponto central não é demonizar o alongamento, mas colocá-lo no lugar certo dentro da rotina de treino. “Alongar pode ajudar, mas não substituir o aquecimento, o fortalecimento e o controle do movimento. Antes da musculação, o corpo precisa ser preparado para a carga; depois, o alongamento pode entrar como recurso complementar, se fazer sentido para aquela pessoa”, afirma.
A especialista observa que muitas pessoas ainda usam o alongamento como solução automática para qualquer desconforto corporal, inclusive antes do treino. “Nem sempre o corpo está exigindo mais flexibilidade. Em muitos casos, ele precisa de ativação, estabilidade e organização. O melhor momento e o melhor tipo de alongamento depende do objetivo e da estratégia de treino”, diz.
Quando vale atenção
Se uma pessoa sente desconforto, dores recorrentes ou dificuldades para executar exercícios com conforto, o ideal é não tentar resolver tudo apenas com alongamentos. Em muitos casos, a avaliação do movimento, a análise da postura e a definição da carga de treino são mais importantes do que uma rotina de alongar em si.
Alongar pode ser útil, mas o momento certo é importante. Na musculação, aquecer bem antes e alongar com propósito depois costuma ser mais consistente do que transformar o alongamento em regra universal.