
Largada dos cadeirantes em Curitiba (foto: Harry Thomas Jr Arquivo WebRun)
A Maratona Ecológica Internacional de Curitiba, quanto a sua organização é fantástica, esse é um conceito comungado com todos os atletas cadeirantes. Foi a primeira – é a única – maratona no Brasil a incentivar a quebra de recorde. É também a única a manter um banco de dados onde se encontra os tempos (classificações) dos cadeirantes desde a primeira participação desta categoria na prova. É a única que hospeda os atletas cadeirantes sem custos, em hotel e não nos desconfortáveis alojamentos. Outro diferencial, é ser a única que premia o primeiro colocado de cada ano (no masculino e feminino), com bilhete aéreo para a prova do ano vindouro, enfim eles (organização) tem uma preocupação muito grande com os corredores em cadeira de rodas.
Eu entendo essas atitudes como um incentivo a uma gama de atletas que merecem um pouco mais de incentivo de toda a sociedade e infelizmente não tem.
Percurso – O novo percurso que estreou esse ano da Maratona Ecológica Internacional de Curitiba, ficou um pouco melhor para os cadeirantes, aliás, essa opinião é comungada também com uma boa parcela dos corredores andantes. A organização que arma um evento fantástico em quase todos os aspectos peca no quesito percurso. A Organização se preocupa muito em mostrar os pontos turísticos daquela cidade linda e não se preocupa com o fator principal que é a corrida em si. No meu entendimento e de outras pessoas, os pontos turísticos devem ser visitados quando da vontade dos corredores, pois a partir do momento da largada, salvo algumas exceções, o intuito de cada um é um só, quebrar o recorde pessoal, ou seja, baixar tempo.
Para os corredores em cadeira de rodas a Maratona Ecológica Internacional de Curitiba e a Maratona Internacional de São Paulo são as de maior dificuldade por apresentarem asfalto muito antigo, portanto, muito áspero, esburacado e pelo elevado número de subidas. Esses fatores transformam uma corrida em um tormento para os corredores em cadeira de rodas.
Outro fator negativo para os cadeirantes, é a parte do percurso não asfaltado (me falaram que a Prefeitura não asfalta pois é parte do patrimônio histórico e consequentemente tem tombamento pelo patrimônio histórico da capital). São poucos metros, em torno de 500, mas fazem uma diferença incrível, pois temos que reduzir muito a velocidade e quebrar bastante o ritmo de prova. Existe a promessa de providências para o ano que vem, me consultaram e colocaram a proposta de ser recoberta, parte da rua com chapas de aço. as mesmas utilizadas pelas Secretarias de Conservação para recobrirem buracos temporários nas ruas. É uma medida paliativa, que acredito eu, abrandará essa nossa dificuldade.
O recorde da prova na categoria cadeirantes caiu, mas somente em virtude da troca de percurso, uma vez que retiraram os oito quilômetros finais que eram subidas, então, no meu entendimento, não cairia não fosse a “melhora” no percurso.
Fallha grave – A organização da Maratona Ecológica Internacional de Curitiba, este ano, cometeu um pecado mortal com os corredores de todas as categorias, mas especialmente com os cadeirantes. O acesso ao palco montado, aliás uma estrutura deslumbrante, não oferecia rampas para chegar até o pódio montado nesta estrutura. Ora qualquer ser humano que corre 42.195m tem uma dificuldade monstruosa em se locomover até relaxar, e o acesso para todos os corredores era feito através de uma escada com 8 degraus muito íngremes. Era de dar dó ver senhores e senhoras de 50, 60, 70 e 80 anos serem obrigados a subir 8 degraus para serem homenageados e receberem a sua premiação.
Os atletas cadeirantes recusaram-se a receber a sua premiação embaixo do pódio, uma vez que se sentiram excluídos dos demais atletas. A escada, ainda que com extrema dificuldade, oferecia acesso aos outros corredores, menos as cadeiras de rodas, fato pelo qual os atletas resolveram receber a sua premiação sem participar da cerimônia e sem participar da festa e serem ovacionados, aplaudidos e homenageados pela assistência. Foi uma falta gravíssima, que levou o Diretor Geral da competição Sr. Diniz ao pedido de desculpas no sistema de som e que foi aplaudido pelo reconhecimento da Organização em reconhecer a falha.
Este texto foi escrito por: Carlos Roberto Oliveira