
Mozart no meio da Maratona Des Sables no Saara (foto: Arquivo pessoal)
No dia 24 de julho acontece no deserto do Mojave, na Califórnia, Estados Unidos, a ultramaratona Badwater e o Brasil será representado por um atleta. Mozart dos Santos Júnior irá enfrentar uma das provas mais difíceis do mundo. A Badwater tem 217 quilômetros e é realizada abaixo do nível do mar com temperaturas altíssimas (média de 45ºC).
O mais curioso é que esta competição faz parte de um projeto pessoal do brasileiro, o Poeira Quente. Ele planejou correr e concluir as três provas consideradas mais difíceis do planeta. Duas delas já foram conquistadas, a Maratona Des Sables e a Desert Cup, ambas no deserto do Saara. Agora só falta a prova americana.
Aos 48 anos, Mozart concilia seus treinos com o trabalho. Ele mora em Manaus e gerencia uma multinacional. Normalmente, eu levanto às 4h20 e vou correndo da minha casa até a fábrica. Ao todo são 18/19 quilômetros. Na hora do almoço eu faço o treino de sol de Manaus, todos os dias de 10 a 11km. Já na parte da noite, após o término do expediente, eu volto da fábrica para casa, ou para academia correndo mais 18/19km, conta.
Para dar suporte ao treinamento, Mozart não fica sem uma boa mochila. Ele tem um modelo próprio para corridas, mas que sofreu algumas adaptações. É com a mochila que ele treina e participa das provas. Levo a minha mochila com roupas, tudo bem ensacadinho, pois quando chego na fábrica, eu tomo banho e coloco a roupa de trabalho. Algumas vezes, é claro, eu pego chuva no caminho e por isso tudo dentro da mochila tem que estar dentro de saco plástico, revela.
Já usei a minha mochila para correr no deserto do Saara, no ano passado. Corri e terminei a Marathon des Sables, 247km no Saara, em Marrocos. Nela, além de roupa, levo água e isotônico, e é claro música para distrair, acrescenta.
Indagado sobre o treino para suportar o calor, Mozart conta que a adaptação foi feita com alguns improvisos. A parte de calor, eu procurei me adaptar correndo no horário do almoço diariamente, e nos últimos dias de preparação para a Badwater, eu usei dois aquecedores na academia enquanto corria na esteira. Durante os finais de semana corri no sol de Manaus com roupa de lã, revela.
Ontem (17) a minha fisioterapeuta me disse que um cliente dela falou que viu um maluco correndo no sol todo agasalhado, tava uns 38ºC. Ela riu e disse que o maluco era eu, se diverte. Além disso, nas últimas duas semanas, ele fez sauna todos os dias.
Espero, e tenho como expectativa, terminar a prova e isso, se Deus permitir, será uma tremenda glória. No meu íntimo, é claro, tenho objetivos maiores, mas isto vem depois, anuncia o brasileiro, que conta todas suas aventuras no site pessoal: www.corrotododia.com.br.
Este texto foi escrito por: Donata Lustosa