Após triathlon, atleta cega pode correr prova de aventura

Redação Webrun | Esporte Adaptado · 10 fev, 2009

Nelma fez uma pausa nas provas longas para se dedicar ao trabalho de guia (foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br)
Nelma fez uma pausa nas provas longas para se dedicar ao trabalho de guia (foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br)

Marleide da Silva, atleta totalmente cega, participou no último domingo pela primeira vez do Triathlon Internacional de Santos, prova com 1,5 quilômetros de natação, 40 de ciclismo e 10 de corrida e já pensa em disputar provas rústicas. Ela nada, pedala e corre com guias especializados, mas especificamente na bike conta com o apoio de uma experiente triathleta: Nelma Raizer.

Nelma começou a competir em 1987, foi uma das primeiras brasileiras a disputar o Ironman do Havaí e atualmente divide seu tempo com as provas de aventura e o treinamento de Marleide em Santos. “Comecei com ela na etapa de São Paulo do Troféu Brasil de Triathlon ano passado e já é possível perceber uma evolução”, conta a treinadora. “Ano passado fomos campeãs brasileiras de ciclismo em resistência, contra-relógio e no velódromo em pista, na perseguição de quatro quilômetros”, completa.

Durante os treinos, Nelma é a responsável por Marleide, já que a encontra no ponto de ônibus, leva todo o alimento e bebida necessários e saí para pedalar. “Até hoje eu fico receosa, pois andar no trânsito é complicado, os motoristas não respeitam, ninguém sabe que ela é deficiente visual”.

Marleide conta que fez um treinamento intenso para completar o Internacional e se diz emocionada por tem completado. “Eu me preparei um mês, em janeiro não tive férias e graças a Deus com a ajuda das minhas guias ocorreu tudo bem”. Já sobre as dificuldades de se treinar na cidade, ela encara com bom humor. “Treinamos mais na estrada, porque na cidade é impossível. Mesmo assim sempre tem uns ‘peões’ que ficam na frente e atrapalham”.

Frutos e futuro – O pouco tempo de parceria rendeu além dos títulos, portas abertas para outras atletas, já que no Campeonato Brasileiro de Pista ano passado, além de Marleide, outras três atletas estiveram sob a tutela de Nelma. “Procuro passar um pouco do que eu sei, a minha experiência”.

Com as primeiras metas cumpridas, Nelma já vislumbra a participação de sua pupila em outros tipos de competição, como as Corridas de Aventura, conhecidas por serem disputas em meio à natureza e que envolvem diferentes esportes e técnicas, como ciclismo, caiaques, trekking, entre outros. “O Adventure Camp seria uma boa prova, pois é mais tranqüila. Já temos o equipamento e uma pessoa para fazer a navegação, só falta um patrocínio”, finaliza.

Marleide começou no esporte nas corridas de rua, depois migrou para o biathlon, para o triathlon e, ao ser perguntada se aceitaria o desafio de participar de uma Corrida de Aventura, não hesita na resposta e é enfática. “Eu encaro, sem problemas”.

Este texto foi escrito por: Alexandre Koda

Redação Webrun

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