
Nelma fez uma pausa nas provas longas para se dedicar ao trabalho de guia (foto: Alexandre Koda/ www.webrun.com.br)
Marleide da Silva, atleta totalmente cega, participou no último domingo pela primeira vez do Triathlon Internacional de Santos, prova com 1,5 quilômetros de natação, 40 de ciclismo e 10 de corrida e já pensa em disputar provas rústicas. Ela nada, pedala e corre com guias especializados, mas especificamente na bike conta com o apoio de uma experiente triathleta: Nelma Raizer.
Nelma começou a competir em 1987, foi uma das primeiras brasileiras a disputar o Ironman do Havaí e atualmente divide seu tempo com as provas de aventura e o treinamento de Marleide em Santos. Comecei com ela na etapa de São Paulo do Troféu Brasil de Triathlon ano passado e já é possível perceber uma evolução, conta a treinadora. Ano passado fomos campeãs brasileiras de ciclismo em resistência, contra-relógio e no velódromo em pista, na perseguição de quatro quilômetros, completa.
Durante os treinos, Nelma é a responsável por Marleide, já que a encontra no ponto de ônibus, leva todo o alimento e bebida necessários e saí para pedalar. Até hoje eu fico receosa, pois andar no trânsito é complicado, os motoristas não respeitam, ninguém sabe que ela é deficiente visual.
Marleide conta que fez um treinamento intenso para completar o Internacional e se diz emocionada por tem completado. Eu me preparei um mês, em janeiro não tive férias e graças a Deus com a ajuda das minhas guias ocorreu tudo bem. Já sobre as dificuldades de se treinar na cidade, ela encara com bom humor. Treinamos mais na estrada, porque na cidade é impossível. Mesmo assim sempre tem uns peões que ficam na frente e atrapalham.
Frutos e futuro – O pouco tempo de parceria rendeu além dos títulos, portas abertas para outras atletas, já que no Campeonato Brasileiro de Pista ano passado, além de Marleide, outras três atletas estiveram sob a tutela de Nelma. Procuro passar um pouco do que eu sei, a minha experiência.
Com as primeiras metas cumpridas, Nelma já vislumbra a participação de sua pupila em outros tipos de competição, como as Corridas de Aventura, conhecidas por serem disputas em meio à natureza e que envolvem diferentes esportes e técnicas, como ciclismo, caiaques, trekking, entre outros. O Adventure Camp seria uma boa prova, pois é mais tranqüila. Já temos o equipamento e uma pessoa para fazer a navegação, só falta um patrocínio, finaliza.
Marleide começou no esporte nas corridas de rua, depois migrou para o biathlon, para o triathlon e, ao ser perguntada se aceitaria o desafio de participar de uma Corrida de Aventura, não hesita na resposta e é enfática. Eu encaro, sem problemas.
Este texto foi escrito por: Alexandre Koda