Canelite em corredoras parte II/II: diagnóstico e tratamento

Redação Webrun | Corridas de Rua · 18 jul, 2012

A canelite ocorre no tecido conjuntivo que envolve o osso da tíbia (foto: Domínio Público)
A canelite ocorre no tecido conjuntivo que envolve o osso da tíbia (foto: Domínio Público)

Na primeira parte do artigo sobre canelite em corredoras, Dr. Adriano Leonardi falou sobre as causas desta lesão, que atinge muitas mulheres. Confira na segunda e última parte serão abordadas informações sobre diagnóstico e tratamento da lesão, também conhecida como periostite tibial, caracterizada por dor no terço inferior e dentro da canela.

A canelite geralmente ocorre no final do treino e melhora ao repouso com aplicação de gelo local ou uso de analgésicos e anti-inflamatórios. No entanto, o início pode ocorrer também durante o início do exercício. A apresentação clínica típica desta condição envolve dor à palpação local e, às vezes, inchaço.

Se a corredora erroneamente associa a dor a um “evento comum”, ou simplesmente tenta ignorá-la, pode haver progressão e a dor pode permanecer durante todo o treinamento ou durante a atividade de baixa intensidade. Pode, inclusive, continuar durante o repouso.

O exame de escolha para o diagnostico é a ressonância nuclear magnética da perna, que frequentemente mostra o espessamento do periósteo (membrana que envolve os ossos) da região da dor. O principal diagnóstico diferencial desta lesão é a fratura de estresse, observada na ressonância magnética, cintilografia óssea de três fases (método de diagnóstico de imagem da medicina nuclear) e radiografias simples.

Recomenda-se também o exame de densitometria óssea e a avaliação de um endocrinologista para se descartar doenças do metabolismo ósseo, principalmente nas corredoras de alto rendimento, devido ao risco de uma progressão para uma fratura de estresse. Outras lesões crônicas que podem mimetizar a canelite incluem a síndrome compartimental crônica de esforço (aumento da pressão dos tecidos dentro de um compartimento fechado), compressão do nervo tibial e a síndrome do aprisionamento da artéria poplítea.

Tratamento – A canelite deve ser tratada inicialmente com gelo e anti-inflamatórios não esteroides, para reduzir a inflamação, seguida de fisioterapia que objetiva a redução da inflamação e reequilíbrio da musculatura a fim de se prevenir a recidiva da lesão.

Devo parar de correr? – Para a cura, recomenda-se o descanso que vai de uma semana a três meses. Tudo isso dependerá dos sintomas e do desequilíbrio muscular encontrado durante o exame físico. Para os raros casos mais graves, recomenda-se muletas.

Para os casos mais leves que, felizmente são a maioria, recomenda-se diminuir a duração ou a intensidade do seu exercício e, em seguida, construir-se lentamente um novo treino, de preferência sob a supervisão do fisioterapeuta.

Calçados e palmilhas apropriados são também necessários para evitar a recidiva da lesão. Recomenda-se a realização de baropodometria, popularmente conhecido como “teste de pisada”, para a detecção de pisadas patológicas, principalmente a pronação excessiva. Nos casos refratários e em recidivas, podemos incluir terapia de ondas de choque extracorpóreas, método mais comummente usado para tratar tendinopatias dos membros inferiores. Alguns autores recomendam também a infiltração local com cortisona, analgésicos e plasma rico em plaquetas (PRP).

Há também as opções cirúrgicas. Estas são reservadas para casos que não respondem ao tratamento conservador, incluindo “Fasciotomia Posterior”, técnica que envolve a liberação do tecido fibroso conectivo denominado “fáscia”, que recobre grupos musculares. Apesar de ser uma lesão comum e de aparente fácil resolução, a canelite ou shin splint pode afastar a corredora por um longo período e comprometer a performance cardiorrespiratória.

Por isso, assim como em outras lesões, a prevenção é a melhor saída. E isso envolve o conhecimento da composição corporal através de um check up que envolva o aparelho locomotor, seguido do trabalho de fortalecimento, reequilíbrio e melhoria da flexibilidade muscular sob a supervisão de um educador físico que entenda da biomecânica da corrida.

Este texto foi escrito por: Dr. Adriano Leonardi

 

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