
Marílson irá se preparar na altitude para Pequim (foto: Fernanda Paradizo)
Campeão da Maratona de Nova York em 2006, além de ser recordista sul-americano dos cinco mil metros e bicampeão da São Silvestre, Marílson fez um trabalho de base totalmente focado nos jogos. Até agora ele já participou de diversas provas de 10 quilômetros e até competições de cross country, tudo visando o objetivo maior: Pequim.
Uma dessas provas foram os 10 mil metros em pista, na Bélgica, onde consegui um resultado expressivo. Ele terminou a competição, que tinha 15 africanos na disputa, em nono lugar. Eu fui o primeiro não africano que terminou a prova. Isso me deixou muito animado, conta.
Mas para as olimpíadas o cenário de competição será um pouco diferente. Com menos africanos na disputa, já que cada país pode levar até três atletas, o grande determinante da prova serão as condições climáticas.O percurso em si é relativamente fácil. O único problema é a poluição, a umidade e o calor de Pequim. Tem gente que vai sentir mais que o outro. Espero que não seja eu.
Adversários – Para o treinador de Marílson, Adauto Domingos, a maratona olímpica não tem um favorito, tanto que nos últimos anos nenhum corredor africano ganhou a prova. As provas olímpicas são diferentes por vários fatores, não tem coelhos, por exemplo.
Já Marílson acredita que o principal atleta da disputa é o queniano Martin Lel. Se no final da prova sobrar na disputa ele e Lel a briga será acirrada. Ele vem chegando muito forte nas competições, pode dar trabalho. Mas lá também vou dar o meu melhor, explica.
Treinamento final – Até o mês de agosto, Marílson ainda tem um longo período de treinos. De acordo com o atleta, ele ainda participa de uma meia maratona. Vamos decidir se vou para a Meia de Bogotá ou uma Meia em Nova York. Prefiro a de Bogotá porque é mais difícil devido a altitude e é um cenário difícil que vou encontrar em Pequim.
Além disso, antes de embarcar para a China, Marílson deve treinar em altitude na cidade de Serra Nevada, na Espanha. Costumo levar o Marílson para Paipa, Colômbia. Mas dessa vez acho que vamos para a Espanha, assim ele já fica mais próximo da China e sofrerá menos com o fuso horário, conta Adauto.
Sobre sua participação nos 10 mil metros de pista, prova que também tem índice, Marílson ainda é dúvida. Só vou saber se ele vai disputar ou não os 10 mil lá. Se ele estiver muito ansioso coloco ele na prova para sentir o clima do estádio olímpico. Mas se ele estiver cansado com algum tipo de dor muscular vou poupar para a maratona, explica Adauto.
Os Jogos Olímpicos de Pequim começam no dia oito de agosto com a cerimônia de abertura no Estádio Nacional. As provas de atletismo vão do dia 15 de agosto ao dia 23 do mesmo mês.
Este texto foi escrito por: Donata Lustosa