
Maratona do Rio de Janeiro (foto: Ricardo Leizer/ www.webrun.com.br)
Entre 1995 e 1996 treinei meu primeiro maratonista amador, que debutou na Maratona do Rio em 1996. Na época, havia carência de informações sobre o assunto no país. Tínhamos apenas uma revista de corrida em circulação e as poucas pessoas, que escreviam a respeito, eram corredores que relatavam suas experiências pessoais, mas com muito pouco embasamento científico, por razões óbvias.
Considerar a quilometragem semanal dos maratonistas de elite e fazer uma adaptação aos amadores era difícil, uma vez que estes percorriam cerca de 190 a 200 km por semana, ou até mais. Para um amante da corrida que teria que dividir seu tempo entre a profissão, a família e os treinamentos, pensar na metade desta quilometragem era e ainda é algo totalmente fora da realidade, principalmente quando a meta é treinar para completar a prova, mas sem comprometer a saúde.
Após cinco meses de treinamentos, com a máxima de 60km semanais, que foi possível cumprir, um treino longo de 24km, e um outro de 30km, composto por 10 voltas de 3km no Parque do Ibirapuera, lá estávamos, meu aluno e eu, entre os que aceitaram o desafio de correr a Maratona Internacional do Rio de Janeiro, numa temperatura muito alta. Decidi corrê-la junto como parte da experiência.
O percurso foi um dos mais lindos que vi e os cariocas deram um show de cidadania e incentivo, mas o calor acima de 30º C e a não distribuição de hidratantes, matou todo nosso plano de prova. Sofremos bastante, mas mesmo com um tempo acima do planejado, completamos nossa primeira maratona!
Logo vieram outros candidatos a maratonistas, todos amadores. Com a pesquisa da matéria fora do Brasil, com a importante troca de informações com outros treinadores, e com as experiências práticas, finalmente fomos chegando a um modelo que, de certa forma, garantia aos nossos corredores a confiança para o término da prova, sem riscos, e sem comprometer as outras atividades da vida. Logicamente, com muita disciplina, persistência e dedicação de ambas as partes.
Passados mais de 13 anos, com o advento da internet, trazendo informações frescas de todas as partes do mundo em ótimos sites de corrida, fóruns de treinadores, várias revistas e uma grande quantidade de excelentes profissionais no mercado, penso que ainda se publica pouco sobre a quilometragem semanal dos maratonistas amadores.
Algumas publicações apresentam planilhas de treinamento coletivas para a distância, sem o indispensável acompanhamento de um bom profissional da área, como se fosse algo simples e sem risco. Ainda assim, repito que se discute pouco sobre qual seria a distância relativamente próxima ao ideal a ser percorrida durante os treinos.
A idéia de escrever este artigo, e de publicar alguns dados acumulados ao longo destes anos, não quer estabelecer distâncias padrões como sendo verdades absolutas, mas sim, iniciar uma boa discussão, e contribuir com um assunto fascinante, de uma distância de corrida cada vez mais procurada por amadores. Quem sabe incentivamos outros profissionais do treinamento a relatarem suas anotações e pesquisas!
Na próxima página desse artigo, há uma tabela com nome de alguns alunos (abreviado), idade e ano em que cada um realizou a maratona, sexo, quilometragem semanal percorrida e tempo de conclusão da competição. A tabela está ordenada do melhor tempo para o mais lento.
Espero, com isso, contribuir com a ciência e mostrar aos futuros maratonistas, quanto é necessário treinar para concluir a nobre distância, sem colocar a saúde e as outras áreas importantes da vida em risco. Vale também observar que a escolha de uma boa prova é fundamental, mesmo se mantendo igual distância média de treinamento.
Observe que na maioria dos casos onde temos os resultados do mesmo corredor em duas maratonas, a quilometragem semanal não aumentou muito, ou simplesmente não aumentou, em função da mesma limitação de tempo disponível para os treinamentos. A melhora de tempo da primeira para a segunda maratona, deu-se em função da maior experiência, possibilitando uma corrida com um pouco mais de ousadia, ou da opção de uma segunda maratona com percurso mais rápido.
Lembre-se que vale a máxima defendida pela maioria, que na primeira maratona deve-se pensar acima de tudo em terminar, independente do tempo.Nas próximas já se pode correr visando uma marca mais forte!
| Nome | Sexo | Idade | Prova | Ano | Quilometragem | Tempo |
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W.V.
|
M | 50 anos |
São Paulo
|
2001
|
80km
|
3h58min
|
|
W.V.
|
M | 51 anos |
Chicago
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2002
|
80km
|
3h25min
|
|
R.K
|
M | 28 anos |
Paris
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2005
|
75km
|
3h31min
|
|
E.B.S
|
M | 31 anos |
São Paulo
|
2002
|
65km
|
3h45min
|
|
E.B.S
|
M | 30 anos |
São Paulo
|
2001
|
65km
|
4h15min
|
S.T
|
M | 49 anos |
São Paulo
|
2007
|
75km
|
3h54min
|
|
F.C
|
M | 33 anos |
Berlim
|
2003
|
70km
|
3h55min
|
|
A.S
|
M | 34 anos |
Nova York
|
2003
|
65km
|
4h01min
|
|
D.J
|
M | 41 anos |
Chicago
|
2002
|
65km
|
4h01min
|
|
M.M
|
M | 40 anos |
Nova York
|
2001
|
70km
|
4h08min
|
|
P.W.C
|
M | 39 anos |
Nova York
|
2002
|
65km
|
4h13min
|
|
K.Z.H
|
F | 27 anos |
Nova York
|
2006
|
65km
|
4h17min
|
|
D.J
|
M | 39 anos |
Portland
|
2000
|
65km
|
4h23min
|
|
M.A
|
M | 60 anos |
Nova York
|
2000
|
60km
|
4h23min
|
|
V.D.Z
|
F | 35 anos |
Nova York
|
1998
|
60km
|
4h32min
|
|
J.R.S
|
M | 68 anos |
Berlim
|
2003
|
55km
|
4h45min
|
|
M.A
|
M | 56 anos |
Rio de Janeiro
|
1996
|
60km
|
4h54min
|
|
J.R.S
|
M | 64 anos |
Chicago
|
1999
|
60km
|
4h58min
|
Este texto foi escrito por: Prof. Nelson Evêncio