Conheça o técnico paradesportivo Edu Leonel

Redação Webrun | Esporte Adaptado · 18 out, 2007

Jaciel logo após a conquista do recorde (foto: Carlão Oliveira)
Jaciel logo após a conquista do recorde (foto: Carlão Oliveira)

No início de outubro (6) o atleta cadeirante Jaciel Paulino participou do Circuito Caixa Paraolímpico no complexo do Constâncio Vaz Guimarães e bateu o recorde dos 100m da classe T54 ao marcar 15seg74. Mas para chegar até essa marca ele contou com a ajuda de muitas pessoas durante sua carreira, entre elas familiares, patrocinadores, amigos e admiradores, além de seu técnico Edu.

Confira a história do treinador Edu, que começou a trabalhar com um atleta com atrofia cerebral e hoje dirige uma equipe de paradesportistas.

Eduardo Leonel, o Edu, é o treinador que se dedica a trabalhar com atletas deficientes e certamente é um dos responsáveis pelas marcas alcançadas pelo pupilo Jaciel. Paulista radicado em Santos, ele diz que nunca se conformou com as desigualdades impostas às pessoas menos favorecidas, fato que o levou a trabalhar com o paradesporto.

Logo quando chegou na cidade Edu começou a dar aulas de musculação pela Prefeitura e tinha um aluno com paralisia cerebral, algo que ele não sabia exatamente o que significava. Para se interar e poder prestar uma assistência correta e direcionada, ele começou a estudar de forma intensiva vários laudos médicos, fato que o levou a se interessar cada vez mais pelo assunto.

Após algum tempo ele conheceu Jaciel, atleta que fazia musculação no local onde ele ministrava aulas e que costumava participar de provas longas e começou a treiná-lo profissionalmente. Durante um bom tempo Jaciel fazia o trabalho de musculação destinado às competições de longa duração, até que Edu propôs que ele iniciasse um trabalho direcionado à velocidade.

Sucesso – A fórmula deu certo e hoje são 35 alunos deficientes treinando na academia, alguns profissionais como Jaciel e Carlos Oliveira, o Carlão, e outros apenas para melhorar a qualidade de vida. Edu também faz parte do projeto Fênix, que inicia lesados no esporte adaptado e revela futuros campeões, além do Mãos do Futuro, uma escola de paradesporto para crianças e jovens, que tem como destaque o garoto Jean Charles, de 11 anos.

Edu dirige uma equipe de atletas, denominada Fast Wheels (Cadeirantes Rápidos), que compete nas provas pelo Brasil com o apoio da marca esportiva Fila, que disponibiliza uma verba anual, da Prefeitura de Santos, que paga uma ajuda de custo aos atletas, além de apoiadores individuais de cada atleta. A ONG 3 IN paga as viagens de Jaciel, a Libra Terminais custeia as viagens de Carlos e a Macatrocinar paga um plano de saúde à Jaciel e sua família e comprou uma cadeira para Jean.

Por se tratar de uma equipe nova, eles ainda não participaram de provas fora do Brasil, apenas Jaciel teve a oportunidade de competir em um evento de nível internacional, que foi o Mundial de Cadeirantes e Amputados no Rio de Janeiro. Para este ano a idéia é levá-lo à Maratona de Nova York, além da Oita International Wheelchair Marathon. “Esta uma prova totalmente direcionada aos cadeirantes, o que trará oportunidade também de uma troca de experiências”, comenta Eduardo.

Ainda pelo fato de ser uma equipe nova, a Fast Wheels não tem nenhum atleta ligado à Associação Brasileira de Desporto em Cadeira de Rodas (Abradecar), mas segundo Edu a filiação deve ocorrer em breve. “Estamos aguardando a documentação e ano que vem estaremos regulamentados”.

Edu aproveita e fala também sobre dois problemas corriqueiros no que diz respeito às questões ligadas à cadeirantes, um sobre a falta de premiação nas competições a outro sobre a falta de divulgação da categoria na grande mídia. Ele acredita que apenas uma grande mobilização da categoria pode mudar esse quadro.

“Se um senhor de 70 anos ganha em sua categoria, não recebe premiação, mas se fica entre os melhores do geral recebe todos os benefícios de um campeão, já o deficiente não tem esse direito”, enfatiza o treinador. Já sobre a grande mídia, ele lembra que nas principais provas como São Silvestre, Volta da Pampulha, Meia do Rio, “nossa classe não é nem citada, poderíamos enviar pautas e brigar por nosso espaço”.

Para aprimorar as técnicas e os conhecimentos, Eduardo costuma trocar informações com atletas experientes, além de outros treinadores. “Aplico nos atletas os conhecimentos trazidos do treinamento desportivo, além de procurar artigos sobre o assunto já que as literaturas são escassas”, explica.

Adepto da escola Russa de treinamento, baseada em força e potência, ele também costuma usar algumas aplicações da escola americana, além de se inteirar sobre física e biomecânica, este último um assunto que se diz apaixonado. “Trago muitas coisas de autores como Tudor O. Bompa e V. N. Platonov”.

Este texto foi escrito por: Carlos Oliveira e Alexandre Koda

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