Infelizmente não pude participar da Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro na edição 2007, mas a categoria cadeirantes foi bem representada. O vencedor, foi um dos caras que está numa das maiores evoluções no momento, Jaciel Paulino, o filho da Dona Severina, acompanhe o relato do próprio atleta.
Rio de Janeiro – A Equipe Fast Wheels de Santos (SP) coordenada pelo professor Eduardo Leonel Coroa é composta atualmente por cinco atletas, sendo Jaciel Paulino e Carlos Neves, cadeirantes de alto rendimento, além de Moara (deficiente visual), Diego e João Paulo (deficientes físicos).
A nossa participação na Meia Maratona do Rio, não obteve grandes preparações, pois o Carlos que é fundista não conseguiu liberação do serviço para viajar, e o Jaciel como citado acima vem com foco em provas de velocidade, portanto visando maior intensidade do que volume de treinamento. Mas como não gostamos de correr sem objetivos criamos uma meta que ele deveria completar a meia maratona em até uma hora cravada.
Viajamos com a equipe da Petrobrás, uma turma que não conhecia ainda. Logo me dei bem com o pessoal por ser de alto astral (abraço a todos e principalmente ao grande organizador Konda), e como um bom dorminhoco, dormi na viagem inteira acordando somente no Rio.
Meu objetivo era fazer uma boa prova. Nesse ano a ADD deu assessoria aos organizadores da prova auxiliando as PPDs (pessoas portadoras de deficiência) e foi muito bom, ajudou a ter certa organização, ainda que precária. Fizeram um apanhado dos problemas para que ano que vem não repitam os mesmos erros que foram cometidos nessa prova.
No momento da largada estava muito ansioso para começar a subida da Niemeyer e com uma atenção redobrada na descida. As pessoas na rua gritavam me motivando: falta pouco. A prova nem tinha começado praticamente, haja ânimo afinal só faltam 18 km.
A participação das pessoas nas ruas com seus gritos de motivação é fundamental, apesar de haverem poucas pessoas assistindo naquele horário, pq a nossa largada, dos cadeirantes, é muito cedo, algo para consertar ano que vem. O que não gostei foi que colocaram um batedor da polícia com uma moto que estava com a sirene quebrada. Isso atrapalhou. Porque as pessoas não abriam caminho.
Mesmo com esse empecilho fiz os primeiros 10km na casa dos 27 minutos um bom tempo que me motivou mais ainda. No fim de Copacabana, quando entrávamos para o centro do Rio, o trânsito ainda estava aberto, tive que andar entre os carros e a faixa que estava exclusiva para a meia maratona estava fechada com grades e novamente corri paralelo a essa faixa entre os carros. Assim que surgiu uma oportunidade de entrar nessa faixa não perdi tempo, entrei por questão de segurança é lógico.
O bom foi o apoio do Edu que me acompanhou desde o início da prova e sempre me motivando, planejávamos fazer a prova abaixo de uma hora e quase conseguimos. Fiquei super contente com o tempo já que não treino prova de fundo, quando largar as provas de velocidade espero poder dar trabalho aos meus amigos fundistas como meu amigo Carlos Oliveira, Aranha, Carlos Neves, Gringo, Índio, Wendel entre outros essa turma da pesada.
Ao cruzar a linha de chegada fiquei super contente por lembrar o apoio de todos como o Edu, minha família e saber que após anos de Meia Maratona seria o primeiro a retornar ao pódio dessa prova, um ato que para alguns não significa muito, mas para nós cadeirantes é o auge do trabalho e reconhecimento, e é claro muito importante para nossos patrocinadores, que contam com nossa aparição na mídia, apesar do maior veiculo de comunicação do país (rede Globo) não mostrar, ou pelo menos citar, o campeão da prova na categoria cadeirante. Esperamos ano que vem mudar isso, pois sem a mídia não temos patrocínio, sem patrocínio não existe possibilidade de participação nas provas.
Mesmo assim o nosso maior foco é poder divulgar a categoria dos cadeirantes no paradesporto e atrair novos atletas, como o Mario (Londrina – PR) que fez sua primeira prova de 21km e estava super contente pelo simples fato de terminar bem a prova. O mais importante é saber que temos gente competente e engajada em levar essa bandeira de igualdade como o nosso amigo Carlos Oliveira que merece nosso respeito pelo espaço totalmente direcionado a nossa categoria e por tudo que tem feito e já fez pelo paradesporto.
Este texto foi escrito por: Carlos Oliveira e Jaciel Paulino