
As brasileiras Mariana Ohata e Sandra Soldan (foto: Thiago Padovanni/ www.webrun.com.br)
Nunca, na curta história do triathlon brasileiro, aconteceu um evento deste porte: os Jogos Pan-americanos. Bem organizado, horários rigorosamente cumpridos, distâncias bem aferidas, segurança dos atletas muito bem feita, toda a logística da prova funcionou perfeitamente. Fica aqui meus parabéns a todos os envolvidos, seja atleta, técnico, dirigente e pessoas envolvidas no evento, que foi, no meu ponto de vista, o melhor, maior e mais bonito triathlon que já teve no Brasil.
A competição em si aconteceu sem maiores surpresas, tanto no masculino quanto no feminino. Os campeões foram, como esperado, os americanos que talvez não tenham vindo com sua força máxima, mas já foi suficiente para sair do Brasil com as duas vagas olímpicas (masculino e feminino) garantidas.
Muito tem se falado em trabalho de equipe no triathlon, mas o que muitos não entendem é que para esta geração que esta aí, é muito difícil colocar isso em prática, pois todos eles tiveram que correr atrás de seus patrocínios e fazer sua carreira vingar sozinhos. Nunca tiveram nenhuma estrutura de apoio, muito menos verbas públicas que ajudassem em sua preparação e em suas viagens.
Somente depois de anos na estrada, é que a Confederação começou a bancar algumas viagens para competições. Então fica muito difícil depois de todos estes anos batalhando pelo seu espaço, que um atleta, após conseguir sua vaga olímpica, ou mesmo pan-americana, abra mão do seu sonho para ajudar outro que talvez, esteja no momento em melhores condições do que ele.
Todo atleta profissional, digo aquele atleta que tira seu sustento do esporte, tem suas contas para pagar, muitos deles com família para sustentar, e são os patrocinadores que pagam estas contas. Estes mesmos patrocinadores querem resultado. Sem bons resultados, é como um funcionário de alguma firma ou empresa que não esta sendo produtivo, acaba sendo dispensado.
Para se criar esta mentalidade, a confederação deveria montar um sistema como no ciclismo profissional, onde existe a compensação financeira ou outra compensação qualquer, para estes atletas que abdicaram de seus resultados em prol de outro atleta ou do grupo.
O trabalho de equipe dentro do triathlon, já existe em países mais desenvolvidos, como os europeus e norte-americanos, onde suas confederações têm um bom aporte financeiro e conseguem manter suas seleções principais treinando e competindo, sem nenhum custo para os atletas. Não creio que seja uma coisa impossível de se fazer no Brasil, basta um pouco mais de planejamento dos dirigentes e um pouco mais de boa vontade dos atletas.
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Às 8h em ponto foi dada a largada do masculino. Andy Potts, o melhor nadador do circuito mundial, saiu na frente na natação seguido de perto por outros dois americanos, um canadense, um argentino e um cubano. Estes perseguidores não conseguiram segurar o ritmo por muito tempo e logo foram alcançados pelo pelotão, em que se encontrava Juraci, que tinha feito uma excelente natação. Virgilio e Antonio Marcos não fizeram uma boa natação e se encontravam em pelotões um pouco mais atrasados.
O ciclismo teve momentos que definiram a prova, pelo menos as medalhas de prata e bronze, já que a de ouro, acredito que dificilmente teria outro dono. Faltando duas voltas para o final do ciclismo, os canadenses Paul Tichelar e Brent Machmaron lideraram uma fuga que lhes rendeu 50 segundos de vantagem para o pelotão.
Andy Potts ultrapassou Brent na altura do quilômetro sete de corrida e manteve a liderança até o final. Juraci Moreira fazendo uma corrida excelente, conseguiu beliscar o bronze, mantendo assim a tradição do Brasil de sempre trazer medalhas em Pan-Americanos. Virgilio de Castilho e Antonio Marcos terminaram a prova na 14ª e na 29ª posições respectivamente.
Mulheres – a largada da prova feminina foi exatamente às 10h30, como previsto na programação, e mais uma vez as americanas dominaram esta etapa. Ao final da primeira volta, num total de duas, já se formava um grupo de cinco atletas com uma vantagem já de 30 segundos. As americanas puxavam o ritmo, seguidas de perto por uma canadense e pela brasileira Sandra Soldan. Completados os 1500m, as americanas já tinha uma vantagem de 30 segundos sobre suas perseguidoras. Esta vantagem só foi aumentando, já que as três americanas faziam um excelente trabalho de revezamento no ciclismo.
Com os 40km de ciclismo completados, as três líderes já tinham uma vantagem de 2min40 sobre o pelotão perseguidor, onde se encontravam as três brasileiras. Com uma vantagem tão grande, elas apenas administraram na corrida para conseguir ouro e prata. A terceira americana, que veio ao Brasil apenas para puxar a natação e ajudar no que fosse possível no ciclismo, terminou a prova bem mais atrás, mas bem feliz, pois tinha feito seu papel com perfeição.
As brasileiras terminaram a prova um pouco tristes e decepcionadas com suas colocações, pois esperava-se mais delas, principalmente de Mariana Ohata que ficou com a 6ª colocação. Carla Moreno foi a 9ª e Sandra Soldan a 19ª.
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Este texto foi escrito por: Carlos Eugênio Ferraro
