Se você já treina há mais de 6 meses, existe uma boa chance de que seu treinador já tenha lhe solicitado que submeta-se a algum destes três tipos de teste. Aliás, existe muita confusão entre os leigos e, para ser sincero, entre muitos treinadores acerca da aplicabilidade de cada procedimento.
Cada procedimento tem uma utilidade e todos se complementam. A verdade é que não há um teste melhor do que o outro, apenas diferenças com relação à sua utilidade. Portanto, vamos abordar cada um deles e aí caberá a você e a seu médico e seu treinador decidir.
Teste Ergométrico – É um procedimento clínico, onde o paciente executa caminhada e/ou corrida em esteira rolante (pode ser executado em cicloergômetro, mas é menos freqüente) e o objetivo é avaliar o funcionamento do coração através do eletrocardiógrafo, um aparelho que registra as ondas elétricas emitidas durante o funcionamento do coração. É uma avaliação extremamente importante e somente um médico cardiologista pode supervisiona-la. Através do teste ergométrico é possível investigar se o paciente apresenta alguma anomalia cardíaca que poderá coloca-lo em risco durante a atividade física. Além do eletrocardiograma, monitora-se a pressão arterial em repouso e durante todo o teste, o que permite avaliar o funcionamento do sistema cardiovascular como um todo. Assim, é possível detectar respostas hipertensivas e outros tipos de problemas. Enfim, o teste ergométrico serve para avaliar a saúde e não o desempenho.
Teste Ergoespirométrico – Permite avaliar o potencial aeróbio e identificar as zonas ideais para treinamento aeróbio leve, moderado e máximo. Geralmente é executado simultaneamente com o teste ergométrico, através da utilização de um analisador de gases, o qual é acoplado através de uma máscara no rosto do paciente e possui um sensor extremamente sensível, que detecta inúmeras variáveis ventilatórias, como o consumo máximo de oxigênio, mais conhecido por VO2max. Apesar de muitos acharem que o VO2max é o dado mais importante obtido através da ergoespirometria, as informações mais relevantes para o atleta são o Limiar Ventilatório I (também conhecido por Limiar Anaeróbio) e o Limiar Ventilatório II (também conhecido por Ponto de Compensação Respiratória), pois indicam as zonas ideais para treinamento aeróbio. Todavia, o VO2max serve para que o atleta obtenha uma informação acerca de seu potencial para provas de longa duração. Uma vez que o VO2max é fortemente influenciado por fatores genéticos, a sua medida pode elucidar ao atleta e a seu treinador o nível máximo de desempenho que poderá ser obtido em corridas e provas de triathon.
De qualquer modo, fica claro que ambos os procedimentos são importantes e devem ser realizados, cada qual com sua utilidade. Atualmente diversos planos de saúde cobrem o custo do teste ergométrico e do teste ergoespirométrico e o ideal é ser avaliado a cada 6 meses, pois a saúde cardiovascular e o desempenho sofrem a influência de fatores como estresse, dieta, treinamento, etc.
No próximo artigo discutiremos um terceiro procedimento: dosagem da concentração do lactato sanguíneo.
Este texto foi escrito por: Prof° Renato Dutra