Oscar Galindez prioriza o fator psicológico.

Redação Webrun | Triathlon · 04 dez, 2003

Antônio Carlos Santos Filho  9  junto ao pai. Persistência o levou ao seu objetivo (foto: Harry Thomas Jr Arquivo WebRun)
Antônio Carlos Santos Filho 9 junto ao pai. Persistência o levou ao seu objetivo (foto: Harry Thomas Jr Arquivo WebRun)

“Não vim aqui dar uma fórmula mágica. Cada um tem seus pontos fortes e fracos”, disse o melhor triathleta latino americano no último Ironman do Havaí, para um auditório lotado na noite de ontem, dia 03, na Academia Competition, na cidade de São Paulo (SP), em palestra organizada pelo portal WebRun para coroar o ano de 2003.

A platéia era formada por triathletas profissionais e amadores, organizadores, corredores, entusiastas da modalidade e fãs deste campeão que possui um cartel de vitórias invejável.

Galindez, iniciou a palestra contando a história do triathlon no Brasil, as primeiras provas realizadas na cidade do Rio de Janeiro, traçando um histórico da modalidade até os dias atuais.

Especialista na distância olímpica seu grande sonho era as olimpíadas. “Meu grande objetivo era me tornar um triathleta olímpico”, revelou, mas o caminho para isso não foi fácil, já que teve que recorrer ao seu patrocinador – [Reebok] – para que este lhe custeasse a empreitada, já que o atleta que deseja participar de uma olimpíada no caso do triathlon – precisa somar pontos nas várias etapas que compõem o Circuito Mundial da ITU, que são provas disputadas ao redor do mundo, e assim, tentar classificar-se entre os melhores do mundo. Para Atenas, já decidiu: Não irá disputar o evento por discordar dos critérios da Federação Argentina de Triathlon. “Já coloquei muito dinheiro do meu próprio bolso para competir”, disse.

Nos Jogos Olimpicos de Sydney a ansiedade comum em grandes eventos fez com que o atleta tivesse problemas já na fase preparatória. “Em um treino com um companheiro argentino quase fomos atropelados por um caminhão, pois não conhecíamos o local onde seria realizada a prova”, disse o atleta. O COI divulgou o trajeto oficial com uma semana de antecedência. No entanto, no dia da competição Galindez ficou calmo. “É legal você treinar este lado psicológico”. Mas, o dia não era de Galindez, que teve o pneu furado e levou cerca de 1min30″ para consertá-lo e assim terminar a primeira prova oficial da modalidade triathlon em uma Olimpíada na 28ª colocação.

Do Olímpico para o Ironman “A minha carreira de triathleta é baseada na superação psicológica”, contou o atleta que depois de vencer inúmeras provas na distância olímpica e conquistar vários títulos como o recente heptacampeonato consecutivo do Gatorade Troféu Brasil de Triathlon, ou o hexa do Triathlon Internacional de Santos resolveu partir para vôos mais altos: a clássica distância do Ironman.

“Fiz o Ironman para superar meus limites”, disse o triathleta que em apenas dois anos alcançou a vitória na temível prova. Sua estréia em 2001 foi com um 11° lugar; em 2002 (5°) e campeão em 2003. Suas experiências no Mundial do Ironman, no Havaí também foram bem sucedidas. No ano passado foi o 15° (8:55:00) e no último mês de outubro o 23° com a marca de 8:55:05.

“Eu senti na pele o que é ser um atleta de Ironman”. Desde o primeiro colocado do Ironman até o último, cada um tem seus méritos”, finalizou o triathleta.

Fã-mirim Um personagem despercebido no meio da platéia teve a persistência de um Ironman. Sabendo que seu pai corredor, não praticante de triathlon estava inscrito na palestra, tomou uma decisão: iria ver Oscar Galindez. Insistiu junto ao pai, até que este, nos solicitou autorização para o menino Antônio Carlos Santos Filho, 9 anos, tivesse seu desejo realizado. Ao final, o garoto deixava sorridente o auditório com uma bandana na cabeça autografada por seu ídolo.

Este texto foi escrito por: Webrun

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