A corrida de rua substitui terapia?

Elizama Modesto | Saúde · 14 abr, 2026

A corrida de rua pode ajudar muito na saúde mental, mas é importante frisar que ela não substitui a terapia. Como explica Eduardo Perin, psiquiatra pela Universidade Federal de São Paulo: “A corrida pode ser um recurso muito valioso para a saúde mental, mas não substitui, por si só, o que a psicoterapia faz: elaborar traumas, rever padrões de pensamento, trabalhar conflitos relacionais, luto, culpa, compulsões e formas de enfrentamento”.

Foto: Adobe Stock

Ou seja, correr ajuda, mas não resolve tudo. Segundo diretrizes do NICE (National Institute for Health and Care Excellence), o exercício físico como corrida em grupo pode ser uma opção terapêutica, principalmente em casos mais leves de depressão. Mas ele não trabalha diretamente pensamentos e sentimentos. Em situações mais graves, é necessário um acompanhamento mais próximo, como a psicoterapia.

De acordo com o especialista, a ciência mostra que exercícios físicos, especialmente os aeróbicos como caminhada e corrida, ajudam a reduzir sintomas de depressão, ansiedade e sofrimento emocional. Yoga e treino de força também têm bons resultados. “Basicamente todo exercício que o indivíduo conseguir manter em sua rotina vai ter impacto positivo sobre o humor”.

Além disso, a corrida funciona muito bem como complemento ao tratamento. A American Psychiatric Association destaca que a atividade física pode potencializar os efeitos da terapia e da medicação. Em alguns casos leves, ela pode até ser uma das principais formas de cuidado. Ainda assim, o mais seguro é usar a corrida como aliada: “Ela melhora humor, sono, energia, cognição, sensação de autoeficácia e saúde física, enquanto a terapia ajuda o paciente a entender por que sofre”.

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Mas é importante ter cuidado. Existe o risco do exercício virar uma compulsão. Como alerta Eduardo Perin: “A pessoa se movimenta não só por prazer, saúde ou disciplina, mas para evitar afeto negativo, como culpa, ansiedade ou angústia”. Isso pode estar ligado a problemas como ansiedade, estresse, depressão e até transtornos alimentares.

Por isso, é importante observar os sinais. A corrida está ajudando quando melhora o humor, o sono, a rotina e as relações, e quando a pessoa ainda consegue falar sobre o que sente. Mas pode estar mascarando um problema quando vira obrigação extrema: “Se a pessoa entra em desespero se não treina, corre lesionada ou usa o treino para não pensar ou não sentir, isso pode indicar sofrimento não resolvido”.

Elizama Modesto

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Jornalista por formação e apaixonada por contar boas histórias.