
Valmir corre há oito anos no sacrífico (foto: Ivan Storti/ FMA Notícias)
O brasileiro Valmir Nunes conquistou no último sábado (29) o terceiro lugar da Spartathlon, corrida entre Atenas e Sparta, na Grécia, com nada menos que com 245,3 km, o equivalente a quase seis maratonas ininterruptas. Vencedor dos anos de 2001 e 2003, ele cruzou com o tempo de 25h37min40 e agora terá que se submeter a uma cirurgia no tendão para se recuperar das dores que sente enquanto corre.
Aos 43 anos, ele sofre com o problema há oito e diz que não agüenta mais correr no sacrifício. Em outubro vou operar, sei que posso melhorar bem depois que raspar o osso do calcanho esquerdo. E, além disso, vou descansar, tirar o stress. Corri muitas provas na raça, ressalta o ultramaratonista.
A dor foi um agravante durante a competição grega, principalmente nos últimos 86 quilômetros, em que o problema do calcanhar sobrecarregou os tornozelos e os joelhos. Doía o ciático, os dois joelhos, as laterais da coxa, tudo reflexo porque eu estava pisando errado, pela dor. Consegui acompanhar o Scott (Jurek) até a Subida das Cabras, que é um terreno muito irregular. Quando desci, o Scott tinha sumido, lembra.
Superação – O terceiro lugar veio como uma vitória para Valmir, que agradece a sua equipe de apoio pela ajuda, sem a qual não teria conseguido terminar. A Spartathlon é fantástica. Quando terminei, até chorei. E no pódio tocou o hino do Brasil. Ele não pensa em parar de competir, pelo menos não tão cedo, pois os resultados conquistados são sempre uma injeção de ânimo para continuar. Eu pensava em parar aos 40 e já estou com 43. Enquanto eu tiver patrocínio e as pessoas me convidarem para correr, eu vou indo. Quando não tiver patrocinador e não estiver mais fazendo bons resultados, daí será a hora de parar.
Após a cirurgia ele espera voltar com força total, inclusive correr novamente a Spartathlon, prova que ele considera como uma das melhores na modalidade. Tenho vários planos, como a Comrades Marathon, na África do Sul. É uma corrida que já fui várias vezes, mas nunca estava 100%. Quero ir para lá confiante e podem esperar muita vontade de mim. Ainda vou batalhar por vitórias, enfatiza.
Paralelamente à carreira de ultramaratonista, ele continua a treinar a atleta Sirlene Pinho, que recentemente conquistou o terceiro lugar na Maratona dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro. Ele também tem um projeto com meninos e meninas de 15 a 18 anos, no qual procura novos talentos. A gente vê no olho de quem quer ser atleta mesmo. Porque para ser um campeão tem de ter foco, correr todo mundo quer, mas ser campeão é difícil.
Este texto foi escrito por: Webrun