Nadar, pedalar e correr. Três esportes que em conjunto formam o cada vez mais conhecido triathlon. Enquanto alguns amantes do esporte reclamam da falta de tempo na época dos treinamentos mais pesados, imagine-se no ciclo de um triatleta, onde ele tem que balancear sua paixão, vida social e trabalho.
A estudante de direito e estagiária Victória Remaili, é praticante do triathlon desde os 12 anos, hoje com 21 ela, que ano passado esteve no mundial de Ironman em Kona, tenta encontrar o equilíbrio entre sua vida pessoal e os treinos. Se estou focada em algum objetivo costumo fazer de tudo para que ele se concretize da melhor forma. Ao começar a treinar para o Iron, já sabia que perderia alguns finais de semana de festa ou até que passaria um semestre mais apertado na faculdade, mas é questão de escolha, explica.
Victória em sua participação no mundial de Ironman em Kona Foto: DivulgaçãoLuca Glaser, analista de marketing e comunicação é outra atleta assídua. Sou triatleta há 17 anos. Como comecei cedo, aos nove, não senti muito impacto de mudança na rotina. Sempre fui a atleta da turma, mas hoje em dia com a profissão e as responsabilidades é diferente. O esporte nem sempre é a prioridade e entender isso é fundamental. Não posso ficar me lamentando por treino perdido, sei que a flexibilidade é a chave do sucesso.
Luca Glaser Foto: Arquivo pessoalA dica vem do treinador Rafael Moreno que explica que o atleta deve ter bem definido qual seu objetivo. Os que buscam performance e querem subir no pódio, sem dúvida, terão que fazer um sacrifício maior. Eu gosto sempre de dar off para os alunos de domingo, assim eles têm um dia para relaxar com a família, ir passear… Na minha opinião isso é muito importante, conta.
Acredito que a maior dificuldade é em relação a festas. Às vezes o atleta tem um aniversário na sexta a noite e no outro dia um pedal saindo às 6h da manhã. Essa parte, sem dúvida, é a mais complicada, explica o treinador. O importante é sempre equilibrar a agenda e saber que quando uma prova está próxima, o foco tem que ser redobrado. O atleta tem que ser responsável já que ele teve um gasto financeiro e treinou muito tempo. É preciso se conscientizar e valorizar seus próprios sacrifícios, já que depois é só relaxar.
Luca em um de seus treinos Foto: Arquivo PessoalGiselli Souza é jornalista e agora triatleta amadora, já que começou a praticar progressivamente a modalidade desde o fim de 2015. Ela conta que divide seus treinos em dois pois trabalha em período integral. Escolhi uma academia em frente ao meu trabalho, assim acabo treinando exatamente 60 minutos e almoçando em 20. Saio muito cedo de casa, então costumo deixar tudo arrumado no dia anterior como roupa de trabalho, marmita do almoço, lanches e suplementação. Sou honesta em dizer que o esporte faz parte da minha vida, então não é algo passageiro. Adoro o que faço, diz.
Ela já se acostumou a ser criticada por alguns amigos, que não entendem sua programação de treinos e acabam levando para o lado pessoal suas desistências. Quando saio em dia de semana dou um jeito de ir embora antes das 22h, já que depois disso eu bocejo, fico chata, com cara de sono e mal humorada. Não tem jeito, explica.
Giseli e sua mais nova aquisição, a bike Foto: Arquivo pessoalJá Luca, quando mais nova, foi até virada para treino. Hoje não tenho mais esse pique. Até tentei fazer isso recentemente, mas acabei saindo para treinar só na parte da tarde. Já perdi aniversário de amiga por causa de prova, fiquei no casamento de outra sem beber e comer doce. Pensa em uma provação.
Victória dá a dica para os que estão começando: foquem em seus objetivos e tenham consciência de que estão fazendo o melhor dentro das condições que cabem no momento. Não podemos exigir algo que não condiz com nossas circunstâncias. O resultado de algo é a consequência de suas atitudes anteriores, seja realista quanto a elas.
Terminei minha MBA ano passado e foram dois anos dormindo apenas quatro horas nesses dias, já que ela acabava às 22h30 e às 6h eu tinha que estar no Ibirapuera. Infelizmente, alguns treinadores não tem muito essa noção da rotina de um atleta amador e acabam levando para o lado da preguiça ou falta de comprometimento. Isso me irrita bastante porque existem dias que simplesmente por mais que você seja uma pessoa focada, o corpo não aguenta e pede arrego. Já cansei de tomar bronca por chegar atrasada em alguns treinos.
Giseli na natação Foto: Arquivo pessoalA dica de Giselli é evitar uma cobrança desnecessária, se o corpo pede descanso, saiba ouvir. É preciso ter consciência também que existem outros cuidados, tais como investir em uma nutricionista esportiva, planejar sua alimentação e suplementação do dia seguinte, organizar a mochila todos os dias, ir ao fisioterapeuta entre outras coisas. Já tive a época baladeira, de trabalhar 22h seguidas em redação, mas hoje me sinto muito mais completa e realizada. Acredito que cada um tem que buscar a sua felicidade e a essência do que realmente te move, conta.
Luca finaliza: acho que você deve ser o mais flexível possível! Às vezes me acho uma chata, imagine quem está por perto? Temos que valorizar quem apoia e entende o nosso estilo de vida e isso eu não posso reclamar, principalmente das minhas amigas! Lembre-se tudo em excesso é ruim.
Este texto foi escrito por: Christina Volpe