Atletismo · 14 ago, 2007
A velocista cega Terezinha Guilhermino (T11) venceu na noite dessa terça-feira a prova dos 100m rasos, após marcar o tempo de 12seg47, dois décimos acima do Recorde Mundial, estabelecido por ela mesma. A prata ficou com a atleta da Venezuela, Alberlis Torres (13seg67) e o bronze com Gracia Sosa, da Argentina (13seg95).
Na prova de 5.000m masculino Tito Sena (classe T46 amputados) ficou com a prata, após marcar 15min17seg56. Ele chegou a liderar a prova, mas acabou atrás do mexicano Marlo Hernandez (15min17seg16), mas à frente de seu compatriota Ozivam Bonfim (15min25seg36). No final me faltou força, velocidade. Estou mais habituado a correr a maratona e esta prova é muito diferente. Para mim valeu, porque superei meu tempo pessoal. Estou muito feliz com esta prata, comenta Tito.
Quem também subiu no pódio foram as brasileiras da classe T13 (deficientes visuais) nos 200m Joana Silva e Maria Alves. Elas fecharam com o tempo de 26seg43 e 27seg24 respectivamente, atrás da cubana Omara Elias, que faturou o ouro com 25seg42.
Já Pedro Moraes, da T12 (deficientes visuais) arrematou mais uma medalha de ouro para o Brasil, após marcar 11seg48 nos 200m à frente de Julio Alberto Rosbal (22seg61) de Cuba e Josiah Jamison, dos Estados Unidos (22seg75). Nas provas classificatórias dos 1.500m T12, Odair Santos garantiu presença na final com o tempo de 4min30seg33.
Atletismo · 14 ago, 2007
A velocista número um do Brasil Ádria dos Santos disse em entrevista à TV Globo na tarde dessa terça-feira que todos os paraatletas estão de parabéns pelo exemplo de superação e garra que vêm demonstrando nos Jogos do Rio de Janeiro. Muitos já superaram marcas no Mundial disputado em São Paulo e estão de parabéns pela luta aqui.
Segundo ela, todos estão focados em melhorar suas marcas cada vez mais e ressalta a conquista de Lucas Prado, que mesmo lesionado conseguiu vencer a prova dos 100m, com direito à Recorde Mundial.
Ádria se machucou durante um treinamento antes do início dos Jogos Parapan-americanos e resolveu competir apenas nas provas de 200m e 800m. Infelizmente não competi os 100m, minha melhor prova, mas espero competir bem nesse sábado e domingo.
Ela diz ainda que não foi uma decisão fácil junto ao seu treinador e ainda está psicologicamente afetada. Fiquei muito chateada, mas tive que abrir mão, pois as provas eram muito próximas e eu correria o risco de ficar de fora das finais.
Atletismo · 14 ago, 2007
*Atualizada às 16h57
O Brasil conquistou os três degraus do pódio nos 100m rasos da classe T11, para atletas cegos. Lucas Prado marcou 11seg29 e, além da medalha de ouro estabeleceu um novo Recorde Parapan-americano e Mundial, à frente de Felipe Gomes (11seg66) e Hilário Neto (11seg72).
Lucas fez uma prova de superação, já que ainda está lesionado, com uma fratura na tíbia, mas disse que deixará para depois da competição o tratamento. No início do mês, o paraatleta marcou 11seg26 no Mundial de Cegos em São Paulo.
"A dor é muito grande, mas durante a competição eu esqueço, junto com um trabalho de fisioterapia", ressalta Lucas. Ele ainda vai competir nos 200m e 400m e pretende bater o Recorde Mundial em ambas.
Após o Parapan ele já pensa em Pequim, onde pretende fazer uma marca ainda melhor. "Vou treinar para ser o primeiro atleta paraolímpico a fazer um tempo inferior a 11 segundos. Tenho que parar 25 dias para me recuperar de uma fratura na tíbia. Temo perder tempo de preparação".
Já Felipe Gomes comenta que "conquistar esta medalha foi muito bom. Senti uma lesão na panturrilha na segunda-feira, que me incomodou durante a prova". Ele chegou com a equipe direto de São Paulo, vindo do Mundial de Cegos e não teve tempo de se recuperar. "Esta foi uma prova de recuperação", ressalta.
Atletismo · 13 ago, 2007
Na tarde dessa segunda-feira Terezinha Guilhermino se classificou para a final dos 100m rasos dos Jogos Parapan-americanos no Rio de Janeiro, após marcar o tempo de 12seg78 e vencer a disputa. Ao entrar no Estádio João Havelange, a velocista e seu guia Chocolate foram ovacionados pela torcida.
Todos estavam tão empolgados que na hora da largada o locutor teve que pedir silêncio", diverte-se Terezinha. A segunda colocação ficou com Alberlis Torres, da Venezuela (13seg74) e a terceira e última com Katerina Taylor del Rosário, do Panamá (16seg69). Passaram para a fase final as duas melhores colocadas em cada série, assim como as atletas com os dois melhores tempos após todas as disputas semifinais.
Esta pista é muito boa, veloz e a torcida foi show, me incentivando muito. O vento estava contra e me atrapalhou para ter um melhor tempo nesta segunda-feira, ressalta a campeã mundial da categoria, com 12seg27. Amanhã tem mais, espero alcançar resultados melhores do que tive no Mundial e superar o meu próprio recorde. É um desafio para mim, completa.
Assim, também se classificaram Torres, da Venezuela (13seg74), Gracia Sosa, da Argentina (14seg03) e Yucleisy Pinto, da Venezuela (14seg06). A disputa pela medalha de ouro acontece nessa terça-feira a partir das 18h41.
Atletismo · 13 ago, 2007
Na última quinta-feira a velocista cega brasileira Ádria dos Santos sofreu uma contratura na perna esquerda durante o treinos na pista do estádio João Havelange e decidiu competir apenas nas provas finais do Parapan. Ela ficou vários dias em tratamento com sessões de fisioterapia de manhã e à tarde e sentiu uma leve melhora.
Assim, ela vai participar dos 200 e 800m, mas abre mão de correr nos 100m e 400m. Os 200m e 800m são nos dois últimos dias de competição. Vou abdicar das outras provas para me poupar. Não vou estar 100%, mas acredito que ainda posso ter chances medalhas disse Ádria.
No sábado ela completou 33 anos de idade e aproveitou para agradecer o carinho que vem recebendo do público nos últimos dias. Neste Parapan, mesmo machucada, já bati um recorde. Nunca tirei tantas fotos e distribuí autógrafos. Fico feliz, pois é o reconhecimento de 20 anos de carreira no atletismo paraolímpico. Ela é a maior medalhista brasileira em Paraolimpíadas, com 12 medalhas no total.
Atletismo · 13 ago, 2007
No último domingo (12) aconteceu no Rio de Janeiro a abertura oficial dos Jogos Parapan-americanos, cerimônia que reuniu esportes, música, dança e tecnologia. O evento contou também com manifestações culturais e teve a presença de diversas autoridades.
Diferentemente da cerimônia dos Jogos Pan-americanos, o Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva não estava presente e o Governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, abriu oficialmente os jogos. Também estavam presentes o Prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, o Ministro do Esporte, Orlando Silva, o Presidente do Comitê Paraolímpico Internacional, Phil Craven, o Presidente do Comitê Paraolímpico das Américas (APC), Andrew Parsons, o Presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), Vital Severino Neto, e o Presidente do Comitê Organizador dos Jogos Parapan-americanos Rio 2007 (CO-RIO), Carlos Arthur Nuzman.
Nuzman destacou a importância de o evento ser realizado no mesmo local do Pan e diz que era uma condição para a campanha da escolha da cidade sede de 2007. Agradeço a confiança do Comitê Paraolímpico das Américas, do Comitê Paraolímpico Brasileiro e do Comitê Paraolímpico Internacional, que acreditaram no nosso projeto e nos deram o apoio necessário. Ele também agradeceu o apoio das três esferas de Governo.
De acordo com o Presidente do Comitê Paraolímpico das Américas (APC), Andrew Parsons, o Parapan inaugura uma nova fase para o esporte adaptado. Devemos esquecer a palavra limite, pois ela terá um novo significado para todos que assistirem aos atletas durante a próxima semana. Estamos começando a escrever a história do Esporte Paraolímpico nas Américas.
Parte final - Após os discursos, o Hino Nacional foi executado ao som do bandolim de Hamilton de Holanda e Ana Costa cantou a música tema dos jogos Viva Essa Energia ao lado de ritmistas e passistas. Uma apresentação de 200 voluntários de dança reproduziu a Praia de Copacabana, o medo dos Homens e Festas Populares. Três bailarinas cadeirantes e a coreógrafa Rosângela Bernabé, do Grupo Giro, foram um dos destaques finais das apresentações.
Na hora do juramento, Terezinha Guilhermina foi a escolhida para representar os atletas e disse estar ansiosa para o início dos Jogos, vai ser uma emoção diferente, com o povo brasileiro torcendo por nós, nos preparamos muito para esse momento". Entre os árbitros, Nelson Bloch foi o representante.
Os ex-atletas Sebastião Neto (Futebol de sete e Atletismo) e Anelise Hernany (Atletismo) fizeram o Revezamento da Tocha na quadra da Arena e coube ao ex-atleta Luiz Cláudio Pereira (Atletismo) a missão de acender a Pira Parapan-americana. O encerramento foi ao som de Cidade Maravilhosa e Aquarela do Brasil na voz de Daniela Mercury.
Atletismo · 10 ago, 2007
Os Jogos Parapan-americanos começam a partir do dia 13 de julho no Rio de Janeiro e o Brasil tem grandes chances de conquistar medalhas no atletismo. Confira a programação do esporte.
- 13/08
- 14/08
- 15/08
- 16/08
- 17/08
-18/08
- 19/08
*Provas que não terão disputas por medalhas
Atletismo · 09 ago, 2007
Nesse sábado começará no Rio de Janeiro o revezamento da tocha Parapan-americana, que será conduzida por alguns atletas e paraatletas, além de personalidades engajadas com os direitos dos deficientes. Nessa sexta-feira o Comitê Organizador dos Jogos entregará os uniformes aos condutores.
Marcelhinho (levantador da seleção masculina de Vôlei), Daniel Santiago (Ouro na classe J24 da vela no Pan), Flávio Canto (judoca lesionado durante o Pan); Pretinha (jogador de futebol); José Luiz Pacheco (competidor deficiente que corre provas de off-road), Pará (goleiro da seleção brasileira de pólo aquático); Sandro Sorares (Futebol de 5), Luiz Cláudio Pontes da Silva (Halterofilismo), Leoni Botelho (Hipismo) e Douglas Vieira Amador (Atletismo) são alguns dos nomes. Eles se juntarão ao ator Marcos Frota, o músico Gabrielzinho do Irajá e a atriz Isabel Fillardis, num total de 50 pessoas.
A chama será acesa às 10h na Chama Eterna, colocada no Monumento dos Pracinhas, no Aterro do Flamengo e depois vai passar pela Marina da Glória e atravessará de barco a Baía de Guanabara. O símbolo dos Jogos seguirá pela Av. Pasteur, onde está o Instituto Benjamin Constant (instituição famosa pelo trabalho com deficientes visuais) e vai de bondinho até um dos cartões postais da cidade, o Morro da Urca. O percurso ainda incluirá a orla da Zona Sul da cidade, percorrendo as praias do Leblon, Ipanema, Copacabana e Leme.
Esporte Adaptado · 08 ago, 2007
Nesse sábado (11), véspera da abertura dos Jogos Parapan-americanos a Tocha Parapan-americana será acesa no Rio de Janeiro. A chama começará a brilhar a partir das 10h no Fogo da Pátria e iluminará eternamente o Monumento dos Pracinhas, localizado no Aterro do Flamengo (Zona Sul do Rio de Janeiro).
O local foi escolhido, pois homenageia os brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial e também porque após o combate o esporte adaptado ganhou força como forma de reabilitação para os feridos. A tocha seguirá pelo Morro da Urca, depois seguirá pela orla da Zona Sul da cidade (Leblon, Ipanema, Copacabana e Leme).
Participarão do revezamento atletas olímpicos e paraolímpicos, além de pessoas envolvidas na defesa dos direitos de pessoas com necessidades especiais. Os Jogos Parapan-americanos acontecem nos mesmos locais dos Jogos Pan-americanos, do dia 12 ao dia 19 de agosto.
Esporte Adaptado · 20 jul, 2007
O atleta paraolímpico Diego Lucas Madeira, natural de Criciúma (SC), será um dos representantes brasileiros do Parapan-americano do Rio de Janeiro. Na categoria T53, corrida com cadeira de rodas, o jovem de 20 anos mostra que as adversidades da vida não são empecilhos para a busca de sonhos.
Portador de mielomeningocele, má formação congênita, que Diego gosta de chamar de erro de fábrica, ele apreendeu a conviver com sua deficiência. Os esportes o tornaram mais ativo e até chegar no atletismo, sua atual modalidade, ele já passou por futebol, basquete e jiu-jitsu.
Hoje Diego é atleta da Associação Desportiva para Deficientes (ADD) e mora longe da família em São Paulo. No último mês, ele participou da etapa Porto Alegre do Circuito Caixa de Atletismo e surpreendeu a todos com seu jeito irreverente de ser, inclusive o meu. Confira a entrevista com Diego e entenda o porquê:
Webrun - Como sua família lidou quando descobriu que você era portador de uma doença congênita?
Diego Madeira - Minha família, assim como quase todas as pessoas que eu conheço não foram preparadas para ter uma pessoa portadora de deficiência em casa. Na verdade acho que ninguém está. Como primeiro neto de uma família de cinco filhos, eu ficava no centro de uma pequena disputa de um lado, a superproteção e "mimos" de outro a tentativa (frustrada) de fazer minha perna esquerda desenvolver.
Webrun - Como foi sua infância?
Diego Madeira - Eu nunca consegui ficar parado. Eu fiz tudo que uma criança faz. Brinquei de pega-pega, esconde-esconde e jogava futebol, como goleiro no time dos meus primos. Acho que minha infância foi mais do que mais normal, dentro das possibilidades.
WR - E na escola?
DM - Eu tive a honra de estar a maior parte da minha vida estudantil na Escola de Ensino Básico Engenheiro Sebastião Toledo dos Santos. A escola carregava o título de única instituição de ensino preparada para receber alunos com deficiência e isso de fato não deixava de ser verdade. A escola tem ótimos, talvez os melhores, professores para cegos, surdos e mudos. Mas para deficientes físicos a escola não estava preparada.
Eu estudei no segundo andar, com piso que não era anti-derrapante, as quedas eram iminentes. As escadas nunca foram barreiras tão grandes, mas mesmo assim me deixaram marcas, ainda tenho um galo gigante na cabeça e um dente quebrado. Tive ótimos professores lá e tenho boas recordações dos tempos de colégio.
WR - Como se virou na época de adolescente? Sofreu preconceito?
DM - Assim como a minha infância, a adolescência não teve maiores problemas. Eu tive a sorte de ter grandes amigos que me ajudaram a passar por cima dessas barreiras. Como todo e qualquer adolescente eu também tive a minha banda de rock a Dyskagem Dyretta, eu namorei, fiz várias cagadas (risos).
WR - Como descobriu o esporte?
DM - Na verdade o esporte me descobriu. Aos nove anos eu estava jogando futebol com os amigos no meio da rua e um vizinho me viu no meio dos garotos com muletas. Ele me chamou para jogar futebol com uma galera, que assim como eu, era deficiente. Comecei no futebol de salão (les otres).
WR - E porque decidiu pelo atletismo, corrida?
DM - Na época além de futsal, jogava ou tentava o basquete e ainda o atletismo, que foi onde eu me identifiquei mais. Tinha alguma coisa na pista que me acalmava. Em 1999 vi uma cadeira de rodas, daquelas hiper antigas, originalmente era uma de quatro rodas, adaptada para três rodas. Estava parada, cheia de teia de aranhas. Conversei a técnica da JUDECRI (entidade de portadores de deficiência física de Criciúma), Marina Nakagaki, sobre a possibilidade de usá-la. Fizemos algumas alterações e adaptações (a cadeira não tinha as minhas medidas, como uma cadeira de rodas de atletismo deve ter) e comecei a treinar atletismo.
WR - Quando foi a sua primeira competição?
DM - Em 1994 eu fui assistir uma competição de basquete em Joinville/SC, três meses depois ainda correndo em cadeiras de basquete participei da minha primeira corrida de cadeira de rodas. Fiquei em último.
WR - Qual prova você sonhe em competir?
DM - Acho que todo corredor cadeirante gostaria de correr a Maratona Internacional de OITA no Japão, o Mundial e a própria Paraolimpíadas, que será em Pequim na China em 2008.
WR - Como você vê a atual situação do paradesporto no Brasil?
DM - Estamos tendo progressos, está melhor que há um tempo atrás, mas não é o ideal ainda. Na minha opinião é gasto muito dinheiro com algumas coisas que talvez nem sejam tão importantes, e com outras essenciais, é economizado. Por exemplo, um tempo atrás eu tinha a impressão que os dirigentes das competições literalmente COMPRAVAM a gente hospedando-nos nos melhores hotéis do Brasil (onde gastam a maior parte do dinheiro) e os locais de competição, (onde eles economizam) eram completamente despreparados para receber uma competição paraolímpica. Instalações, acessos etc., isso melhorou um pouco, mas ainda pode ficar melhor.
WR - Se você pudesse, por passe de mágica, realizar alguma coisa o que seria?
DM - Mandar um caminhão de TOP END´s versão 2008 para o Brasil. (A Top End é uma marca norte-americana de cadeiras de competição. Essa cadeira de atletismo é uma das mais utilizadas pelos grandes atletas do mundo, além de ser considerada a fórmula 1 das cadeiras de rodas).
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