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Será que índio só quer apito?

Corridas de Rua · 16 out, 2007

Foi o tempo em que índio queria somente apito como apregoava uma famosa marchinha de carnaval. Na última quinta-feira (11) foi lançado no Recife (PE), a nona edição dos Jogos dos Povos Indígenas, programados para acontecer de 24 de novembro a primeiro de dezembro, nas cidades de Recife e Olinda.

São aguardadas cerca de 40 etnias brasileiras que totalizarão mil atletas. Além disso, como convidados estarão presentes povos indígenas canadenses e aborígenes australianos.

Eles vão disputar provas de arco e flecha, canoagem, arremesso de lança, cabo de força, natação (travessia), futebol (masculino e feminino), corrida de 100 metros, corrida de fundo, corrida de tora - haja força!

Já nos Estados Unidos, pensando em incentivar a prática de exercícios dos índios norte-americanos, que apresentam altos índices de obesidade, a Nike lançou no último dia 25 de setembro, o Air Native N7, modelo que levou dois anos ser desenvolvido. Entre os diferenciais do tênis está seu formato, já que ficou constatado que os índios têm pés mais largos e compridos que o tamanho médio dos calçados no mercado.

Isso são sinais dos tempos. Índio não quer somente apito!

Marílson destroçador de recordes

Corridas de Rua · 15 out, 2007

Quebrar um recorde não é fácil. Quebrar quatro em uma única prova então nem se fale, mas, foi isso que Marílson Gomes fez ontem no Campeonato Mundial de Corridas de Rua, disputado em Udine, na Itália.

O atual campeão da Maratona de Nova York concluiu os 21.097 metros da competição em sétimo lugar com o tempo de 59min33s, marca que faz do atleta o novo recordista sul americano da distância. De quebra, o bateu outros três recordes sul-americano: 10Km (27min48s), 15Km (42min15s) e 20Km (56min32s).

Para quem disse que ia usar a competição para “treinar” para a defesa do título em Nova York está de bom tamanho!

Trilogia do preconceito na corrida

É notório que mulheres sofrem mais preconceitos que os homens. Não é necessário ler o “Livreiro de Cabul”, da jornalista norueguesa Asne Seierstad, nem morar no Afeganistão para notar esse tipo de atitude em nosso dia-a-dia, seja, a discriminação profissional, comportamental, nas mais variadas situações.

No mundo da corrida, em especial no Brasil, devemos, no entanto, abrir um parêntese para um tipo de discriminação que os homens sofrem. O título deste texto foi cunhado observando três preconceitos – muitas vezes velados – que nós homens sofremos, e pior, o preconceito não vem das mulheres e sim de homem para homem.

São eles no meu ponto de vista:

Calção - Quando corremos na rua com calções específicos para corridas, aqueles com fendas laterais abertas, somos tratados com sarcasmo, já que é fácil perceber piadinhas e risadas irônicas, muitas vezes de cunho homofóbico, como se duvidassem de nossa masculinidade (embora nada tenho contra pessoas “gays”) somente porque estamos vestidos da forma correta e apropriada para um corredor.

Calça legging - A mesma situação descrita acontece com outro vestuário. Quantos e quantos corredores não vestem uma calça legging, que sem sombra de dúvida, é o mais apropriado item de vestuário para proteger as pernas em baixas temperaturas? Hilário quando eu lembro que andava de legging pela quinta avenida em Nova York e as pessoas nem olhavam, isto é algo que nem penso em repetir em terras tupiniquins.

Depilação - Talvez esse é o item de maior preconceito. “Hummm, você se depila?”, ironicamente me perguntaram com o tom de escracho. Como sou resolvido na questão respondo de bate pronto: “depilo minhas pernas, sim”. Em primeiro sem querer ser hipócrita, eu me depilo por razão estética, acho que fica legal, dá para perceber o contorno e divisões dos grupos musculares. Outro ponto é que facilita e muito as seções de massagens que fazemos, principalmente as feitas com loções friccionadas junto a pele.

Obviamente essas questões apontadas são culturais, e cada pessoa tem seu estilo. Embora não seja adepto a “firulas” como cremes e perfumes, minha editora, a Donata Lustosa, me classificou como “metrosexual”. Isso talvez pela depilação, mas o termo não se aplica ao vestuário como o calção e a legging, pois esses são necessidades básicas.

Esses são três exemplos de preconceitos masculinos, de homem para homem. Alguém aí já escutou um homem reclamar que uma mulher esteja bem depilada, que use shorts com fenda lateral ou use uma legging colada ao corpo? Eu acho que não! Bons treinos independente da sua roupagem.


Trilogia do preconceito na corrida

Atletismo · 12 out, 2007

É notório que mulheres sofrem mais preconceitos que os homens. Não é necessário ler o “Livreiro de Cabul”, da jornalista norueguesa Asne Seierstad, nem morar no Afeganistão para notar esse tipo de atitude em nosso dia-a-dia, seja, a discriminação profissional, comportamental, nas mais variadas situações.

No mundo da corrida, em especial no Brasil, devemos, no entanto, abrir um parêntese para um tipo de discriminação que os homens sofrem. O título deste texto foi cunhado observando três preconceitos – muitas vezes velados – que nós homens sofremos, e pior, o preconceito não vem das mulheres e sim de homem para homem.

São eles no meu ponto de vista:

Calção - Quando corremos na rua com calções específicos para corridas, aqueles com fendas laterais abertas, somos tratados com sarcasmo, já que é fácil perceber piadinhas e risadas irônicas, muitas vezes de cunho homofóbico, como se duvidassem de nossa masculinidade (embora nada tenho contra pessoas “gays”) somente porque estamos vestidos da forma correta e apropriada para um corredor.

Calça legging - A mesma situação descrita acontece com outro vestuário. Quantos e quantos corredores não vestem uma calça legging, que sem sombra de dúvida, é o mais apropriado item de vestuário para proteger as pernas em baixas temperaturas? Hilário quando eu lembro que andava de legging pela quinta avenida em Nova York e as pessoas nem olhavam, isto é algo que nem penso em repetir em terras tupiniquins.

Depilação - Talvez esse é o item de maior preconceito. “Hummm, você se depila?”, ironicamente me perguntaram com o tom de escracho. Como sou resolvido na questão respondo de bate pronto: “depilo minhas pernas, sim”. Em primeiro sem querer ser hipócrita, eu me depilo por razão estética, acho que fica legal, dá para perceber o contorno e divisões dos grupos musculares. Outro ponto é que facilita e muito as seções de massagens que fazemos, principalmente as feitas com loções friccionadas junto a pele.

Obviamente essas questões apontadas são culturais, e cada pessoa tem seu estilo. Embora não seja adepto a “firulas” como cremes e perfumes, minha editora, a Donata Lustosa, me classificou como “metrosexual”. Isso talvez pela depilação, mas o termo não se aplica ao vestuário como o calção e a legging, pois esses são necessidades básicas.

Esses são três exemplos de preconceitos masculinos, de homem para homem. Alguém aí já escutou um homem reclamar que uma mulher esteja bem depilada, que use shorts com fenda lateral ou use uma legging colada ao corpo? Eu acho que não! Bons treinos independente da sua roupagem.

Ultramaratonista passa feriado correndo

Corridas de Rua · 11 out, 2007

Enquanto muitos passam o feriado de amanhã, 12 de outubro, descansando, ou no máximo fazendo seu treino longo de até 35 quilômetros, o corredor Jaime Maria da Rocha, o Jaiminho, encara um “treininho” entre as cidades de São Paulo e Aparecida cuja distância são “meros” 180 quilômetros.

Jaiminho que inicia seu desafio hoje (11) por volta das 18h estima que fará o trajeto entre 18 e 20 horas, dependendo da temperatura durante o percurso. O ultramaratonista fará uma corrida “solo” como fez quando venceu a Volta a Ilha, em Santa Catarina, em 2002, ocasião em que completou os 155 quilômetros da competição com o tempo recorde da prova de 14h48min39s.

Segundo Rocha, o objetivo do treino é se preparar para uma “possível ultramaratona de 48h no Brasil”, que provavelmente acontecerá em novembro. Mas a prova ainda não está confirmada pela Yescom, organizadora do evento.

Boa sorte Jaime, que a padroeira do Brasil o proteja na perigosa Rodovia Dutra!

Os últimos serão os primeiros

A pior corrida que participei em minha vida foi a Meia Maratona de Ribeirão Pires, que aconteceu no ano de 1997. A simples menção da palavra Ribeirão Pires já me assustava, pois foi lá que completei a minha segunda e mais difícil maratona (42,195 metros) no ano anterior.

Essa prova era uma das mais tradicionais do calendário brasileiro e seu bom abastecimento não compensava o péssimo controle de trânsito do seletivo percurso, marcado por inúmeros aclives e declives.

No entanto, a meia maratona não tinha nenhum vínculo com a maratona, exceto serem disputadas na mesma cidade. Localizada na Grande São Paulo e próxima a Serra do Mar, a prova ganhava algumas características peculiares como terreno acidentado, tempo sempre sob névoa e um forte sol quando ele resolve aparecer.

Minha epopéia na Meia Maratona começou quando chegamos para receber o kit de corredor. Para nossa surpresa e espanto, os kits não estavam prontos e organizador pediu uma “ajuda” para os atletas separar os números de peitos, senhas – sim senhas não existia chips no Brasil na época - e distribuí-los.

Por esse fato a largada marcada para acontecer às oito horas, atrasou no mínimo uma hora, além disso, o calendário daquela já distante época não era marcado pela enorme profusão de provas como acontece atualmente, era muito mais enxuto com menos opções o que fez com que a Meia de Ribeirão Pires tivesse um número expressivo de atletas de outras cidades.

Lembro-me que somente a delegação do Pão de Açúcar Club tinha dezenas de integrantes inscritos na “competição” que seria a último teste de treinamento, já que no domingo seguinte formariam uma das maiores equipes brasileiras que já disputou a charmosa Maratona de Paris, na França. No meu caso em particular vinha treinando com afinco para correr pela primeira vez uma maratona sub três horas e lembro da recomendação do meu técnico Vanderlei “Branca” Severiano, para “dar o máximo” e assim poder testar minha capacidade atlética, que vinha buscando em vários treinos de 30 quilômetros realizados na USP e com três subidas da temida Biologia.

Distribuídos os kits nos dirigimos para uma praça que tinha um minguado pórtico e por onde largamos para os 21,097 metros. Eu corria em um ritmo forte de acordo com a determinação de meu técnico. Lembro-me que no início da corrida eu desci uma ladeira, atravessei a linha de trem e entramos em uma pista de terra batida. Até esse momento eu já havia corrido uns dois quilômetros e seguia normalmente até que escutei: “volta, volta, volta!”. O fato que se desdobrava era surreal. O batedor havia errado o caminho e fez com que literalmente os últimos fossem os primeiros!

Pensei em parar, mas continuei, até o momento em que entramos em uma estrada e foi quando me toquei: se neste curto espaço de tempo houve tantos erros graves, quem me garante que vai haver água, condição indispensável em uma corrida. Pensei mais e olhei a estrada que se desdobrava na minha frente. A decisão no quarto quilômetro foi rápida. Abandonar a prova.

Muitos continuaram, outros retornaram ao local da largada (que era o mesmo da chegada). Alguns atletas indignados com o organizador iniciaram um protesto assim que a prova terminou aos brados. “Queremos nosso dinheiro de volta!”, alguns mais exaltados quase foram às vias de fato com o tal “organizador” e conseguiram ter o valor da inscrição reembolsado, mas, a maioria ficou no prejuízo.

Hilário foi o organizador tentando explicar o inexplicável. “Gente desculpe, foi o primeiro evento que eu organizei”. “Falhas acontecem blá, blá...blá.”

Por isso caro corredor, fique atento aos organizadores caça níqueis e siga sempre seu "feeling" e bom-senso na hora de falar:

- Desisto!


Os últimos serão os primeiros

Corridas de Rua · 08 out, 2007

A pior corrida que participei em minha vida foi a Meia Maratona de Ribeirão Pires, que aconteceu no ano de 1997. A simples menção da palavra Ribeirão Pires já me assustava, pois foi lá que completei a minha segunda e mais difícil maratona (42,195 metros) no ano anterior.

Essa prova era uma das mais tradicionais do calendário brasileiro e seu bom abastecimento não compensava o péssimo controle de trânsito do seletivo percurso, marcado por inúmeros aclives e declives.

No entanto, a meia maratona não tinha nenhum vínculo com a maratona, exceto serem disputadas na mesma cidade. Localizada na Grande São Paulo e próxima a Serra do Mar, a prova ganhava algumas características peculiares como terreno acidentado, tempo sempre sob névoa e um forte sol quando ele resolve aparecer.

Minha epopéia na Meia Maratona começou quando chegamos para receber o kit de corredor. Para nossa surpresa e espanto, os kits não estavam prontos e organizador pediu uma “ajuda” para os atletas separar os números de peitos, senhas – sim senhas não existia chips no Brasil na época - e distribuí-los.

Por esse fato a largada marcada para acontecer às oito horas, atrasou no mínimo uma hora, além disso, o calendário daquela já distante época não era marcado pela enorme profusão de provas como acontece atualmente, era muito mais enxuto com menos opções o que fez com que a Meia de Ribeirão Pires tivesse um número expressivo de atletas de outras cidades.

Lembro-me que somente a delegação do Pão de Açúcar Club tinha dezenas de integrantes inscritos na “competição” que seria a último teste de treinamento, já que no domingo seguinte formariam uma das maiores equipes brasileiras que já disputou a charmosa Maratona de Paris, na França. No meu caso em particular vinha treinando com afinco para correr pela primeira vez uma maratona sub três horas e lembro da recomendação do meu técnico Vanderlei “Branca” Severiano, para “dar o máximo” e assim poder testar minha capacidade atlética, que vinha buscando em vários treinos de 30 quilômetros realizados na USP e com três subidas da temida Biologia.

Distribuídos os kits nos dirigimos para uma praça que tinha um minguado pórtico e por onde largamos para os 21,097 metros. Eu corria em um ritmo forte de acordo com a determinação de meu técnico. Lembro-me que no início da corrida eu desci uma ladeira, atravessei a linha de trem e entramos em uma pista de terra batida. Até esse momento eu já havia corrido uns dois quilômetros e seguia normalmente até que escutei: “volta, volta, volta!”. O fato que se desdobrava era surreal. O batedor havia errado o caminho e fez com que literalmente os últimos fossem os primeiros!

Pensei em parar, mas continuei, até o momento em que entramos em uma estrada e foi quando me toquei: se neste curto espaço de tempo houve tantos erros graves, quem me garante que vai haver água, condição indispensável em uma corrida. Pensei mais e olhei a estrada que se desdobrava na minha frente. A decisão no quarto quilômetro foi rápida. Abandonar a prova.

Muitos continuaram, outros retornaram ao local da largada (que era o mesmo da chegada). Alguns atletas indignados com o organizador iniciaram um protesto assim que a prova terminou aos brados. “Queremos nosso dinheiro de volta!”, alguns mais exaltados quase foram às vias de fato com o tal “organizador” e conseguiram ter o valor da inscrição reembolsado, mas, a maioria ficou no prejuízo.

Hilário foi o organizador tentando explicar o inexplicável. “Gente desculpe, foi o primeiro evento que eu organizei”. “Falhas acontecem blá, blá...blá.”

Por isso caro corredor, fique atento aos organizadores caça níqueis e siga sempre seu "feeling" e bom-senso na hora de falar:

- Desisto!

Organizadores saibam que corredor não é boi

Fico estarrecido como os corredores são tratados em algumas provas brasileiras, principalmente, nos chamados “currais”, o nome já dá uma breve idéia de como deve ser. Para quem não sabe “curral” é o jargão que corredores usam para designar as baias de largada.

A pior delas, sem sombra de dúvida, é da Corrida Internacional de São Silvestre. Com largada às 17h, que na realidade são 16h devido ao horário de verão, existem corredores que chegam a se posicionar para a largada com até três horas de antecedência e para assim poderem largar sem perder muito tempo.

Mas com o excesso de gente os problemas logo acontecem. Entre os mais comuns, se destaca a aglomeração e o empurra-empurra, mas, o pior e mais desagradável de todos é o mar de urina que se transforma o local.

Em parte esse problema acontece porque os corredores ficam horas de baixo de sol e calor se hidratando, e, fisiologicamente a vontade de urinar aparece, só que ao invés de utilizarem os banheiros químicos, simplesmente, se agacham e fazem tudo ali mesmo.

Neste caso são dois os culpados: a organização da prova, que não tenta amenizar esse problema, com um melhor planejamento da área de largada, utilizando-se de mais banheiros químicos, por exemplo. E evidentemente os maiores culpados são os próprios atletas, esses por falta de educação, respeito e de cidadania.

Um exemplo bem sucedido é a Maratona de Nova York, que tem o dobro de competidores da prova brasileira e nem de longe apresenta tais problemas. Uma das soluções encontradas foi dividir os corredores por grupos de tempos e esses ficam posicionados nas ruas laterais da Verrazano Bridge, onde acontece a largada. Meia hora antes do tiro de canhão é autorizada a entrada dos participantes na ponte, minimizando os efeitos indesejáveis de uma longa espera.

Além disso, essa simples medida mostra respeito da organização para com o atleta. A São Silvestre cobra por inscrição a bagatela de R$65, valor alto para uma prova que não dá tratamento diferenciado.

Já em Nova York, “sorry” (desculpe) é uma das palavras mais ouvidas quando os corredores estão a postos na Verazzano Bridge. Isso acontece porque em um simples esbarrão seu colega se desculpa, já que existe uma distância mínima entre os atletas. Claro que aqui entra a questão cultural, da educação e respeito que tradicionalmente existe entre as pessoas nos países ditos de primeiro mundo.

Vejo que essa medida (pré-baias) se implementada na São Silvestre amenizaria em muito o atual problema. Os atletas poderiam ficar em baias laterais formadas por duas a três ruas (sem afetar a logística do evento) como a divisão de público existente no meio da pista ou o local da estrutura da largada.

É importante que a organização da São Silvestre não somente pense que já tem mais de 80 edições nas costas, mas sim, que pode ter outras 80 a frente se manter o interesse dos corredores.


Organizadores saibam que corredor não é boi

Corridas de Rua · 06 out, 2007

Fico estarrecido como os corredores são tratados em algumas provas brasileiras, principalmente, nos chamados “currais”, o nome já dá uma breve idéia de como deve ser. Para quem não sabe “curral” é o jargão que corredores usam para designar as baias de largada.

A pior delas, sem sombra de dúvida, é da Corrida Internacional de São Silvestre. Com largada às 17h, que na realidade são 16h devido ao horário de verão, existem corredores que chegam a se posicionar para a largada com até três horas de antecedência e para assim poderem largar sem perder muito tempo.

Mas com o excesso de gente os problemas logo acontecem. Entre os mais comuns, se destaca a aglomeração e o empurra-empurra, mas, o pior e mais desagradável de todos é o mar de urina que se transforma o local.

Em parte esse problema acontece porque os corredores ficam horas de baixo de sol e calor se hidratando, e, fisiologicamente a vontade de urinar aparece, só que ao invés de utilizarem os banheiros químicos, simplesmente, se agacham e fazem tudo ali mesmo.

Neste caso são dois os culpados: a organização da prova, que não tenta amenizar esse problema, com um melhor planejamento da área de largada, utilizando-se de mais banheiros químicos, por exemplo. E evidentemente os maiores culpados são os próprios atletas, esses por falta de educação, respeito e de cidadania.

Um exemplo bem sucedido é a Maratona de Nova York, que tem o dobro de competidores da prova brasileira e nem de longe apresenta tais problemas. Uma das soluções encontradas foi dividir os corredores por grupos de tempos e esses ficam posicionados nas ruas laterais da Verrazano Bridge, onde acontece a largada. Meia hora antes do tiro de canhão é autorizada a entrada dos participantes na ponte, minimizando os efeitos indesejáveis de uma longa espera.

Além disso, essa simples medida mostra respeito da organização para com o atleta. A São Silvestre cobra por inscrição a bagatela de R$65, valor alto para uma prova que não dá tratamento diferenciado.

Já em Nova York, “sorry” (desculpe) é uma das palavras mais ouvidas quando os corredores estão a postos na Verazzano Bridge. Isso acontece porque em um simples esbarrão seu colega se desculpa, já que existe uma distância mínima entre os atletas. Claro que aqui entra a questão cultural, da educação e respeito que tradicionalmente existe entre as pessoas nos países ditos de primeiro mundo.

Vejo que essa medida (pré-baias) se implementada na São Silvestre amenizaria em muito o atual problema. Os atletas poderiam ficar em baias laterais formadas por duas a três ruas (sem afetar a logística do evento) como a divisão de público existente no meio da pista ou o local da estrutura da largada.

É importante que a organização da São Silvestre não somente pense que já tem mais de 80 edições nas costas, mas sim, que pode ter outras 80 a frente se manter o interesse dos corredores.

Jamais substime uma mulher corredora

Muitos homens podem não admitir, mas dói, e como dói ser ultrapassado por uma mulher, machismo a parte, auto-estima em baixa, são vários os motivos.

Um caso que ficou notório e no final das contas se traduziu em uma grande lição de vida é o relato feito pelo jornalista Marcos Caetano onde ele conta sua luta para tentar ultrapassar a já então septuagenária Dona Mítico.

Esses dias estava olhando umas das milhares das fotos que eu já fiz ao longo desses anos nas provas brasileiras e me deparei com a foto ao lado. Ela foi feita na Maratona de Revezamento Ayrton Senna e mostra que a bela morena não está para brincadeira no mais seletivo percurso paulistano: o Autódromo de Interlagos.

O flagrante mostra o olhar incrédulo do corredor de camiseta laranja que parece não acreditar que está sendo ultrapassado a todo vapor pela garota. Já o atleta de boné, que está logo atrás, parece já ter se conformado em perder a posição. Sua expressão, no entanto, demonstra que vai ser difícil acompanhá-la, muito menos dar-lhe o troco.

Mas uma das maiores lições que a corrida nos dá é ser humilde. Ultrapassará e será ultrapassado, pois, nem só de glórias vive um corredor.


Jamais substime uma mulher corredora

Corridas de Rua · 05 out, 2007

Muitos homens podem não admitir, mas dói, e como dói ser ultrapassado por uma mulher, machismo a parte, auto-estima em baixa, são vários os motivos.

Um caso que ficou notório e no final das contas se traduziu em uma grande lição de vida é o relato feito pelo jornalista Marcos Caetano onde ele conta sua luta para tentar ultrapassar a já então septuagenária Dona Mítico.

Esses dias estava olhando umas das milhares das fotos que eu já fiz ao longo desses anos nas provas brasileiras e me deparei com a foto ao lado. Ela foi feita na Maratona de Revezamento Ayrton Senna e mostra que a bela morena não está para brincadeira no mais seletivo percurso paulistano: o Autódromo de Interlagos.

O flagrante mostra o olhar incrédulo do corredor de camiseta laranja que parece não acreditar que está sendo ultrapassado a todo vapor pela garota. Já o atleta de boné, que está logo atrás, parece já ter se conformado em perder a posição. Sua expressão, no entanto, demonstra que vai ser difícil acompanhá-la, muito menos dar-lhe o troco.

Mas uma das maiores lições que a corrida nos dá é ser humilde. Ultrapassará e será ultrapassado, pois, nem só de glórias vive um corredor.

Kihachiro Onitsuka: um visionário de seu tempo

Corridas de Rua · 03 out, 2007

Embora neste espaço tratemos basicamente de saúde e bem estar, o assunto também pode enveredar para fatos adversos. Uma das minhas metas, dentro do possível, é dar espaço para pessoas que trabalharam de alguma forma para o bem do nosso esporte.

A nota triste é que um destes abnegados veio a falecer no último sábado, em Kobe, no Japão. Seu nome era Kihachiro Onitsuka, tinha 89 anos, e foi um visionário de seu tempo, já que em 1949 fundou a Onitsuka Tiger que seria a primeira marca de calçados para esportes do Japão.

Após algumas fusões, a empresa passou a se chamar Asics Corporation, que atualmente é a quinta maior fabricante de equipamentos esportivos do mundo e com ampla presença no segmento running.

Brasília recebe lobby saudável para melhoria nos esportes

Quanto mais o esporte se afasta da política melhor fica. Porém, há momentos em que a classe esportiva tem que correr atrás e lutar para a melhora estrutural do esporte no país. É isso que alguns atletas e ex-atletas como Nelson Prudêncio, Hugo Hoyama, Acelino “Popó” Freitas, Flávio Canto farão hoje no chamado Dia Nacional de Mobilização pelo Esporte.

Na verdade esses campeões de suas respectivas modalidades farão “lobby” no Congresso Nacional junto aos parlamentares para aumentar o orçamento da pasta do Esporte. No país que se ufana de minguados feitos esportivos, onde atletas só são recebidos pelo poder público quando conquistam um feito extraordinário a custa de muito esforço e investimento pessoal, o movimento vai lutar para que a pasta alcance a marca de 1% do orçamento da União. Isso faria com que a atual verba do Ministério prevista para 2008, de R$273,5 milhões, aumentasse em quase cinco vezes totalizando cerca de R$1,2 bilhão.

No ano passado houve saia-justa entre esportistas e artistas. Esse último grupo fez um “lobby” contra a Lei de Incentivo ao Esporte, que concedia ao setor a mesma fatia (4%) de renúncia fiscal permitida pela Lei Rouanet. O argumento dos artistas era que eles não conseguiriam disputar com o esporte as verbas do empresariado para seus projetos “culturais”.

Através de um ruidoso “lobby” a classe cultural conseguiu que o Presidente Lula vetasse algumas conquistas. Em suma, a pendenga foi resolvida através de uma medida provisória que fixou o teto do esporte a 1% do imposto devido, o que totalizaria um potencial de arrecadação de R$300 milhões por ano.

Assim, podemos dizer que o “lobby” que acontecerá hoje é saudável, na medida que pode haver maior investimento do poder público em esportes de base e alto rendimento. E isso não vai depender tanto de empresas que não são comprometidas com o esporte fora de épocas e de grande exposição de mídia.

E por falar em empresas privadas, que fomentam o esporte, eu sempre me pergunto: se não existissem empresas idôneas, como o Pão de Açúcar que a mais de 15 anos patrocina continuamente provas ou circuitos, como também muitos atletas, as corridas de rua estariam vivendo hoje esse “boom” magnífico que vemos no Brasil? Acho que a resposta é com certeza não!


Brasília recebe lobby saudável para melhoria nos esportes

Corridas de Rua · 03 out, 2007

Quanto mais o esporte se afasta da política melhor fica. Porém, há momentos em que a classe esportiva tem que correr atrás e lutar para a melhora estrutural do esporte no país. É isso que alguns atletas e ex-atletas como Nelson Prudêncio, Hugo Hoyama, Acelino “Popó” Freitas, Flávio Canto farão hoje no chamado Dia Nacional de Mobilização pelo Esporte.

Na verdade esses campeões de suas respectivas modalidades farão “lobby” no Congresso Nacional junto aos parlamentares para aumentar o orçamento da pasta do Esporte. No país que se ufana de minguados feitos esportivos, onde atletas só são recebidos pelo poder público quando conquistam um feito extraordinário a custa de muito esforço e investimento pessoal, o movimento vai lutar para que a pasta alcance a marca de 1% do orçamento da União. Isso faria com que a atual verba do Ministério prevista para 2008, de R$273,5 milhões, aumentasse em quase cinco vezes totalizando cerca de R$1,2 bilhão.

No ano passado houve saia-justa entre esportistas e artistas. Esse último grupo fez um “lobby” contra a Lei de Incentivo ao Esporte, que concedia ao setor a mesma fatia (4%) de renúncia fiscal permitida pela Lei Rouanet. O argumento dos artistas era que eles não conseguiriam disputar com o esporte as verbas do empresariado para seus projetos “culturais”.

Através de um ruidoso “lobby” a classe cultural conseguiu que o Presidente Lula vetasse algumas conquistas. Em suma, a pendenga foi resolvida através de uma medida provisória que fixou o teto do esporte a 1% do imposto devido, o que totalizaria um potencial de arrecadação de R$300 milhões por ano.

Assim, podemos dizer que o “lobby” que acontecerá hoje é saudável, na medida que pode haver maior investimento do poder público em esportes de base e alto rendimento. E isso não vai depender tanto de empresas que não são comprometidas com o esporte fora de épocas e de grande exposição de mídia.

E por falar em empresas privadas, que fomentam o esporte, eu sempre me pergunto: se não existissem empresas idôneas, como o Pão de Açúcar que a mais de 15 anos patrocina continuamente provas ou circuitos, como também muitos atletas, as corridas de rua estariam vivendo hoje esse “boom” magnífico que vemos no Brasil? Acho que a resposta é com certeza não!

Novidade: corredor estréia blog no Webrun

Ao completar uma maratona de vida, ou melhor, 42 anos, vou compartilhar com vocês através do Blog do Harry experiências, muitas alegrias, poucas tristezas que me aconteceram nestes 12 anos que estou vivendo e respirando corrida.

Quando me perguntam quando eu comecei a correr, a resposta é rápida: 1995. Na verdade em janeiro daquele ano participei da minha primeira corrida, então costumo brincar que “virei corredor” quando competi pela primeira vez, e não quando comecei a dar meus primeiros trotes.

Mas minha história com o nobre esporte vem de bem mais longe. Na realidade o primeiro contato com a corrida, ou “Cooper”, como se falava na época, aconteceu quando eu passei para quinta série do ginásio (ensino fundamental), isto com 11 anos nas aulas de educação física. Passados mais de 30 anos o nome do nosso professor de educação física não foi esquecido, o professor Danilo. Na época ele era um “algoz”, isto porque sua fama de não dar moleza era conhecida por todos.

Lembro da primeira aula quando ele colocou nossa classe para correr cerca de cinco minutos. O que se via depois eram alunos mancando e cheios de dores, pois era a primeira vez que corríamos continuamente. Mas isso foi no começo, já que passados alguns meses estávamos correndo meia hora no mínimo e chegando a picos de até uma hora de corrida contínua, e o melhor, sem mancar ou apresentar dores. Ele fez que meninos sedentários se transformassem em meninos em forma, fossem eles gordos ou magros.

Peguei gosto pela corrida e durante os anos 80 sempre ia com meus amigos correr na pista de cooper do Ibirapuera. Eu sempre dava uma volta em cima deles e de tanto meu amigo Mauro falar para eu participar de corridas resolvi me inscrever em janeiro de 1995 da prova de abertura da Corpore. A estréia se deu sub 24min30 para seis quilômetros. Foi ali que definitivamente o bichinho da corrida me picou e de lá para cá não parei mais.

Hoje a corrida faz parte de minha vida em sua totalidade. É com corrida que eu trabalho, é com corrida que eu me divirto e é com corrida que eu gosto de viver. E aqui nesse blog vou compartilhar diariamente com vocês tudo que nós corredores sentimos na pele. Boa leitura!


Novidade: corredor estréia blog no Webrun

Caminhada · 01 out, 2007

Ao completar uma maratona de vida, ou melhor, 42 anos, vou compartilhar com vocês através do Blog do Harry experiências, muitas alegrias, poucas tristezas que me aconteceram nestes 12 anos que estou vivendo e respirando corrida.

Quando me perguntam quando eu comecei a correr, a resposta é rápida: 1995. Na verdade em janeiro daquele ano participei da minha primeira corrida, então costumo brincar que “virei corredor” quando competi pela primeira vez, e não quando comecei a dar meus primeiros trotes.

Mas minha história com o nobre esporte vem de bem mais longe. Na realidade o primeiro contato com a corrida, ou “Cooper”, como se falava na época, aconteceu quando eu passei para quinta série do ginásio (ensino fundamental), isto com 11 anos nas aulas de educação física. Passados mais de 30 anos o nome do nosso professor de educação física não foi esquecido, o professor Danilo. Na época ele era um “algoz”, isto porque sua fama de não dar moleza era conhecida por todos.

Lembro da primeira aula quando ele colocou nossa classe para correr cerca de cinco minutos. O que se via depois eram alunos mancando e cheios de dores, pois era a primeira vez que corríamos continuamente. Mas isso foi no começo, já que passados alguns meses estávamos correndo meia hora no mínimo e chegando a picos de até uma hora de corrida contínua, e o melhor, sem mancar ou apresentar dores. Ele fez que meninos sedentários se transformassem em meninos em forma, fossem eles gordos ou magros.

Peguei gosto pela corrida e durante os anos 80 sempre ia com meus amigos correr na pista de cooper do Ibirapuera. Eu sempre dava uma volta em cima deles e de tanto meu amigo Mauro falar para eu participar de corridas resolvi me inscrever em janeiro de 1995 da prova de abertura da Corpore. A estréia se deu sub 24min30 para seis quilômetros. Foi ali que definitivamente o bichinho da corrida me picou e de lá para cá não parei mais.

Hoje a corrida faz parte de minha vida em sua totalidade. É com corrida que eu trabalho, é com corrida que eu me divirto e é com corrida que eu gosto de viver. E aqui nesse blog vou compartilhar diariamente com vocês tudo que nós corredores sentimos na pele. Boa leitura!