
Maurine venceu sua primeira São Silvestre (foto: Sérgio Shibuya/ MBraga Comunicação)
Luiz Antônio dos Santos parecia prever o que aconteceria na manhã desta segunda-feira, 31/12. A Maurine vem muito focada para essa São Silvestre. Ela chegou bem aqui no Brasil e está treinando faz três meses para a corrida. Ela chega forte e vai para o primeiro lugar, disse o técnico da atleta na véspera da corrida. E foi isso que aconteceu. Maurine Kipchumba, vencedora da volta da Pampulha, foi melhor que as demais atletas e cruzou a linha de chegada em 51min42, vencendo sua primeira São Silvestre.
Além dela, outras quatro africanas fecharam o pódio da 88ª edição da prova de rua mais tradicional do país. A melhor brasileira foi Tatiele de Carvalho. A mineira conquistou o sexto tempo nessa segunda-feira, e considerou o resultado muito satisfatório. De décima oitava na minha última São Silvestre para sexta foi um salto muito grande. Hoje é só vitória e alegria, comemora a jovem de 23 anos.
A prova– A largada da elite feminina aconteceu 20 minutos antes dos homens iniciarem a corrida. Às 8h40 as mulheres mais rápidas da prova já tinham cruzado os primeiros metros da Avenida Paulista. A cruzeirense Roselaine de Sousa foi a fundista que puxou o ritmo nos primeiros dois quilômetros de prova, até o início da descida da Rua Major Natanael.
Nessa primeira parte do percurso as africanas e as brasileiras mantiveram pace muito parecido, alternando a liderança constantemente. Porém, durante a íngreme descida em direção ao Estádio do Pacaembu, Marily dos Santos se desgarrou, e segurando o peso do corpo com esforço visível, pôs-se a descer mais forte a rua.
Apesar de ter falado no dia anterior que descidas são seus pontos fortes, Marily ficou para trás quando as demais fundistas iniciaram o quarto quilômetro de prova. Foi nesse trecho da corrida em que as africanas aumentaram o ritmo, deixando não só a atual líder do ranking Caixa/ CBAt, mas também todas as outras brasileiras em segundo plano.
A partir de então a briga ficou entre as africanas Maurine Kipchumba, Jackline Sakilu e Rumukol Chepkanan. Assim como Joseph Aperumoi, a queniana vestia as cores do Cruzeiro somente para a disputa da São Silvestre.
Na altura do quilômetro dez a prova começou a ser definida. Kipchumba, que fora seguida de perto até então pela tanzaniana Sakilu, abriu distância e com pace acelerado não deixou a concorrente esboçar qualquer tipo de reação.
A queniana subiu a Avenida Brigadeiro Luis Antônio sem se preocupar em perder a liderança e cruzou a linha de chegada com quase 30 segundos de vantagem para a segunda colocada. Estou muito feliz. É a minha terceira corrida e a primeira vez que ganho. Eu achei que não estivesse preparada para ganhar a prova, mas senti meu corpo bem e fiz uma boa corrida, afirma.
Tatiele, a melhor brasileira, curzou a linha de chegada com 54min10 e acabou assustando o público. Acusando cansaço, a fundista precisou de breve atenção médica para voltar a se sentir bem. Na verdade eu sentei pela emoção de ter sido a sexta colocada. Não fiquei desidratada nem nada, foi só emoção, explica.
Após a São Silvestre o objetivo de Tatiele é descansar e pensar em 2013 só após o dia cinco de janeiro. Não vou correr a Corrida dos Reis, porque ela é um dia depois do meu casamento, mas eu gostaria muito de estar lá. Ano que vem eu quero alcançar o índice para o Mundial de Moscou, nos 5.000 e 10.000, além do índice para o Mundial de Cross na Polônia, finaliza.
Confira o resultado final da 88ª São Silvestre:
Este texto foi escrito por: Renato Aranda