A prática da corrida, conhecida por seus diversos benefícios à saúde do seu coração, pode levantar dúvidas entre pessoas que convivem com arritmias cardíacas. Afinal, quem tem arritmia pode correr? A resposta é sim mas com ressalvas.
De acordo o Dr. Eugênio Moraes, cardiologista e doutor pelo Instituto do Coração (InCor) da USP, a liberação para correr depende, principalmente, da existência ou não de cardiopatia estrutural. “Se a pessoa tiver cardiopatia estrutural, qualquer tipo, ela não pode fazer corrida de longa nem de curta distância. Ela tem que ser muito bem avaliada antes de ser liberada”, afirma.

Já nos casos em que não há cardiopatia estrutural associada, a avaliação se concentra no tipo e gravidade da arritmia. “Se o paciente tem uma arritmia, mas não tem cardiopatia estrutural, essa arritmia tem que ser leve. Por exemplo, extrassístoles supraventriculares leves. E o paciente não pode ter sintomas associados, como palpitações, tontura ou desmaio. Se tiver, ele não pode fazer a corrida”, alerta o médico.
Limites variam conforme o tipo de arritmia
Para quem convive com arritmias, os limites de esforço físico não são universais. “Vai depender muito do tipo da arritmia. Se for uma arritmia mais leve, ele pode fazer um esforço maior; se for uma arritmia mais intensa, não vai poder fazer muito esforço; se for uma arritmia moderada, vai poder fazer um esforço moderado”, explica.
Eugênio chama atenção especial para as arritmias ventriculares, consideradas as mais perigosas. “Essas têm que passar por uma avaliação mais minuciosa, porque podem oferecer risco de vida, especialmente risco de morte. Os portadores de arritmias ventriculares não podem fazer esforço sem um acompanhamento muito direcionado”, enfatiza.
Corrida pode agravar condições cardíacas?
Sim. Embora o exercício físico leve a moderado possa ter efeitos benéficos como a redução da recorrência de fibrilação atrial e melhoria na qualidade de vida há riscos que não podem ser ignorados.
“As corridas podem, sim, agravar condições cardíacas, especialmente nos portadores de alguma cardiopatia estrutural”, afirma. E vai além: “Existem doenças que são genéticas, dos canais iônicos das células cardíacas, que promovem arritmias e muitas vezes não dão sintoma algum. Quando o sintoma aparece, pode ser logo a morte súbita. Isso não é o mais comum, mas pode acontecer”.
Por isso, o médico reforça que a avaliação cardiológica minuciosa é mandatória, especialmente para quem pretende praticar corridas de longa distância ou competir. “A gente recomenda para todo mundo acima dos 40 anos, mas para quem quer correr, especialmente competir, isso deve ser feito obrigatoriamente”.
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Avaliação médica é importante
De acordo com as diretrizes europeias (ESC), recomendadas em conjunto por especialistas como o Dr. Eugênio, são indicados exames como:
ECG de esforço (teste ergométrico)
Holter 24 horas
Avaliação da resposta cardíaca ao exercício
Esses testes ajudam a determinar os limites seguros de intensidade e duração do exercício para cada pessoa com arritmia.
“A pessoa tem que saber se tem alguma cardiopatia estrutural e também se tem alguma outra doença cardíaca que possa ser agravada com a corrida”, finaliza o Dr. Eugênio.
Antes de amarrar os tênis e sair para correr, o mais importante é escutar o coração e o seu cardiologista.