
Minardi (esquerda) e um dos treinadores de africanos Coquinho: mudança (foto: Paulo Gomes#8260; webrun.com.br)
O treinador Alexandre Minardi é há décadas o responsável pelo atletismo do Cruzeiro Esporte Clube, o principal clube brasileiro de futebol a investir em corredores de longa distância (o outro é o Palmeiras). Figura folclórica, sempre se posicionou contra a crescente participação de africanos nas provas brasileiras.
De todos os treinadores, fui o primeiro a ser contra, orgulhou-se, no início de 2012. Agora, Minardi volta atrás e anuncia dois quenianos para tentar trazer o inédito título da São Silvestre ao seu clube.
Joseph Aperumoi e Maurine Kipchumba, que competem no Brasil pela Luasa, devem correr com o uniforme azul do clube mineiro por um contrato válido apenas para a corrida do dia 31. Joseph teve um ano irretocável em solo brasileiro: venceu a Meia de São Paulo (batendo Marílson), a Dez Milhas Garoto e a Maratona Pró Rio Adidas. Maurine, por sua vez, foi a vencedora da renomada Volta Internacional da Pampulha.
Justificativa– Minardi dá dois motivos para explicar a radical mudança de postura. Fui contra (os africanos) sim, mas acontece que depois da palhaçada que os gêmeos fizeram eu fiquei revoltado demais. E a verdade é que hoje o Cruzeiro não tem condições de ganhar (a São Silvestre), admite.
Os gêmeos em questão são Paulo Roberto e Luís Fernando de Almeida Paula o primeiro conquistou o oitavo lugar na Maratona dos Jogos Olímpicos de Londres. O treinador explica a palhaçada: na Pampulha, os irmãos teriam zombado ao final da prova.
Depois das Olimpíadas, eles me prometeram que iam ganhar a Pampulha e a São Silvestre. Nos quilômetros finais da Pampulha, o Bruno de Uberlândia (que mantém blog sobre o atletismo cruzeirense), estava incentivando os gêmeos, que fizeram pouco caso: meu negócio é dólar. Um absurdo! Se nem subiram no pódio da Pampulha, na São Silvestre é que o bicho vai pegar.
Irritado, Minardi decidiu rever seus conceitos e foi atrás de Luiz Antônio dos Santos, da Luasa equipe de Taubaté (SP) notória por trazer africanos para competir no Brasil. Luiz Antônio admitiu existir uma conversa com o treinador cruzeirense, mas reitera que até o momento não há nada fechado para ceder Joseph e Maurine.
Atlético Mineiro– A rivalidade futebolística em Belo Horizonte é outro fator que influenciou na decisão do treinador, apaixonado pelo clube onde trabalha. Em 2007, Franck Caldeira, então atleta do Cruzeiro, abandonou a São Silvestre, vencida pelo queniano Robert Cheruiyot, que ergueu uma bandeira do Atlético Mineiro no pódio assim como a ganhadora da prova feminina, Alice Timbilili.
Não vai ter essa palhaçada do Atlético dando bandeira. O Cruzeiro fez um contrato, estará tudo regularizado, afirma. Minardi inclusive manifesta interesse em estender a parceria com os quenianos. Esqueci essa rivalidade Brasil – África e estou disposto a trabalhar com africanos no ano que vem.
Última participação dos gêmeos– A São Silvestre marca também a última corrida dos gêmeos Paulo Roberto e Luís Fernando pelo clube celeste. Só não mandei os gêmeos embora ainda por causa da rescisão contratual. Eles vão correr no último dia de contrato e espero que saiam com dignidade. Não sei para onde vão e nem me interessa, encerra.
Este texto foi escrito por: Paulo Gomes