
Galindez durante a disputa do ciclismo no Ironman Brasil Telecom 2004 (foto: Fernanda Paradizo)
Após o 2° lugar no Ironman Brasil Telecom, em Florianópolis, no final de maio, o argentino radicado em Santos Oscar Galindez (Memorial/ Reebok/ Profile Design/ Oakley), parte para um novo um desafio. Na segunda-feira (dia 28), ele embarca para a Alemanha, onde participará do Quelle Challenge Roth. A prova, marcada para 4 de julho, está completando 20 edições e é a mais tradicional da Europa na distância.
Galindez, que não costuma falar em resultados antes de competir, fará um Ironman no continente europeu pela primeira vez. É uma prova clássica, que conta com triatletas do mundo todo, afirma o competidor, que está com 33 anos e mora em Santos há oito. A quantidade de participantes e espectadores constata isso. São 3.500 competidores inscritos na disputa, que costuma ser acompanhada por um público de cerca de 300 mil pessoas. E, embora esteja fora do calendário oficial do Ironman, o Quelle Challenge Roth atrai os melhores atletas do mundo na distância, como o alemão Lothar Leder e o australiano Chris McCormack.
Para a prova alemã, o triatleta argentino radicado em Santos não forçou nos treinamentos. Intensifiquei um pouco apenas a natação. O Ironman de Florianópolis foi desgastante e o período de recuperação não pode ser curto, explica o competidor, que apesar de nunca ter competido em Roth, viaja com as melhores referências possíveis a respeito da prova. Ela é disputada sob um clima agradável, de início de verão na Europa. É muito rápida e bem organizada, afirma.
O ritmo forte do Quelle Challenge Roth é comprovado com o seguinte dado: é o único do mundo no qual triatletas conseguiram completar os 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida em menos de oito horas – fato que já ocorreu quatro vezes. No ano passado o vencedor fez 8 horas e 11 minutos. Não sei se houve alguma mudança no percurso, ressalta Galindez.
A parte de natação é disputada em água parada, e não em mar aberto como o argentino está acostumado. Portanto, não existe a dificuldade normalmente imposta pelas correntezas. Já o ciclismo, ponto forte de Galindez (é considerado o melhor pedal do mundo no triathlon), tem características peculiares. Dizem que nas subidas, que não são muito íngremes, os atletas se afunilam. Fica parecendo a Volta da França, comenta, referindo-se à principal competição de ciclismo do planeta.
Quanto ao item organização, ele cita um exemplo que ilustra bem em que patamar se encontra o Challenge Roth. O chip que o atleta carrega emite um sinal se ele parar durante a prova. Prontamente enviam uma equipe ao local para prestar algum auxílio se o atleta necessitar, revela o triatleta.
Havaí – Depois de competir em Roth, Galindez descansará até o início de agosto, quando vai iniciar os treinamentos visando a sua 3ª participação no Ironman do Havaí – seu maior objetivo no 2º semestre. A vaga para competição do dia 16 de outubro foi conquistada com a 2ª posição em Floripa. No Havaí, ele espera melhorar seu desempenho em relação a 2003. Na ocasião, foi o 23° colocado (melhor latino-americano na classificação geral).
Cartel – Além do vice no Ironman Brasil (vencido por ele em 2003), Galindez garantiu outras conquistas importantes nessa temporada. Foi bicampeão do Meio Ironman de Pucón, no Chile, a mais importante da distância no continente, e da etapa de Ubatuba do PowerBar/Reebok Triathlon Long Distance e venceu o Meio Ironman de Mar Del Plata, na Argentina. No Ironman Brasil, ele passou mal no km 15 dos 42 de corrida. Fiz um esforço muito grande e cheguei a pensar em parar, lembrou o triatleta, que mesmo tendo passado mal, chegou a apenas 11 minutos do vencedor, o alemão Olaf Sabastchus.
Outros resultados importantes na sua carreira premiada são as medalhas de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, em 2003, e Mar de Plata, em 95; o título mundial de duathlon, em Cancun, também em 95, além do pentacampeonato pan-americano, o hexa sul-americano, o hepta do Troféu Brasil e os 10 títulos argentinos. Em 2000 participou da estréia do triathlon como modalidade olímpica, em Sydney. Chegou a estar entre os cinco melhores, mas um pneu rasgado o tirou da disputa pela medalha.
Este texto foi escrito por: Fabio Maradei