O vodu de Lance Armstrong

Redação Webrun | Triathlon · 06 jul, 2005

David Zabrieskie cai nos últimos quilômetros da quarta etapa (foto: Divulgação Le Tour)
David Zabrieskie cai nos últimos quilômetros da quarta etapa (foto: Divulgação Le Tour)

Como já virou um hábito nas últimas três edições da Volta da França, novamente a prova contra o relógio deixou o hexacampeão norte-americano Lance Armstrong na ponta da classificação geral da prova. Outro hábito nas edições da Volta da França é acompanhar a incrível sorte de Lance diante do azar de seus adversários.

É claro que foi impressionante acompanhar o desempenho da equipe de Lance, a Discovery Channel, que determinou o destino da prova nesta terça. Mas Armstrong mostrou que além de bom nas pistas, tem a seu lado outra pitada forte de sorte, ou coisa parecida.

O líder da competição até então, o norte-americano David Zabriskie se esborrachou no solo a menos de dois quilômetros da chegada, quando sua equipe CSC tinha nas mãos a chance de ultrapassar a marca da Discovery e manter em Zabriskie a camiseta amarela de líder. A queda do líder surpreendeu e desestabilizou a CSC que ficou a um inimaginável 0:02 segundos da Discovery.

Faz pensar, será Lance tem no seu quarto um bonequinho de vodu escondido? A cena do dia será marcada por David Zabriskie com sua camiseta amarela em pedaços, o sangue escorrendo por sua coxa, pedalando devagar e chorando para até a linha de chegada. Acabou ali seu rápido momento de glória na prova. Começou ali mais um Tour de Lance.

Dizer que Lance tem alguma magia negra, macumba baiana, ou coisa que o seja acompanhando na prova não é exagero. Vamos lembrar de 2003, ano do centenário da Volta da França. Na escalada dos Alpes de Huez Lance era perseguido implacavelmente pelo espanhol Joseba Beloki, um de seus principais rivais na época. Quando chegaram ao topo da subida, e tudo indicava que Beloki ia engolir o norte-americano, ele sofre uma queda inesperada. Mais do que perder a chance de assumir a camiseta amarela, Beloki ficou fora da prova deixando o caminho mais aberto do que nunca para Lance conquistar seu pentacampeonato.

Não parou por aí. Dias depois, na terceira semana, na prova contra o relógio de equipe em Nantes, estava em jogo o título de melhor equipe da Volta da França 2003. Maior inimigo de Lance nas pistas até hoje, o alemão Jan Ullrich tinha nas mãos uma chance pequena de fazer sua equipe igualar o tempo da equipe US Postal, de Lance. O alemão pedalou forte no dia frio e chuvoso, arriscou muito e acabou caindo feio. Dias antes o mesmo Ullrich, como um verdadeiro cavalheiro, havia esperado Lance após uma queda que o norte-americano sofreu junto com o espanhol Iban Mayo.

Nesta terça o clima da cena decisiva envolvendo Zabriskie lembrou muito a sorte que normalmente acompanha o hexacampeão em terras francesas. A CSC mantinha a frente até pouco menos de dois quilômetros da chegada. Não era nem uma curva, não era nada além de uma reta simples e Zabriskie esbarrou de leve sua roda contra a de um companheiro e foi ao chão para susto de um guardinha francês que apenas controlava os populares por ali.

Seus companheiros de CSC não podiam parar. Pelas regras da prova contra o relógio a equipe precisa chegar com seis ciclistas juntos para validar o tempo. O veterano italiano Ivan Basso (da CSC) comandou o time assustado com a queda do líder em uma arrancada impressionante. Naquela reta final, acelerando tudo é possível que Basso estivesse pensando que Lance guarda na sua mala um bonequinho. Dizem que ele espeta alfinetes e que gosta de atirar o pobrezinho contra o chão. Lendas da Volta da França.

Este texto foi escrito por: Gustavo Mansur especial para o WebRun

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