O teste ergoespirométrico e os meus novos horizontes

1kdecada | Corrida · 22 fev, 2024

Sempre fui uma corredora for fun, já corri mais rápido e também bem devagar, mas nunca fui extrema em nenhum dos dois pontos. Vamos dizer que correr a 5 minutos e 15 segundos por quilômetro foi o meu auge em um tempo tão tão distante. Falo dessa forma, mas realmente nunca foi algo que me brilhou os olhos.

Por trabalhar com corrida desde os 18 anos (acabei de fazer 30. Ufa!), participei de praticamente todas as provas que um dia sonhei, ou trabalhando ou correndo y trabalhando. Tive meu período de buscar recordes em cada um desses desafios, mas isso também passou.

No meio da pandemia comecei o triathlon, uma modalidade que me encanta muito, só que mais por sua rotina de treinos das modalidades do que as competições em si. Como tenho muita energia pra gastar, adoro ter uma planilha de exercícios com no mínimo duas atividades por dia. Isso me deixa mais calma (e também mais relaxada). Depois disso resolvi que era a hora de correr uma maratona, afinal todo corredor que preze, ao meu ver, precisa desbravar os 42km pelo menos uma vez na vida. E assim o fiz.

A questão é que ao voltar da intensa rotina de um ciclo de maratona, o meu pace subiu muito. Me acostumei com a frequência baixa e os treinos no conforto de uma velocidade bem lenta. Por bastante tempo acreditei que era isso… Sou lenta. Corro devagar. Sou feliz.

Até a hora do teste ergoespirométrico…

Conheci a Dra. Ana Sierra em um dos eventos deste Brasil que trabalhei. Além de ser médica do esporte, ela também é educadora física, diretora médica de diversos eventos esportivos, especialista em treinamento desportivo e autora de diversos artigos científicos sobre esporte em revistas nacionais e internacionais. Além de claro, mãe, mulher e uma potência de força e competência admirável.

Começamos a trabalhar juntas em alguns segmentos de comunicação e Ana, por saber da minha vida maluca de esportes, insistiu para que fizesser o teste ergoespirométrico no Núcleo de Integralização Humana (Nihumana), onde atende em Moema, na capital Paulista.


Busquei um dia na agenda e fui viver essa experiência que abriu um boom na minha mente. Além do teste, fiz também a calorimetria e o exame de sopro, espirometria ou prova de função pulmonar, mas neste post vou falar apenas sobre o ergoespirométrico. Nos próximo desbravo os outros exames que são tão interessantes quanto.

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No ergoespirométrico você basicamente corre em uma esteira, toda puglada com diversos eletrodos e cabos do eletrocardiograma e uma máscara que consegue medir a sua função e capacidade respiratória em diversos níveis de velocidade, até atingir a sua capacidade máxima. Já adianto que é zero fácil, até porque é preciso atingir a exaustão para o teste mostrar todas as métricas. Neste exame conseguimos avaliar o coração e o pulmão desde o repouso, passando por todas as intensidades de esforço, até o máximo. Tanto do ponto de vista de diagnóstico para descartar doenças como também da capacidade de exercício e funcionamento do metabolismo e forma de produção de energia a cada intensidade.

Além de descobrir as minhas zonas de treinamento, a Dra. Ana me pegou, literalmente, pela mão, e explicou o que cada um daqueles resultados mostrava no momento exato após o exame e com a memória fresca de tudo que havia sentido.

Resumindo: descobri que posso muito mais e que não deve me preocupar tanto com a frequência cardíaca, já que a minha tende a subir mais rápido. Devo focar na percepção de esforço, mas também lembrar que os paces que ela me passou são possíveis, então não preciso me preservar tanto como achava, mas sim arriscar mais porque meu corpo mostrou que aguenta (e muito!). As zonas e intensidades do treinamento que são definidas através deste teste transformaram minha forma de encarar o exercício, já que essa era uma das minhas maiores dificuldades nos momentos de treino. Aquela pergunta frequente aparecia: aguento forçar desta forma mesmo?


E a resposta é: sim. Vambora!

Descobri também uma rinite (pasmem), agora estou tratando com alguns remédios para melhorar essa coriza que me acompanha durante a prática de exercícios físicos, principalmente na corrida e ciclismo. Já senti uma incrível melhora nos últimos treinos com menos de uma semana de tratamento.

Vou contar um pouco mais das descobertas dos outros exames, mas afirmo com veracidade que esse teste foi um verdadeiro divisor de águas pra mim, já que passei a entender melhor como meu corpo funciona e ver que estou ainda mais preparada do que imagino.

Escrevo esse texto no dia 14 de fevereiro. Uma quarta-feira de cinzas sem arrependimentos por ter vivido um carnaval calmo, mas com poucos treinos e alguns abusos, só que hoje com a certeza de que daqui há 3 meses, tendo todo esse novo conhecimento sobre mim mesma, consigo repensar sobre o prazer do desconforto de correr rápido.

Aguardem os próximos capítulos.

Chris Volpe é santista, triatleta, corredora e faladeira - não necessariamente nessa ordem: "Se pudesse faria todos os esportes ao mesmo tempo, enquanto isso não é possível vou fazendo um de cada vez". Passou por veículos como Webrun, Sua Corrida e WRun, além de participar e cobrir de diversos eventos do mundo running. No Instagram: @volpechriss