Veja o Triathlon Internacional de Santos

O 13º Triathlon Internacional de Santos aconteceu ontem, 08 de fevereiro, na praia do Boqueirão, litoral paulista. A prova brasileira é a única da série Triatlhon Pro Tour (TPT) a acontecer fora dos Estados Unidos. Ao todo os atletas de diversos países enfrentaram um percurso com 1,5km de natação, 40km de bike e mais 10km de corrida.

No pódio feminino o primeiro lugar ficou com a brasileira Gisele Bertucci. A triatleta não esperava vencer a prova, mas terminou o percurso com o tempo de 2h09min15 garantindo a primeira posição.

Já no masculino a vitória foi do americano Victor Plata que conseguiu superar o hexacampeão da prova Oscar Galindez. O argentino terminou em segundo lugar com a marca de 1h53min45, vinte segundos a mais do primeiro colocado.

“Essa prova não fazia parte do meu calendário, mas como moro aqui, tenho patrocinador da Cidade, a Memorial, e essa receptividade da torcida, não tinha como não participar. Mas ainda estou recuperando de Pucon. O cansaço pesou um pouco. Não senti cansaço cardiovascular, só que não tinha pique, aceleração. Não consegui andar mais rápido”, comentou Galindez. “É difícil ganhar sempre. Venho de um meio Ironman, uma prova antagônica a esta pelas distâncias, e sem treino algum para cá”, acrescentou.

Se por um lado, ele lamentou não ter conseguido mais velocidade, sobretudo no pedal, seu grande diferencial nas provas (onde chega a abrir grandes vantagens), por outro, destacou o show para o público. “Foi muito bom para quem estava assistindo. Todo mundo entregou a bike junto. Foi legal pela disputa. A torcida não assistiu um monólogo, como geralmente acontece aqui”, ressaltou.

O triatleta Fábio Carvalho foi o melhor brasileiro da prova. Ele terminou o percurso em quarto lugar, seguido de outro brasileiro, Marcus Ornellas.

Fotos - Confira a galeria de imagens do Troféu Internacional de Santos TPT.

Triathlon · 09 fev, 2004


Equipe paulista conquista o bi do Super 40km de Revezamento

Ontem cerca de quatro mil atletas participaram do Super 40km de Revezamento, que aconteceu na cidade do Rio de Janeiro. A prova foi realizada no aterro do Flamengo e a equipe campeã, Find Yourself/Segasp, garantiu o bicampeonato da competição.

A equipe campeã participou da corrida com seis atletas que se revezaram nos 40km da prova. Eles fecharam o percurso com 2h06min28. Já a equipe feminina vencedora foi a Unisuam I, do Rio de Janeiro, que chegou com 2h40min03.

Formada por seis corredores ( Leandro Prates, José Fonseca, Wilton de Sá, Orlando Dias e Sérgio Pinheiro ), a equipe da Find Yourself/Segasp,conseguiu dominar a prova de ponta a ponta, impondo um ritmo forte desde o início da prova quando seu atleta Leandro Prates Oliveira ( que correu o 1º e 9º trechos ), estabeleceu logo em sua primeira volta a melhor marca da prova com o tempo de 11 min e 33 seg ( média de 2min e 53 seg por km ).

"Saímos de São Paulo com o intuito de defender o nosso título, e ficamos felizes por termos conseguido o êxito do bicampeonato", destaca o técnico Luiz Fernando Bernardi, que vem conseguindo com seu grupo destaque nos resultados em provas de Revezamento.

Os vencedores das duas categorias ganharam medalhas, relógios Timex e kits da Rebook.

Masculino
1º- Find Yourself/Segasp (SP), 2h06min28
2º- Unisuam II (RJ), 2h09min28
3º- Bingo Arpoador (RJ), 2h18min14

Feminino
1º- Unisuam I (RJ), 2h40min03
2º- Bingo Arpoador (RJ), 2h48min55
3º- Janete Mayal Performance (RJ)

Maratona · 09 fev, 2004


Hudson de Souza: feliz e insatisfeito

Hudson de Souza curte o bom momento após a conquista histórica no Pan-Americano, mas trabalha muito para brigar por medalhas em Atenas.

As distâncias percorridas por Hudson Santos de Souza, do início da carreira na pista de concreto, em Brasília, até os dias de hoje, foram bem maiores e mais difíceis que enfrentar incansáveis africanos nos 1.500 metros, prova que é sua especialidade. Dono de duas medalhas de ouro nos Jogos Pan-Americanos, em Santo Domingo, na República Dominicana, se tornou o primeiro atleta da história a chegar ao lugar mais alto do pódio nos 1.500 e 5.000 metros na competição continental. Feliz, sim. Satisfeito, não. Força de vontade é o que não falta ao atleta de 26 anos, que espera não só marcar presença, como fazer bonito na próxima Olimpíada, na Grécia em 2004. “Tenho determinação desde pequeno. Quando quero fazer uma coisa, vou até o fim.” E é com esse pensamento que o atleta se prepara para uma verdadeira bateria de treinamentos e viagens na busca da tão sonhada medalha olímpica.

Em novembro, Hudson desembarca em Cochabamba, na Bolívia, para mais de um mês de treinamento na altitude. Em 2004, vai participar do Mundial Indoor, na Europa, em fevereiro, e logo depois segue para uma temporada de treinos nos Estados Unidos. Serão mais de 25 provas antes da Olimpíada. “Meu objetivo maior agora é correr atrás do índice.” Para carimbar o passaporte para Atenas, o brasiliense precisa correr os 1.500m abaixo de 3min35, tempo do índice A da IAAF (Associação das Federações Internacionais de Atletismo). Neste ano, ele vem correndo na faixa de 3min36, fato que não o assusta, uma vez que tem como melhor marca 3min33.

Com os pés no chão, Hudson sabe que não vai ter moleza na temporada 2004. Com o destaque pela dupla conquista na República Dominicana, as cobranças por resultados tendem a aumentar. “O pessoal acha que o Pan-Americano é uma Olimpíada, mas não se lembram que faltam quatro continentes, e são esses que atrapalham. Os atletas da Europa e o África são os que mais dificultam no atletismo”, explica. “Os africanos são um calo no pé de quem faz atletismo”, brinca.
Mas nem sempre a briga de Hudson foi por tempo nos 1.500 metros. Ele começou no salto em altura, quando tinha 14 anos. Mas o grande diferencial na carreira ocorreu pelo incentivo dos pais. Já competindo, sentia na pele as dificuldades da falta de dinheiro para comprar tênis e bancar viagens. Não tinha dinheiro para nada. Pensou em trabalhar, mas os pais impediram, dizendo que deveria continuar no atletismo, pois seria um grande atleta para o Brasil. “Meus pais acreditaram mais em mim do que eu mesmo. Ainda falei que queria trabalhar, e eles disseram: ‘não, não e não. Fique fazendo o esporte que é bem melhor pra você’. Pô, eu até chorei. Chorei pra caramba”, conta, emocionado. Com quase 16 anos, ele iria pegar a vaga de “boy” que era do irmão na Caixa Econômica Federal, empresa que hoje é sua patrocinadora.

Motivado a continuar no atletismo, permaneceu no salto em altura por um ano e meio até passar a treinar com João Sena. Com Sena, mudou de prova. Começou a correr os 800m e 1.500m. “Nessa época, quando o atleta é juvenil, o cara vai mais pela distância, quer correr bem menos”, lembra ele, referindo-se as provas de fundo. Suas primeiras importantes conquistas vieram aos 17 anos, quando o treinador já era outro: Adauto Domingues. Morando em São Paulo, longe da família, Hudson foi incorporando os 1.500 metros e começou a obter as conquistas que hoje o consagram. Logo estabeleceu o recorde juvenil sul-americano para a distância e ficou com o terceiro lugar no Pan-Americano da categoria. Após dois anos treinando com Domingues, foi para as mãos de Luiz Alberto de Oliveira, ex-técnico do campeão olímpico Joaquim Cruz, com quem está até hoje.

A fama nacional após os Jogos Pan-Americanos ainda é novidade na vida do atleta. Tanto, que tenta se acostumar com o assédio, a curiosidades das pessoas e a rotina de autógrafos em qualquer lugar que vá. “Está muito recente, mas é uma coisa muito gostosa. Receber o carinho do público desse jeito é bem legal”, explica.

Família - Muito apegado a família, Hudson lembra do carinho da mãe, que procurava sempre acompanhar os passos do filho. “Minha mãe era minha fã número um. Tinha as gravações, fotos, tudinho”, lembre o atleta, com saudades.
Protetor, recentemente trouxe o irmão mais novo para morar com ele, em Presidente Prudente. “Meu pai e meu outro irmão trabalham e minha irmã fica um bom tempo na escola. Ele ficava sozinho em casa e tinha alguns amigos que não eram ‘boa pinta’. Poderiam acabar influenciando na vida dele”, relata. Diego, hoje com 17 anos, também treina e, segundo o irmão coruja, promete muito. “Ele está treinando 400m com barreiras. Daqui há três anos vai ser um grande atleta. O moleque é mais talento que eu.
Corre bem mais fácil e tem a passada mais larga”, completa.

Influenciado pelos treinos cansativos – são dois perídos por dia, sendo que descança apenas uma vez por mês – Hudson não tem uma vida muito agitada fora das pistas. Ele se define como um cara tranquilo, que gosta muito do aconchego do lar. “Não gosto muito de balada. Curto mais ir ao shopping, sair para jantar, ir ao cinema. Também gosto de ir nos parques”, detalha.

Consciente de que o atletismo não é para sempre, planeja completar os estudos. “Estou querendo cursar Educação Física ano que vem, mas não sei se vai dar. Vou me dedicar mais à Olímpiada e deixar para o outro ano, mas é bem importante terminar os estudos”, completa.

Atletismo · 08 fev, 2004


Valdenor Pereira: regularidade a toda prova

Quando se está na infância, nossa maior preocupação é com as brincadeiras. Nesse momento da vida, o fato de não termos compromissos, de não se preocupar com um futuro eminente, faz com que tudo seja uma forma de diversão. Assim, brincando, nascem as estrelas. Assim, brincando, ‘nasceu’ Valdenor dos Santos Pereira. Natural de São Raimundo Nonato, no Piauí, Valdenor deu seus primeiros piques durante as aulas de educação física, e não parou mais. São 18 anos colecionando conquistas. Mas tanto sucesso e reconhecimento não passavam pela cabeça do atleta. “No início era tudo uma grande brincadeira. O professor sempre acreditava no meu potencial. Eu não acreditava que tinha essa capacidade”.

Valdenor é mais um batalhador do atletismo. De família pobre, lembra das dificuldades que marcaram o começo da carreira, que hoje é uma das mais representativas entre os atletas em atividade. Dificuldades como falta de materiais, de apoio e de oportunidade, felizmente ficaram para trás. “Sou uma pessoa realizada no esporte. O que eu consegui, dá para sobreviver. Entre milhões, sou um privilegiado”, esclarece. Mas não só o dinheiro conquistado ao longo da carreira e a possibilidade de ser um atleta patrocinado – Valdenor é atleta do Cruzeiro – é que alegram o atleta. O fato de ser um ídolo e dar exemplos para outras pessoas deixa Valdenor ‘envaidecido’. “É bom ter esse assédio. Quem não gosta?”, dispara.

Com um ‘jeitão’ caseiro, Valdenor preza muito o lado família, que garante nunca ter abandonado. Fora das ruas e pistas, o atleta se define como uma pessoa simples, humilde, amante de plantas e animais. Valdenor vive em uma chácara, em Brasília, cercado de verde e tranqüilidade. “Não sou só eu não. O Vanderlei (Cordeiro de Lima) também gosta desse estilo de vida”, lembra.

No melhor de sua forma, garante que hoje treina menos e corre mais do que no início da carreira. “Antes eu treinava muito por conta”, explica. Esse treino mais ‘light’ dos tempos atuais inclui dois períodos de corridas, três vezes na semana. Na parte da manhã (6h40) são 15 quilômetros e durante a tarde (15h) mais 10 quilômetros. Distâncias que são alteradas conforme a competição que participa.
Aos 33 anos de idade, engana-se quem pensa que Valdenor está parando. “Vou continuar correndo pelo resto da minha vida. O esporte, para mim, vai ser eterno”, enfatiza.

Eterno mesmo deve ser o fôlego de Valdenor. O atleta tem como ‘foco’, a disputa da maratona na Olimpíada de Atenas em 2004. Para conseguir tal objetivo, aguarda ansiosamente a confirmação de sua inscrição na maratona de Berlim, em setembro, na sua primeira investida para conseguir o índice olímpico.

Se depender da vontade, Valdenor já tem vaga garantida. E vários são os motivos para tanta expectativa por parte do atleta. Uma delas é que Valdenor já esteve muito próximo de disputar uma Olimpíada, a de Atlanta, em 1996, mas houve uma mudança nas regras para definir os representantes brasileiros nos jogos e o corredor, mesmo com o índice, ficou de fora. O outro motivo é a sua volta às maratonas. Em sua última prova, na Grécia, em 1997, sofreu uma grave lesão no músculo adutor da coxa, que o tirou das ruas por quase um ano. “Fiquei seis meses parado. Voltei a correr após um ano. Nesse período, quase parei no esporte”.

Com tudo isso, Valdenor esperar poder completar ainda mais o seu currículo de vitórias. Afinal, vencer uma prova olímpica é o único título que lhe falta na carreira.

Corridas de Rua · 07 fev, 2004