
Para terrenos batidos o ideal é que a calibragem do pneu esteja mais alta (foto: Fabiana Coletta/www.webrun.com.br)
O triatleta Rodrigo Altafini já passou por muitos perrengues em suas disputas cross country. A chuva torrencial, o pneu furado, a bicicleta emprestada, tudo isso serviu como experiência para o profissional, que compete no próximo final de semana a etapa do XTerra Estrada Real, em Tiradentes (MG).
A cidade mineira recebe a disputa de Duathlon (três quilômetros de corrida, 32 de mountain bike e mais nove de corrida) no sábado, dia 29 de setembro, a partir das 9h.
Os amadores que enfrentam o desafio cross country podem contar com as dicas do experiente Altafini sobre o que carregar na bike e como se preparar para a competição.
Técnica – A opinião parece unânime Felipe Moletta já havia pedido cautela aos participantes e Altafini endossa: o percurso em Tiradentes exige muita técnica. As trilhas, alternadas por subidas e descidas de terra batida (se não chover), deixam a prova casca grossa, na opinião de Rodrigo.
O percurso é bastante variado, tem terreno em estradão, com terra batida, tem pedregulho, trilhas fechadas e single track, conta o triatleta.
Bike redonda – Para chegar a Tiradentes sem surpresas durante a prova, o competidor precisa cuidar bem da sua bike. Ela tem que estar inteirinha, regulada, avisa Altafini.
A semana véspera da prova é a ideal para levar a magrela para uma revisão completa. Depois, uns últimos ajustes em casa ainda são recomendados e, claro, uma volta para ver se está tudo certo mesmo.
Tem que tirar um tempinho em casa para checar guidão, pedal, freio. Se deixar para o dia da prova, alguma coisa pode acontecer e o atleta não perceber, como o pedal não estar bem preso, ou o cabo de marcha se soltar, explica.
Calibrar os pneus – A calibragem dos pneus depende de diversos fatores, entre eles a percepção do atleta, o seu peso e o percurso que vai enfrentar, para que tenha aderência perfeita ao solo.
Para terrenos mais batidos, de estrada, o recomendável é que a calibragem esteja mais alta, deixando o pneu mais duro. Em um lugar com pedregulhos e raízes, Altafini aconselha pneus meio termo, nem tão cheios, nem muito vazios.
Os pneus sem câmara, chamados de Tubeless, precisam de menos pressão para ter o mesmo resultado dos pneus tradicionais.
Geralmente eu uso abaixo de 40 libras de pressão, conta o triatleta, que para Tiradentes, pretende usar o meio termo, normalmente 38 libras no pneu traseiro e 36 no dianteiro.
Na bagagem – Para a disputa em Tiradentes, ou em qualquer outra de duathlon, triathlon ou mountain bike, a prevenção é sempre a melhor escolha. Por isso, Rodrigo Altafini lembra aos amadores de levaram pelo menos um pneu reserva, de preferência o do tipo Tubeless, para não precisar trocar.
O atleta pode levar um pneu sem câmara e [uma bomba de] CO2 [gás carbônico]. Se o pneu furar, é só jogar o líquido dentro que ele funciona como selante, tapando o furo, explica.
Quem não tiver o pneu tubeless pode levar uma câmara e uma bomba, acoplada na bicicleta, bem compacta.
Um jogo de chaves também nunca é demais. Se quebrar uma corrente durante a prova, dá para reparar e continuar, avisa Altafini.
É possível encontrar no mercado chaves compactas e jogos com dez peças juntas e pequenas, para qualquer contratempo. Uma chave de torque (torquímetro) também é ideal para os últimos ajustes de aperto e é também uma chave pequena.
Já para enfrentar os 32 quilômetros do Duathlon em Tiradentes, Rodrigo Altafini leva duas garrafas: uma com água e a outra com isotônico para amenizar o calor e manter-se hidratado.
No perrengue – Se mesmo com toda a preparação e os cuidados anteriores à prova o atleta ainda se deparar com perrengues pelo circuito (muito prováveis), a dica é não perder a paciência.
Se um cabo se solta da bicicleta, o jeito é parar, ter calma, e tentar consertar. A organização de eventos cross country costuma disponibilizar mecânicos para auxiliarem os atletas.
Os amadores, inclusive, são mais colaborativos com seus adversários e param para ajuda-los pelo caminho. No profissional não existe isso, mas os amadores são mais camaradas, exemplifica Rodrigo, que vem se preparando para ficar sempre entre os primeiros colocados no XTerra.
Este ano, Altafini foi o terceiro colocado no circuito em Ilhabela, segundo em Manaus e venceu a etapa de Costa Verde.
Este texto foi escrito por: Fabiana Coletta