Os três melhores colocados na categoria solo do Extra Distance 800K em 2003 se preparam para voltar ao pódio este ano, de preferência no seu lugar mais alto. O santista Júlio Paterlini, o paulista radicado em Fortaleza Michel Bogli e o paulistano Roberto Maluf prevêem muitas dificuldades na competição de 2004, que, em sua segunda edição, acontece nos dias 4 e 5 de dezembro com 105 equipes (solo, duplas e quartetos) e um total de 320 atletas, entre brasileiros e estrangeiros. A largada será no Extra Hipermercados Tietê, na Penha, em São Paulo. Os atletas pedalarão 800 quilômetros no sentido do interior e retornam à capital, cruzando a linha de chegada no Extra Hipermercados Anhangüera.
Júlio, Michel e Roberto elogiaram a organização da prova do ano passado, que reuniu 69 equipes e 217 competidores, números recordes no mundo em uma primeira edição de eventos do gênero. Ela foi magnífica. Faltou pouco para ser perfeita, definiu Maluf. Acredito que o segundo Extra Distance 800K será qualitativamente melhor que o anterior, disse Bogli.
O atual campeão Júlio Paterlini, que completou os 800 quilômetros em 29h07min41seg (média de 29,422 km/h), lembra que se perdeu no centro de Campinas logo depois da largada e começou a prova novamente. Levei pelo menos meia hora para voltar e andei uns cinco quilômetros a mais. A chuva também ajudou e este ano será bem-vinda de novo, brincou. Ele afirmou que, na serra de Maresias, subiu com grande sacrifício. Foi o pior trecho. Só não foi mais doloroso que quando senti dores fortes no joelho a 300 quilômetros do final da prova. Para Júlio, que tem 38 anos (25 de ciclismo) e mora e trabalha na Baixada Santista, vencer novamente será excelente, mas seu maior objetivo é terminar a prova, que é um grande desafio para os participantes. O Extra Distance 800K também pode ser completado por pessoas de até 60 anos. Basta ter um preparo físico adequado.
Experiente em competições de ciclismo de longas distâncias – participou de cinco edições da Race Across America (em 94, 95, 97, 2001, ano que chegou em primeiro, e 2004) -, Michel Bogli, vice-campeão do ano passado (29h58min23seg, média de 28,592 km/h) espera uma prova ainda melhor este ano. Como primeira edição, a de 2003 foi muito elogiada e é aguardada com expectativa por alguns ciclistas com quem tenho mantido contato. Penso em terminar a prova sem problemas físicos ou acidentes, mas estou bem preparado para subir no lugar mais alto do pódio, avisou Michel, que também é coordenador do PA Club na capital cearense.
Sobre sua hipotética vantagem em relação aos demais, por conhecer bem provas do gênero, ele explica: Não deverei ser surpreendido por nenhum fato excepcional, graças à experiência adquirida em cinco anos de Race Across America, mas esta será a segunda prova em que correrei 800 quilômetros sem parar. Se o inscrito não estiver bem preparado e não planejar bem sua estratégia, será superado por outro atleta.
O Extra Distance 800K, na visão de Bogli, desafia os competidores com situações extremas. A hidratação e a alimentação são fundamentais. Isso sem falar da superação do cansaço físico, do sono, das dores e da dificuldade de pedalar à noite. Somos testados a cada quilômetro. Além da vitória no Race Across America em 2001, quando disputou a prova fazendo dupla com José Correia Pinto Filho, Michel foi terceiro em 94 e 97 e segundo em 95. Nestas três edições, competiu em equipes de quatro ciclistas. No ano de 2004, integrou o Extra Distance Team, ao lado de Marcio Milan, Cássio Brandão e José Correia. A equipe ficou em quinto lugar.
Prova mais veloz – Terceiro lugar na categoria solo em 2003, com o tempo de 32h01min07seg (média de 26,766 km/h), Roberto Maluf espera que o Extra Distance 800K seja mais veloz este ano. A de 2003 apresentava uma característica mais ao gosto do ciclista escalador, como costumamos dizer, aquele que prefere subidas e descidas longas, ressaltou. Em competições com mais planícies, anda-se mais rápido, o vento sopra mais tempo e ajuda a minimizar o calor. Para ele, muitos fatores combinados podem ser decisivos para o resultado positivo de um competidor. Alimentação e hidratação corretas, administrar o cansaço, a preparação psicológica, a estratégia e até um pouco de sorte contarão na hora da chegada.
Maluf recorda-se do problema que teve no câmbio de sua bicicleta em 2003. Pedalei um bom trecho de pé, mas fiz a prova com bom humor. Quero repetir isso este ano, brincou o atleta de 45 anos. Quanto à alimentação nos dias que antecedem a prova, Roberto tem uma receita que garante estar ajudando. No almoço, estou usando o azeite junto da carne, para a reposição dos aminoácidos. À tarde, como três paçocas e, antes de dormir, ingiro açaí. No mais, procuro me alimentar de forma balanceada e natural, completou
Mais informações sobre a prova podem ser obtidas no site www.extradistance.com.br
Este texto foi escrito por: ZDL