
Galindez um dos melhores pedais do triathlon mundial (foto: Juliana Ikeda)
O catarinense Márcio May, da equipe Memorial-Santos, mostrou nesta quarta-feira (dia 9) porque é o atual nº 1 do ranking brasileiro individual de ciclismo. Depois de ter viajado 24 horas, entre o hotel em Aigle, na Suíça, onde disputou o Mundial no fim de semana, e São Paulo, ele teve forças para garantir o excelente 2º lugar na tradicional prova ciclística 9 de Julho, no Autódromo José Carlos Pace, em Interlagos. Numa disputa dura, May só foi superado no sprint final, pelo norte-americano John Lieswyn (campeão da Copa América de 2002, no mesmo local).
Com o vice-campeonato, May abriu ainda mais vantagem no ranking brasileiro e confirmou estar atravessando grande fase. Pena que não deu para comemorar o tri da nossa equipe e o meu individual. O cansaço da viagem pesou. Vim para ganhar, mas o sprint final não é o meu forte, disse o ciclista, referindo-se aos títulos da equipe Memorial nos dois anos anteriores, com Nilceu Aparecido, em 2001, e Rodrigo de Mello Brito, o Morcegão, em 2002, e também às suas duas conquistas na prova, em 92 e 95.
Competindo com 12 atletas, a estratégia da equipe Memorial-Santos, nº 1 do ranking brasileiro nos últimos três anos, era escoltar o atual campeão da prova, Rodrigo Morcegão, para a decisão no sprint final. Quando o plano não deu certo, May chamou a responsabilidade para si, pedalando forte, mesmo depois de ter enfrentado duas provas no Mundial B, na Suíça três dias antes.
No sábado, ele foi o 5º melhor do Mundo na prova de contra-relógio e no domingo terminou em 21º lugar na prova de estrada, vencida pelo brasileiro Murilo Fischer, que compete na Itália. É muito desgastante competir em provas fortes, fazer uma viagem longa e enfrentar uma nova disputa, comentou o vice-campeão, que está com 31 anos de idade e mora na Cidade de Brusque.
Ranking Mundial – A 60ª edição da competição teve 86 quilômetros, divididos em 20 voltas, num circuito duro, com muitas subidas e descidas (no mesmo local onde é disputada a Fórmula 1) e valeu para o ranking mundial da UCI – União Ciclística Internacional. Faltando cinco voltas para o final, um grupo de 10 ciclistas abriu uma fuga do resto do pelotão. Entre os ponteiros estavam dois norte-americanos, May e outro integrante da equipe Memorial, Robson Ribeiro, o Grandão, atual campeão brasileiro sub 23.
Nas três últimas voltas, May, Lieswyn e José Aparecido dos Santos, da Caloi, forçaram o ritmo e ficaram isolados na frente. Os três abriram mais de um minuto de vantagem, fazendo uma média de 45 km por hora. Nos metros decisivos, pedalaram muito forte, num sprint de mais de 200 metros e o norte-americano levou a melhor, por muito pouco. Ciclismo é assim, Os últimos 200 metros é que decidem. Acho que o 2º lugar foi importante, ainda mais porque o nível estava fortíssimo e eu desgastado com a viagem, comentou.
Este foi o 8º resultado de destaque de May nesta temporada. Ele também foi campeão do Troféu Cidade de São Paulo, das voltas de Goiás e do Litoral Paranaense, o melhor brasileiro nas voltas internacionais do Chile e do Rio de Janeiro e pódio no Brasileiro de Resistência, sendo o 3º colocado na prova de estrada e o vice na contra-relógio, por apenas dois segundos.
Jogos Pan-Americanos- – O ciclista que já disputou duas olimpíadas (Barcelona e Atlanta) e tem tudo para estar na disputa de Atenas, no próximo ano, agora passa a priorizar os Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, em agosto, na República Dominicana. Ele vai tentar a sua 3ª medalha na competição mais importante das Américas. Foi bronze em Winnipeg (99), na prova de contra-relógio, e em Mar Del Plata (95), no revezamento 4X4000. Este ano vai estar nas disputas de contra-relógio e de estrada.
Agora, é pensar totalmente nos Jogos. Acredito que possa garantir medalha para o Brasil. Tenho chances no contra-relógio, apesar de termos ciclistas fortes dos Estados Unidos, Canadá e Colômbia, principalmente. Na estrada, vamos ter uma equipe boa, com o Murilo Fischer, que acaba de ganhar o título mundial, e o Luciano Pagliarini, que compete numa equipe profissional na Itália, disse May, que nos Jogos terá a companhia de dois atletas da Memorial, Robson Ribeiro, e Hernandes Quadri Júnior, que nesta terça-feira (dia 8) garantiu o 5º lugar no Mundial da Suíça, na prova de meio fundo.
Galindez é a revelação – Além de May, a equipe Memorial-Santos comemorou o excelente desempenho do triatleta argentino Oscar Galindez, que reforçou o grupo. Atual campeão do Ironman Brasil e considerado um dos melhores pedais do Mundo no triathlon, ele mostrou muita força, sempre andando bem no pelotão. Estou treinando muito para os Jogos Pan-Americanos, fazendo musculação, correndo. Se me preparar exclusivamente para o ciclismo, posso melhorar muito, disse Galindez, que tem o patrocínio da Memorial, Reebok e Timex.
Oscar também estará nos Jogos de Santo Domingo, mas competindo no triathlon. Antes de viajar para a República Dominicana, ele, May, Hernandes, Robson Grandão voltam a competir junto, numa prova especial de ciclismo (contra-relógio por equipes), também em Interlagos. O May comprovou hoje que está numa fase muito boa. O Galindez foi a grande surpresa. Ele é triatleta, não tinha obrigação alguma de rodar bem, competindo contra os melhores do Brasil e deu trabalho. Tínhamos certeza de que ele seria destaque, comentou o técnico da equipe Memorial-Santos, Cláudio Diegues.
Este texto foi escrito por: Fabio Maradei