Estrangeiros dominam a Corrida de São Silvestre

Redação Webrun | Corridas de Rua · 31 dez, 2008

James confirmou o favoritismo (foto: Márcio Kato/ZDL)
James confirmou o favoritismo (foto: Márcio Kato/ZDL)

Nesta quarta-feira, na cidade de São Paulo, aconteceu mais uma edição da Corrida Internacional de São Silvestre, com 20 mil corredores e um calor de 28ºC. A 84ª edição de uma das provas mais importantes do circuito mundial foi marcada por algumas surpresas ao longo de seus 15 quilômetros. O vencedor foi o queniano James Kipsang com o tempo de 44min42. Já a mulher mais rápida foi a etíope Yiemer Wude, que cruzou a linha de chegada após 51min37.

São Paulo – A largada para as 53 atletas da elite feminina foi dada às 16h45. Um pelotão se formou e se manteve equilibrado até o quilômetro dois, ocasião em que Sara Ramadhani, da Tanzânia, abriu uma diferença de mais de 100m. Logo atrás, entre outras, vinham a queniana Nancy Kipron, uma das favoritas deste ano, e a brasileira Edilza Alves dos Santos, que completou a prova em 53min02, garantindo o 4º lugar.

Sara, que é conhecida pela sua facilidade em prova de 10 mil metros liderou, tranqüilamente até o quilômetro 7,5, mas logo começou a sentir a pressão de Nancy. A queniana vinha com um ritmo forte e conseguiu ultrapassar Sara no final da Avenida Pacaembu. Já na Avenida Rudge, Sara tomou a ponta de novo,
porém, por pouco tempo. A etíope Yiemer Wude aumentava o ritmo e diminuía a distância entre elas. E no quilômetro nove, Sara perdeu seu posto e a etíope assumiu a liderança da prova. Logo atrás, um pelotão formado por algumas brasileiras se aproximava da líder.

Yiemer não estava entre as favoritas desta São Silvestre e surpreendeu ao conseguir o lugar mais alto do pódio. Aliás, não só chegou em primeiro lugar, como conseguiu cruzar a linha de chegada antes mesmo do campeão masculino, James Kipsang. Um feito, já que, em edições anteriores as mulheres eram ultrapassadas pelos homens nos últimos metros da prova.

O Brasil pode não ter conseguido uma vitória feminina, mas, pelo menos tingiu o resto do pódio de verde e amarelo. O segundo lugar ficou com Fabiana Silva, que cruzou a linha menos de um minuto após a grande vencedora, com 52min28. Fabiana também surpreendeu pela colocação, já que esteve seis meses afastada por causa de uma lesão.

O terceiro, quarto e quinto lugar ficaram, respectivamente, com Marily dos Santos (52min48), Edielza dos Santos (53min02) e Luzia de Souza Pinto (53min52). Duas brasileiras que estavam entre as grandes favoritas não tiveram muita sorte este ano. Maria Zeferina Baldaia, campeã em 2001, ficou com a 12ª posição e Marizete Rezende, vencedora em 2002, abandonou a prova.

A campeã comentou que ficou muito feliz com o resultado, já que veio com o objetivo de lutar pelo primeiro posto. “No início da prova as quenianas e a tanzaniana estavam num ritmo muito forte e decidi segurar um pouco”, confessa. “No quilometro oito senti minhas pernas fortes. Estou muito feliz. O Brasil me deu sorte e também estava em um bom dia”, completa.

Já Fabiana ficou muito emocionada com o segundo lugar, já que teve uma lesão no pé esquerdo que ainda vem sendo tratada. “Logo Após o Troféu Brasil tive que parar um pouco, os treinos deste final de ano não estavam dando certo, mas resolvi entrar mesmo assim na São Silvestre e deu certo”, conta a vice-campeã. A tática utilizada foi não se sentir pressionada, mas sim entrar no ritmo da competição aos poucos.

Quem também estava muito feliz com o resultado era Marily dos Santos, que comemorou o terceiro posto como uma vitória. “Minha mãe está doente e internada no hospital, mas há um tempo atrás ela disse que tinha fé em Deus de me ver em terceiro na São Silvestre”, lembra a alagoana. “Com essa doença dela eu me apeguei em Deus e quis dar esse presente a ela, ainda não estou acreditando”, completa.

Ela confessa que a doença da mãe a desgastou um pouco psicologicamente, principalmente ao ver a matriarca na UTI, mas não se abateu e seguiu em frente focada nos treinamentos. O fato dela ter se poupado de competições às vésperas da prova foi uma fato que ajudou a conquistar um bom resultado. “As pessoas sabem o quanto eu me dedico e gosto de treinar e meu treinador disse que eu não ia fazer nenhuma prova depois da Pampulha e eu o obedeci. Ano passado eu competi muitos circuitos e senti muito cansaço”.

Homens – A largada para a prova masculina e atletas amadores aconteceu às 16h52. A elite masculina fez uma corrida equilibrada, com um pelotão correndo lado a lado durante a primeira metade da prova. Foi só na região do Largo do Paissandu, centro velho de São Paulo, que o queniano James Kipsang saiu na frente. Mantendo o ritmo, ele seguiu como primeiro colocado até a linha de chegada. Linha esta que ele não cruzou, pois “decidiu” passar pela lateral.

Se na prova feminina o Brasil marcou presença no pódio, na masculina, o mesmo foi inteiramente internacional. Até metade do percurso a esperança corria junto com Gadson Barbosa e Cristiano Silva Machado. Mas os mesmos logo foram vencidos pelos africanos. O Brasil também viu sua grande chance de vitória abandonar a prova. Franck Caldeira, campeão de 2006, repetiu o feito do ano passado ao abandonar a prova, desta vez no quilômetro 10. Com isso, o brasileiro mais bem colocado foi Raimundo Nonato Sousa Aguiar, com a sétima posição e o tempo de 46min05.

Para completar o pódio masculino, o segundo lugar ficou com Evans Cheruyiot (45min16), o terceiro com Kiprono Mutai (45min28), o quarto com Marco Joseph (45min37), todos do Quênia e em quinto ficou o colombiano William de Jesus (45min47).

Kipsang agradeceu o apoio do público que durante todo o percurso o incentivou e disse que o segredo para ser um campeão é treinar duro e seguir à risca as orientações do técnico. “Agradeço ao povo de São Paulo e todo mundo que vibrou comigo durante a prova. Foi uma excelente corrida. Me esforcei ao máximo para vencer”, relata.

Já Cheruyiot, segundo colocado, comenta que nos últimos dois quilômetros pensou que seria ultrapassado por Kiprono Mutai, por isso apertou o passo para cruzar a linha de chegada antes. Já Mutai, que não completou em 2007 devido ao forte calor, comenta que “apesar do clima abafado, o resultado foi bom”. Ele diz ainda que em 2009 pretende treinar ainda mais para alcançar o topo do pódio.

Este texto foi escrito por: Webrun

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