
Robert Cheruyuot foi taxativo que vencerão a prova (foto: Fernanda Paradizo)
Na coletiva de imprensa que contou com a presença dos atletas do Quênia, Felix Limo, Robert Cheruyuot e Paul Kirui foram unânimes ao afirmar que “vieram para vencer” a 78ª Corrida Internacional de São Silvestre.
“Se trabalharmos em equipe, podemos bater o recorde da prova”, disse Felix Limo, que obtém a melhor marca para os 15 km, com o tempo 41min19s, obtida em Nijmegen, na Holanda. O recorde da São Silvestre pertence ao também queniano Paul Tergat, pentacampeão da competição, com a marca de 43min12s, média de 2min54s por quilômetro, estabelecida em 1995.
Felix Limo, 23 anos, natural de Nandi, Quênia, é considerado o grande favorito para a prova. Antes de embarcar para o Brasil, na sexta-feira passada, encontrou por acaso o pentacampeão da São Silvestre, o queniano Paul Tergat, no aeroporto, que o aconselhou a se hidratar muito bem para evitar desgastes no final da prova.
Na semana passada, Limo foi o vencedor dos 10 km no País de Gales, com 27min37s. Sua melhor marca em pista para os 10.000 metros é de 27min04s, média de 2min42s por quilômetro, estabelecida no Meeting Van Damme, na Bélgica, em 2000, competição válida pela Iaaf (Federação Internacional de Atletismo) no Golden League.
Em 2001, fez um treino específico de três meses para enfrentar o melhor atleta do mundo na atualidade, o bicampeão olímpico e recordista mundial dos 10.000 metros, o etíope Haile Gebrselassie. A prova escolhida foi os 15 km de Zevenheuvenlenloop (Seven hills run), em Nijmegen, na Holanda. No dia 11 de novembro de 2001, Limo estabelece o recorde mundial da distância com 41min19s, média de 2min46s por quilômetro, com parciais de 14min14s nos 5 km iniciais e 27min15s nos 10 km finais). Na segunda colocação, chegou o etíope Haile Gebrselassie, que completou a prova com 41min38s, a segunda melhor marca da história. O recorde anterior pertencia ao também queniano Paul Tergat, com 42min04s, e foi estabelecido em abril de 98, na passagem dos 15 km para os 21 km da Stramilano, na Itália. Em 1994, em La Courneuve, França, Tergat tinha corrido a distância para 42min12s.
Outro destaque da delegação queniana é Robert Cheruiyot, de 24 anos, que participa pela segunda vez da São Silvestre. Em 2001, uma indisposição estomacal lhe custou a 20ª colocação. Uma semana depois, Cheruiyot venceu no Uruguai a Corrida Internacional de San Fernando, prova de 10 km, realizada entre as cidades de Punta Del Leste e Maldonado.
Para este ano, o atleta treinou no Quênia, onde as condições de temperatura são semelhantes às de São Paulo, e acredita estar preparado para ganhar a São Silvestre. Sua mais recente conquista a vitória na Maratona de Milão, no dia 1º de dezembro, com 2h08min59s, prova em que o brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima foi o 7º colocado, com o tempo de 2h11min26s.
O mais jovem do grupo de quenianos é Paul Kirui, de 22 anos. Apesar da pouca idade, o atleta já venceu este ano dois grandes nomes do atletismo mundial, como o sul-africano Hendrik Ramaala e o queniano Paul Tergat, nos 10 km de Porto Rico, sagrando-se vencedor da prova com o tempo de 28min12s, média de 2min49s por quilômetro.
O segredo do sucesso – A maioria dos atletas nasce em áreas rurais. Quando crianças, são obrigadas a ir para a escola correndo, chegando a percorrer mais de 10 km de percurso, entre ida e volta. Assim que os atletas são revelados para o atletismo, a maior motivação passa a ser a vontade de vencer e de divulgar o Quênia para o resto do mundo.
Além disso, a maioria das tribos está localizada em regiões que superam os 2.000 metros de altitude, o que favorece a melhora do condicionamento físico, com o aumento da taxa de hemoglobina no sangue, responsável pelo transporte de oxigênio, principal fator para o alto rendimento em provas de longa distância.
Wanderlei de Oliveira, 43, consultor do WebRun fará os comentários São Silvestre para a TV GAZETA. Essa é sua 25ª participação na Corrida Internacional de São Silvestre.
Este texto foi escrito por: Wanderlei de Oliveira