Inatividade, ou melhor, a falta de atividade física faz com que o seu rendimento no treino diminua. No último diário contei um pouco sobre as conseqüências da falta de atividade física no corpo. Dessa vez vou abordar os resultados dessa inatividade no coração. Confira!
São Paulo – Seis horas da manhã e meu despertador tocou. A preguiça de levantar era enorme. Abri os olhos e a única fresta de luz que entrava no meu quarto anunciava que o dia estava bonito. Definitivamente eu não tinha desculpas para não treinar. Levantei empolgada e fui correr no Parque do Ibirapuera.
Lá encontrei meus treinadores e colegas da corrida. O treino do dia era: seis voltas de 800 metros alternando os ritmos leve e moderado. Como ainda não estou em plena forma, fiz metade do meu treino trotando e a outra metade com o ritmo leve.
Porém, algo curioso aconteceu na minha primeira volta. Empolgada, acompanhei uns amigos e percebi que meus batimentos cardíacos estavam altos. Logo na primeira volta o meu monitor cardíaco registrou 185 BPM (batimentos por minuto), essa marca eu atinjo quando estou num ritmo bem forte, mas eu estava numa corrida leve.
Achei estranho. Alguns minutos depois os batimentos saltaram para 190. Eu não senti cansaço, dores, nada. Quando completei a volta, falei sobre os meus estranhos batimentos para meu treinador. Com um largo sorriso no rosto ele me disse em alto e bom som: Viu o que dá ficar sem treinar?
Ele estava certo. Depois de quase dois meses sem treino eu não poderia voltar como antes. Liguei então para o cardiologista Dr. Nabil Ghorayeb para tirar algumas dúvidas sobre os batimentos cardíacos, ou melhor, a freqüência cardíaca.
Segundo o Dr. Nabil, o que aconteceu comigo foi algo extremamente normal. Ele me explicou que se você fica 15 dias sem treinar, o seu corpo perde a adaptação cardiovascular que tinha adquirido. Portanto você perde o seu condicionamento físico e volta do zero.
O sedentário atingi mais rápido a máxima freqüência cardíaca. É justamente isso que difere os sedentários dos esportistas. O esportista, quando está numa atividade física, demora mais para atingir o seu limite ou às vezes nem chega nesse pico, conta.
Existe uma conta simples que revela qual é a sua freqüência cardíaca (FC) máxima:
No meu caso, que tenho 23 anos, a minha freqüência máxima é 197 BPM. A partir dela e de um monitor cardíaco, posso analisar o meu treino e o meu condicionamento físico. Assim com esses dados, eu devo treinar sempre numa faixa segura de FC, a fim de evitar possíveis riscos de eventos cardíacos.
Mas para ter certeza se o coração está trabalhando direito, o correto é fazer anualmente alguns exames básicos como o teste ergométrico e um exame de sangue completo.
Este texto foi escrito por: Donata Lustosa