
Kátia durante o alongamento. O esporte mudou a sua vida (foto: Arquivo pessoal)
A Corrida Internacional de São Silvestre é a prova mais tradicional do país. A competição está na sua 81ª edição e nunca foi interrompida. Por isso a prova é objeto de desejo dos mais variados corredores brasileiros. Pessoas de diversos estados participam da competição que esse ano tem o limite de 15 mil atletas.
A corrida acontece sempre no dia 31 de dezembro e tem a característica de misturar classes sociais e deixar as diferenças de lado. Durante a prova, todos pensam apenas em cruzar a linha de chegada. É o caso da professora de matemática Kátia Yabiku. Aos 35 anos, ela disputará pela primeira vez a tão sonhada São Silvestre.
Kátia aderiu o esporte por causa da sua deficiência auditiva progressiva. Ela tem uma surdez considerada pelos médicos de leve a moderada, mas seu problema é progressivo e aos poucos ela perde a audição.
Por causa da deficiência, Kátia passou a usar um aparelho auditivo da empresa Widex, que promoveu no meio do ano uma promoção esportiva na qual despertou o seu interesse pela corrida.
O meu primeiro contato com esporte foi através de uma promoção da Widex. Eu participei do Adventure Camp, corrida de aventura, no mês de junho. Desde lá não parei mais e sempre participo de provas, conta Kátia.
O seu objetivo agora é completar a São Silvestre. Em apenas seis meses de treino ela já percorre a distância de 15 quilômetros no tempo de 1h30min. Mas já pensa em alcançar a marca de 21,1km para uma meia-maratona em 2006.
Com o treino, a professora de matemática já está pronta para correr a São Silvestre, mas algumas peculiaridades da prova a deixam apreensiva.
Agora eu intensifiquei os meus treinos. É claro que por ser a prova mais tradicional do país eu fico um pouco ansiosa. Deve ser uma energia muito bacana, por ser no final do ano e ter aquela expectativa. Eu estou bastante confiante, diz. Eu não almejo colocações. Quero apenas completar a prova. Isso já vai ser um desafio vencido, acrescenta.
A maior preocupação de Kátia é o calor que costuma fazer no dia da São Silvestre. A largada é às 15h e é muito quente. Além disso, o percurso tem uma subida muito forte. É um percurso muito difícil, revela.
Depois que Kátia começou a praticar atividade física ela observou algumas mudanças na sua vida. O meu dia era apenas dedicado ao trabalho. Eu dava aula de manhã até de noite. Depois que eu comecei a praticar atividade física eu reduzi a minha carga horária. Passei a cuidar mais da minha saúde. Acho que a vida não é só trabalho, conta.
Desde então, Kátia revela que começou a ver a vida de uma outra forma. A gente precisa se cuidar. Eu descobri que podia fazer outras coisas e não só dar aulas. Eu não sabia que eu poderia vencer outros limites, principalmente por ser deficiente. A deficiência me deixava para baixo. E no esporte não há diferenças, ali são todos iguais. Isso é muito legal, finaliza.
Este texto foi escrito por: Donata Lustosa