Deficiente auditiva quer superar os 15 quilômetros de São Silvestre

Redação Webrun | Corridas de Rua · 13 dez, 2005

Kátia durante o alongamento. O esporte mudou a sua vida (foto: Arquivo pessoal)
Kátia durante o alongamento. O esporte mudou a sua vida (foto: Arquivo pessoal)

A Corrida Internacional de São Silvestre é a prova mais tradicional do país. A competição está na sua 81ª edição e nunca foi interrompida. Por isso a prova é objeto de desejo dos mais variados corredores brasileiros. Pessoas de diversos estados participam da competição que esse ano tem o limite de 15 mil atletas.

A corrida acontece sempre no dia 31 de dezembro e tem a característica de misturar classes sociais e deixar as diferenças de lado. Durante a prova, todos pensam apenas em cruzar a linha de chegada. É o caso da professora de matemática Kátia Yabiku. Aos 35 anos, ela disputará pela primeira vez a tão sonhada São Silvestre.

Kátia aderiu o esporte por causa da sua deficiência auditiva progressiva. Ela tem uma surdez considerada pelos médicos de leve a moderada, mas seu problema é progressivo e aos poucos ela perde a audição.

Por causa da deficiência, Kátia passou a usar um aparelho auditivo da empresa Widex, que promoveu no meio do ano uma promoção esportiva na qual despertou o seu interesse pela corrida.

“O meu primeiro contato com esporte foi através de uma promoção da Widex. Eu participei do Adventure Camp, corrida de aventura, no mês de junho. Desde lá não parei mais e sempre participo de provas”, conta Kátia.

O seu objetivo agora é completar a São Silvestre. Em apenas seis meses de treino ela já percorre a distância de 15 quilômetros no tempo de 1h30min. Mas já pensa em alcançar a marca de 21,1km para uma meia-maratona em 2006.

Com o treino, a professora de matemática já está pronta para correr a São Silvestre, mas algumas peculiaridades da prova a deixam apreensiva.

“Agora eu intensifiquei os meus treinos. É claro que por ser a prova mais tradicional do país eu fico um pouco ansiosa. Deve ser uma energia muito bacana, por ser no final do ano e ter aquela expectativa. Eu estou bastante confiante”, diz. “Eu não almejo colocações. Quero apenas completar a prova. Isso já vai ser um desafio vencido”, acrescenta.

A maior preocupação de Kátia é o calor que costuma fazer no dia da São Silvestre. “A largada é às 15h e é muito quente. Além disso, o percurso tem uma subida muito forte. É um percurso muito difícil”, revela.

Depois que Kátia começou a praticar atividade física ela observou algumas mudanças na sua vida. “O meu dia era apenas dedicado ao trabalho. Eu dava aula de manhã até de noite. Depois que eu comecei a praticar atividade física eu reduzi a minha carga horária. Passei a cuidar mais da minha saúde. Acho que a vida não é só trabalho”, conta.

Desde então, Kátia revela que começou a ver a vida de uma outra forma. ”A gente precisa se cuidar. Eu descobri que podia fazer outras coisas e não só dar aulas. Eu não sabia que eu poderia vencer outros limites, principalmente por ser deficiente. A deficiência me deixava para baixo. E no esporte não há diferenças, ali são todos iguais. Isso é muito legal”, finaliza.

Este texto foi escrito por: Donata Lustosa

Redação Webrun

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