Corrida pode aliviar sintomas da SOP, mas exige cuidados

Elizama Modesto | Saúde · 16 jun, 2025

A prática de atividades físicas é uma aliada poderosa no tratamento da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Mas e a corrida, será que ela também pode contribuir? Segundo especialistas, sim.

Por ser mais intensa que atividades como a caminhada, a corrida acelera significativamente a queima calórica. Porém, suas vantagens vão muito além disso. Como explica o endocrinologista Dr. Renato Zilli, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês:

“A corrida melhora a sensibilidade à insulina, reduz os níveis de androgênios e ajuda a regular o ciclo menstrual. Além disso, contribui para o controle de peso, que é essencial na SOP.”

Foto: Adobe Stock

Esses efeitos são especialmente importantes porque a resistência à insulina e o excesso de hormônios masculinos muitas vezes agravavam os sintomas da SOP, como ciclos irregulares e dificuldade para perder peso.

Cuidados para começar com segurança

Mas não basta calçar o tênis e sair correndo sem nenhum preparo antes. Para ter os benefícios com segurança, algumas precauções são fundamentais:

Respeitar os limites do corpo: comece devagar e evolua progressivamente.

Evitar treinos em jejum: prefira refeições leves antes e reponha energia após o treino.

Hidratação adequada: essencial em treinos de intensidade moderada a alta.

Recuperação e descanso: o repouso muscular é tão importante quanto o próprio exercício.

Um estudo de Giallauria et al. (2008) acompanhado por um protocolo de treino aeróbico por três meses mostrou melhora nos marcadores inflamatórios, com queda da proteína C reativa (PCR) em mulheres com SOP. Além disso indicou que, apesar da melhora da resistência à insulina com o exercício, muitas mulheres ainda mantiveram níveis elevados, sugerindo a necessidade de abordagens complementares.

Um plano eficaz vai além da corrida

Para potencializar os efeitos do treino na SOP, e para isso é necessário ter:

Alimentação equilibrada: rica em fibras, proteínas magras e gorduras saudáveis.

Sono restaurador: menos de 7 h/noite prejudica o equilíbrio hormonal.

Gestão do estresse: cortisol elevado agrava resistência à insulina e ciclos.

Clareza de propósito: ter metas reais motiva a continuidade.

Quando corrida, nutrição, sono, manejo do estresse e propósito convergem, os resultados são muito mais expressivos tanto na melhora dos sintomas hormonais e metabólicos quanto no bem-estar geral.

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Elizama Modesto

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Jornalista por formação e apaixonada por contar boas histórias.