
Prova no Pará chegou à sua sétima edição (foto: Paulo Gomes#8260; webrun.com.br)
Um garoto magrinho de 14 anos, com a pele queimada de sol e sem camisa caminha, carregando uma pipa na mão. A cena é comum para qualquer cidade do país, mas fica mais restrita quando adicionados outros detalhes: medalha no peito e shorts de compressão. Caio Fábio não é como todo menino de 14 anos. Ele é um triatleta.
Inclusão pelo esporte – É comum a percepção de que o triathlon é um esporte caro de se praticar. Afinal, não é qualquer um que pode arcar com os custos, por exemplo, de uma bicicleta speed de competição. No entanto, são três modalidades que, digamos, são inerentes a uma criança (correr, nadar e andar de bicicleta), como aponta a coordenadora nacional do Circuito Sesc de Triathlon, Regina Plepis.
É com esse pensamento que o Sesc vem investindo na base do esporte e fomentando sua difusão no Brasil. Há dez anos no cenário nacional, o circuito de triathlon do Serviço Social do Comércio alcança diferentes regiões do país e viu grandes nomes se desenvolverem em suas provas.
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| Pipa na mão e medalha no peito: triathlon desde cedo – Foto: Paulo Gomes/ Webrun.com.br |
O (Diogo) Sclebin compete conosco desde novinho, exemplifica a coordenadora. A primeira prova da Pâmella (Oliveira) como elite foi nossa, prossegue. Mas chama a atenção para o verdadeiro propósito de suas provas. O que a gente quis fazer é democratizar esse esporte, dar acesso a todos. Nossa função é mais ou menos essa, dar projeção ao triathlon no Brasil.
Como exemplo, dá a etapa de Belém deste ano (07/07). Em 2012, segundo Regina, apenas cinco triatletas amadores competiram na distância olímpica (1.500 metros de natação, 40 quilômetros de bicicleta e dez de corrida). Neste ano foram 30. Mesmo com a temperatura alta o pessoal vai, conta a prova paraense acontece no início do verão local.
Escolinha – As provas abriram espaço para núcleos de ensino da prática esportiva. No Pará, no Distrito Federal e no Paraná, as unidades do Sesc dão aulas para jovens triatletas de sete a 14 anos de idade como a procura é grande, os alunos devem obedecer critérios básicos (como serem estudantes) e a preferência é por crianças que moram em zonas de risco e possuem baixa renda familiar. Não há nenhum critério de avaliação física, acrescenta Regina, explicando que o projeto é de inclusão. Cedemos equipamento de treino e emprestamos as bicicletas.
Profissional, o paraense Danilo Pimentel disputou cinco das sete provas em Mosqueiro venceu a deste ano e hoje é o terceiro colocado do ranking brasileiro de Triathlon. Serve como referência para meninos como Caio Fábio, que ainda divide seu tempo livre com pipas. Quando vi o pessoal competindo comecei a treinar para participar também, conta Caio, que já pratica o esporte há dois anos.
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| Edson percorreu 1.500 quilômetros de ônibus em quatro Estados para competir – Foto: Paulo Gomes/ Webrun.com.br |
Força de vontade – São 1.500 quilômetros que separam Fortaleza, capital do Ceará, de Belém, capital do Pará. Para ir de uma cidade a outra, é preciso atravessar outros dois Estados, Piauí e Maranhão.
Isso não impediu que 50 triatletas cearenses fossem de ônibus até a ilha de Mosqueiro, distrito de Belém, para competir a etapa do Circuito Sesc. De apenas 16 anos, Edson Alves é um deles. Todos os meus amigos da comunidade fazem (triathlon), então viemos, conta o adolescente, praticante há dois anos.
Após a prova, confessa que sofreu com o calor do Pará e faz uma autoavaliação. Lá em Fortaleza também é quente, mas aqui venta menos. Preciso treinar mais, conclui, em tom de promessa.
Este texto foi escrito por: Paulo Gomes

