
Fonseca e Silva acreditam que a corrida pode ajudar a trazer paz às comunidades carentes (foto: Márcio Rodrigues/ Divulgação)
Se aventurar morro adentro nunca foi uma prática comum entre corredores de rua do Rio de Janeiro. Além do percurso íngreme e pouco usual que algumas comunidades cariocas apresentam, a falta de segurança existente em cada metro de asfalto ou chão de terra batida desses lugares afasta qualquer atleta que busca um desafio diferente.
Porém, após o início do processo de ocupação da polícia carioca em algumas comunidades, esses locais deixaram de ser violentos e perigosos e abriram suas portas para a integração entre morro e asfalto, como define o sub-comandante do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), o tenente-coronel Silva. Segundo o próprio policial, a corrida, por ser praticada individualmente e de graça, se mostrou o esporte ideal para a continuidade do processo de pacificação.
Só neste ano, três grandes comunidades da zona sul carioca já foram tomadas por eventos esportivos com o objetivo de promover a inserção social desses locais. Os complexos Babilônia e Chapéu Mangueira foram um dos primeiros a sediarem uma prova de rua. Depois foi a vez da Rocinha e Vidigal, que fazem parte do circuito de corridas De Braços Abertos.
A nova etapa do De Braços Abertos acontecerá em 16 de dezembro e dessa vez em um ambiente diferente, a zona norte do Rio de Janeiro. Segundo o organizador do evento, Bernardo Fonseca, agora o desafio social e físico será ainda maior. O cenário de Manguinhos e Jacarezinho é desfavorável para os corredores que gostam apenas de se aventurar pelas corridas da zona sul. As pessoas que moram nessas comunidades precisam de nós, explica Fonseca.
Os dois complexos, conhecidos como cracolândia e faixa de gaza, foram ocupados por forças policiais em meados de outubro e segundo a Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, as duas comunidades só receberão uma Unidade da Polícia Pacificadora em 2013.
Este texto foi escrito por: Webrun