Cinco mil pessoas participam dos 10k Rio Corrida Pan-Americana

Redação Webrun | Corridas de Rua · 17 dez, 2006

Maria de Lourdes  a vovó que correu com um galo (foto: Patrícia Serrão/ www.webrun.com.br)
Maria de Lourdes a vovó que correu com um galo (foto: Patrícia Serrão/ www.webrun.com.br)

Rio de Janeiro A última corrida carioca oficial antes dos Jogos Pan-Americanos de 2007 aconteceu neste domingo, no Aterro do Flamengo, e reuniu cerca de cinco mil pessoas. Uma surpresa foi o aumento da participação feminina. Segundo os organizadores, cerca de 27% das inscritas eram mulheres.

E foram elas que largaram primeiro, pontualmente às 7h50. A primeira a cruzar a linha de chegada foi Márcia Narloch. A atleta, que completou a prova como tempo de 35min43, reclamou que o calor foi o seu maior desafio e lembrou que no Pan-Americano o sol, coincidentemente o mascote dos jogos, vai fazer a diferença.

Márcia liderou toda a prova, porém só percebeu que iria vencer quando estava perto da linha de chegada. “Eu estava morta por causa do calor e acabei notando que ia ganhar bem no final”, afirma a atleta que está acostumada com o frio de sua cidade natal Joinvile (SC). Ela acrescenta que está pensando na São Silvestre. “Já estou preparada para correr a a prova paulista”, conta.

O segundo lugar ficou com Marizete Moreira dos Santos, em 35min53, seguida por Edileuza Alves dos Santos (36min52).

Homens – Os homens largaram às 8h junto com o pelotão geral. O mineiro Frank Caldeira liderou a prova acompanhado pelo queniano Cosmers Kibet Kemboi. Após o quilometro oito, Frank aumentou a dianteira. Ele venceu com o tempo de 30min10. “Fiz uma boa marca, especialmente pelo calor”, afirma.

O mineiro considerou a prova tranqüila. “Hoje era o meu dia, como tem sido nas últimas provas. Não é por acaso, tenho trabalhado muito para isto”, conta o maratonista que no início do mês venceu a Volta da Pampulha em Minas Gerais. Agora o campeão retorna para Campos do Jordão (SP) onde treina em altitude para a São Silvestre. “Vou sem expectativas, vou fazer o que eu puder na São Silvestre”.

Frank também comentou sobre a competição com os atletas quenianos. “O Brasil está mostrando que pode brigar com os quenianos. Foi o Marílson (Gomes dos Santos) em Nova York e estamos ganhando competições importantes”, diz.

O queniano Cosmers Kibet, segundo colocado com um tempo de 30min27, não reagiu bem ao calor e caiu no chão poucos metros após a linha de chegada. Ele foi levado de maca para o posto médico e não se recuperou a tempo de subir ao pódio para pegar o seu troféu.

Segundo os médicos, ele teve hipertemia, aquecimento anormal da temperatura corporal, o atleta chegou aos 39ºC de temperatura interna. “Hipertemia ocorre quando o atleta não consegue trocar calor com o meio ambiente. O principal problema que a hipertemia causa é a desorientação e pode até levar a parada cardíaca”, informa Solange Campos, enfermeira que estava de plantão para o atendimento dos atletas.

O terceiro lugar ficou com Luis Paulo da Silva Antunes, que cruzou a linha de chegada em 30min37 com a bandeira do Cruzeiro nas mãos.

Todos os amadores que completaram a prova ganharam uma medalha por sua participação. Também foi feito um ranking por faixas etárias, porém sem prêmios ou medalhas. Mas a maioria, das quase cinco mil pessoas que participaram da corrida, não estava interessada em prêmios. “Meu objetivo é chegar inteira”, conta Jeronima Santos, 46 anos, que já participa deste tipo de evento há oito anos.

A corredora Maria de Lourdes, 64 anos, conhecida também como vovó tricolor, chamou a atenção por ir vestida de mamãe noel e com um galo que tinha o escudo do fluminense. “O galo participa comigo das corridas, o nome dele é Paquito Petkovic”, brinca a torcedora apaixonada do Fluminense.

Outro que aproveitou a corrida para brincar foi Arlindo Ribeiro, 68 anos, que correu fantasiado de Papa. Ele estava com uma bandeira do Brasil formando uma batina e um chapéu papal na cabeça. “É a minha forma de homenagear o papa, porque estou muito feliz que ele vem ao Brasil. Já faço isto a dez corridas”, conta o corredor católico.

Para os participantes amadores, assim como para os profissionais, o maior obstáculo foi o calor, por isso o posto médico fez cerca de 180 atendimentos. “São pessoas que se esforçam mais do que o seu limite e acabam vindo parar aqui”, explica a enfermeira Solange Campos.

Este texto foi escrito por: Patrícia Serrão

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