
Maria de Lourdes a vovó que correu com um galo (foto: Patrícia Serrão/ www.webrun.com.br)
E foram elas que largaram primeiro, pontualmente às 7h50. A primeira a cruzar a linha de chegada foi Márcia Narloch. A atleta, que completou a prova como tempo de 35min43, reclamou que o calor foi o seu maior desafio e lembrou que no Pan-Americano o sol, coincidentemente o mascote dos jogos, vai fazer a diferença.
Márcia liderou toda a prova, porém só percebeu que iria vencer quando estava perto da linha de chegada. Eu estava morta por causa do calor e acabei notando que ia ganhar bem no final, afirma a atleta que está acostumada com o frio de sua cidade natal Joinvile (SC). Ela acrescenta que está pensando na São Silvestre. Já estou preparada para correr a a prova paulista, conta.
O segundo lugar ficou com Marizete Moreira dos Santos, em 35min53, seguida por Edileuza Alves dos Santos (36min52).
Homens – Os homens largaram às 8h junto com o pelotão geral. O mineiro Frank Caldeira liderou a prova acompanhado pelo queniano Cosmers Kibet Kemboi. Após o quilometro oito, Frank aumentou a dianteira. Ele venceu com o tempo de 30min10. Fiz uma boa marca, especialmente pelo calor, afirma.
O mineiro considerou a prova tranqüila. Hoje era o meu dia, como tem sido nas últimas provas. Não é por acaso, tenho trabalhado muito para isto, conta o maratonista que no início do mês venceu a Volta da Pampulha em Minas Gerais. Agora o campeão retorna para Campos do Jordão (SP) onde treina em altitude para a São Silvestre. Vou sem expectativas, vou fazer o que eu puder na São Silvestre.
Frank também comentou sobre a competição com os atletas quenianos. O Brasil está mostrando que pode brigar com os quenianos. Foi o Marílson (Gomes dos Santos) em Nova York e estamos ganhando competições importantes, diz.
O queniano Cosmers Kibet, segundo colocado com um tempo de 30min27, não reagiu bem ao calor e caiu no chão poucos metros após a linha de chegada. Ele foi levado de maca para o posto médico e não se recuperou a tempo de subir ao pódio para pegar o seu troféu.
Segundo os médicos, ele teve hipertemia, aquecimento anormal da temperatura corporal, o atleta chegou aos 39ºC de temperatura interna. Hipertemia ocorre quando o atleta não consegue trocar calor com o meio ambiente. O principal problema que a hipertemia causa é a desorientação e pode até levar a parada cardíaca, informa Solange Campos, enfermeira que estava de plantão para o atendimento dos atletas.
O terceiro lugar ficou com Luis Paulo da Silva Antunes, que cruzou a linha de chegada em 30min37 com a bandeira do Cruzeiro nas mãos.
A corredora Maria de Lourdes, 64 anos, conhecida também como vovó tricolor, chamou a atenção por ir vestida de mamãe noel e com um galo que tinha o escudo do fluminense. O galo participa comigo das corridas, o nome dele é Paquito Petkovic, brinca a torcedora apaixonada do Fluminense.
Outro que aproveitou a corrida para brincar foi Arlindo Ribeiro, 68 anos, que correu fantasiado de Papa. Ele estava com uma bandeira do Brasil formando uma batina e um chapéu papal na cabeça. É a minha forma de homenagear o papa, porque estou muito feliz que ele vem ao Brasil. Já faço isto a dez corridas, conta o corredor católico.
Para os participantes amadores, assim como para os profissionais, o maior obstáculo foi o calor, por isso o posto médico fez cerca de 180 atendimentos. São pessoas que se esforçam mais do que o seu limite e acabam vindo parar aqui, explica a enfermeira Solange Campos.
Este texto foi escrito por: Patrícia Serrão