Ciclistas x corredores na USP: o problema continua

Redação Webrun | Corridas de Rua · 04 ago, 2006

Corredores também devem respeitar os ciclistas (foto: Donata Lustosa/ www.webrun.com.br)
Corredores também devem respeitar os ciclistas (foto: Donata Lustosa/ www.webrun.com.br)

Após um incidente na Cidade Universitária de São Paulo, local de prática de corrida e ciclismo. O treinador e colunista do Webrun, Nelson Evêncio, publicou este artigo sobre a harmonia entre ciclistas e corredores. Confira.

São Paulo – Este artigo vai abordar um assunto que, aparentemente, poucos prestam atenção, mas de grande importância: a utilização do belo campus da USP para os treinos. Assunto um tanto polêmico, mas que pode muito bem se chegar a um bom termo com a boa vontade de ambos os lados ciclistas e corredores.

Embora trabalhe com corrida na USP aos sábados há mais de oito anos e seja corredor há muito mais tempo, vou tentar ser o mais imparcial possível, pois também pedalo e sinto na pele tudo aquilo que os ciclistas enfrentam quando partem para os treinos ou até quando fazem uso da magrela para se locomover em direção ao trabalho.

Pedalar em uma marginal ou nas agitadas avenidas da gigantesca São Paulo significa ter a integridade física constantemente ameaçada por veículos de quatro rodas, pior ainda quando se trata de ônibus ou caminhões de carga. Em várias ocasiões, fui “fechado” covardemente por motoristas impudentes. E também soube de várias notícias de ciclistas sendo assaltados nas estradas, atropelados e tragicamente, tendo suas vidas ceifadas precocemente quando treinavam para alguma prova ou simplesmente praticavam uma atividade física para se relaxar mentalmente.

Apesar de muito movimentado e disputado, o campus da USP ainda é um dos únicos locais da cidade que oferecem um pouco mais de segurança para se pedalar. Os ciclistas que treinam nas ruas da USP compõem-se principalmente de profissionais liberais, executivos, empresários, estudantes e outros trabalhadores. Apesar disso, assim como acontece com várias outras categorias (torcidas organizadas de futebol, agrupamentos espontâneos, movimentos sociais ou políticos, etc.) no meio deles, sempre há indivíduos desqualificados e mal educados que, com suas mazelas e comportamentos inadequados, acabam prejudicando a reputação de uma classe perante a sociedade.

Somos testemunhas oculares de cenas de alguns destes ciclistas despreparados agredindo verbalmente os corredores e os motoristas em geral. As agressões físicas também não são raras. Conforme o depoimento do antigo prefeito da USP, Sr. Geraldo Massucato, há vários processos que tramitam no Ministério Público de São Paulo contra ciclistas que agrediram pedestres ou motoristas.

Os corredores também têm sua parcela de culpa. Muitos correm no meio da rua ou em grandes grupos, obstruindo a maior parte das vias que também precisam ser divididas com veículos de duas ou quatro rodas. Alguns atravessam as ruas sem olhar para os lados, param no meio delas para conversar, utilizam seus Ipod e Walkman com imprudência ficando totalmente desligados do que acontece a seu redor.

Igualmente, há aqueles corredores que agridem verbal e fisicamente os ciclistas. Acreditem ou não, nestes últimos sábados, alguém teve a infeliz e absurda idéia de espalhar tachinhas pela Praça da Reitoria, local onde sempre há uma grande concentração de atletas pedalando, ocasionando-lhes pneus furados e quedas, pondo em grande risco tanto os ciclistas, quanto os próprios corredores que passavam por ali!

Aproveitando este espaço, digo e repito que é muito importante entrarmos em acordo, pois, depois da dura queda de braço entre o prefeito e os ciclistas, todos nós sentimos na pele a importância do que é utilizarmos este espaço público com disciplina e respeito. Lembrem-se de quando a USP restringiu a prática do ciclismo durante a semana: quanta falta lhes fez este local para o treino, principalmente para aqueles participantes de competições de triatlhon.

Dizer que é preciso muita harmonia e respeito entre ciclistas e corredores, que haja um pouco mais de paciência, atenção e cordialidade entre nós, é afirmar o óbvio, mas não custa repeti-lo como se fosse o nosso “mantra” para que a perniciosa rivalidade não traga prejuízos a todos os que freqüentam o local.

Esfriemos nossas cabeças e poupemos nossas energias para aplicá-las em nossos esportes, e entendamos que, embora as modalidades sejam diferentes, os objetivos e benefícios de ambas as partes são muito parecidos. Repudiemos veementemente aqueles que teimam em transgredir as leis da boa conduta, e utilizemos o campus da USP para a prática esportiva acompanhada de muito bom senso. Paz entre Ciclistas e Corredores!

Este texto foi escrito por: Prof. Nelson Evêncio

Redação Webrun

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