A fibra é o nutriente que falta para melhorar sua performance na corrida?

Elizama Modesto | Alimentação · 13 mar, 2026

A ideia de que “fibra é a nova proteína” tem circulado bastante nas redes sociais e no universo da saúde. Mas, segundo o nutrólogo Leandro Figueiredo, do Instituto Nutrindo Ideais, apesar dos benefícios comprovados da fibra, essa comparação funciona mais como um gancho do que como uma verdade literal.

“A proteína continua sendo o nutriente diretamente ligado à síntese e à recuperação muscular. A fibra tem outro papel. Ela funciona mais como um nutriente de base, que melhora a saúde intestinal, a imunidade e a tolerância gastrointestinal. Tudo isso pode ajudar indiretamente na performance, principalmente em corredores”, explica.

Nos esportes como a corrida, o intestino muitas vezes acaba sendo um fator restritivo. “Não é raro atletas lidarem com desconfortos durante treinos longos ou provas como por exemplo: urgência para ir ao banheiro, cólicas, diarreia ou sensação de estufamento.” E isso pode comprometer o ritmo, a hidratação e até a ingestão de carboidratos durante a atividade.

Foto: Adobe Stock

De acordo o nutrólogo, muitos corredores ajustam o consumo de fibras nos dias mais importantes. “Uma estratégia comum é reduzir a quantidade de fibras perto de treinos longos ou provas, ou priorizar fibras chamadas de low-FODMAP, que fermentam menos no intestino e costumam causar menos desconforto”, diz Leandro.

Longe das provas, porém, a fibra ganha um papel importante na rotina do atleta. Algumas fibras ajudam a alimentar as bactérias boas do intestino, aumentando a produção de substâncias anti-inflamatórias que contribuem para a saúde intestinal e para a recuperação do organismo.

“Existe até uma linha interessante de pesquisa que observa a relação entre microbiota intestinal e performance. Uma bactéria chamada Veillonella, encontrada em maratonistas, já foi associada a melhora no tempo de corrida. A hipótese é que um intestino saudável pode ter impacto direto no desempenho”, explica o nutrólogo.

No dia a dia, a quantidade ideal de fibra pode variar bastante de atleta para atleta. “Não existe um número único. Isso depende da intensidade dos treinos, da estratégia alimentar e da tolerância intestinal de cada pessoa”, afirma Leandro.

Como referência geral, ele sugere seguir as recomendações populacionais: cerca de 14 gramas de fibra para cada 1000 calorias consumidas por dia. Na prática, muitos atletas se adaptam bem a uma ingestão entre 25 e 38 gramas diárias, desde que esse aumento aconteça de forma gradual e com boa hidratação.

O timing também faz diferença. “A regra prática para corredores é simples: fibras longe do treino, principalmente dos treinos mais intensos”, orienta. O ideal é evitar alimentos ricos em fibras nas duas a quatro horas antes de correr, para reduzir o risco de desconforto gastrointestinal.

Depois do treino, a fibra pode voltar ao prato normalmente desde que não atrapalhe o consumo adequado de carboidratos e proteínas, nutrientes fundamentais para a recuperação.

+ Siga o Webrun no Instagram!
+ Baixe agora o APP Ticket Sports e tenha um calendário de eventos esportivos na palma da sua mão!

Entre os tipos de fibra que costumam ser bem tolerados por corredores estão opções como psyllium, aveia, chia, linhaça, quinoa e arroz integral, além do chamado amido resistente, presente em alimentos como batata ou arroz depois de resfriados.

E você, costuma consumir fibras de que forma?

Elizama Modesto

Ver todos os posts

Jornalista por formação e apaixonada por contar boas histórias.