
Edwin Kipsang vence a São Silvestre (foto: Sérgio Shibuya/ MBraga Comunicação)
Estou muito feliz e surpreso. Não esperava vencer essa prova, que foi muito difícil para mim. Foi assim que o queniano Edwin Kipsang se sentiu após correr e vencer os 15 quilômetros da 88ª São Silvestre. Com tempo de 44min04, o fundista começou a se destacar na metade da prova, abrindo vantagem para o segundo e terceiro colocados.
Após as curvas do Centro de São Paulo, Kipsang subiu a Avenida Brigadeiro Luís Antônio e cruzou a linha de chegada na Avenida Paulista sem ser incomodado pelos outros corredores. O melhor brasileiro foi Giovani dos Santos, quarto colocado.
A prova– A manhã do último dia do ano tinha temperatura amena. Os termômetros marcavam 23°C na Avenida Paulista. Pela primeira vez na história da prova, a São Silvestre teria sua largada na parte da manhã. E após os protestos que ocorreram no ano passado, o início e o fim da corrida voltaram a ser na avenida mais famosa da capital paulista.
Entre os favoritos do field masculino o nome de maior destaque brasileiro era o de Giovani dos Santos. O fundista da Pé de Vento, atual vencedor da Volta Internacional da Pampulha, era apontado como o único corredor nacional capaz de bater a elite africana.
Dada a largada masculina, o primeiro a se destacar foi Giomar Pereira, mas o pentacampeão do ranking Caixa/ CBAt não conseguiu manter o ritmo forte por muito tempo. Antes do início da Avenida Pacaembu, o corredor do Cruzeiro já era ultrapassado pelo field, passando a integrar o segundo pelotão.
Somente na altura do quilômetro sete que o primeiro grupo começou a se desfazer e os atletas mais rápidos assumiram a liderança. Durante quase dois quilômetros Joseph Aperumoi, corredor da Luasa, que somente para essa São Silvestre vestiu as cores do Cruzeiro, manteve-se líder. Porém, o queniano foi logo ultrapassado por seus compatriotas Mark Korir e Edwin Kipsang.
Os dois fundistas se revezaram algumas vezes na liderança, mas após a passagem pela parte central de São Paulo, já no fim da corrida, Kipsang abriu distância e não foi mais alcançado pelos concorrentes. A briga pelo segundo lugar esquentou durante o um quilômetro de subida da Brigadeiro.
Faltando um pouco mais de mil metros para a linha de chegada, Aperumoi forçou o ritmo e ultrapassou Korir e assumiu a segunda posição. O africano do Cruzeiro até chegou a esboçar uma tentativa de alcançar Kipsang, mas acabou não conseguindo.
Giovani dos Santos sentiu que o momento de Korir era ruim e tentou ultrapassá-lo, mas também não obteve sucesso. Na Brigadeiro eu estava encostando, mas quando chegou na Paulista o Korir conseguiu apertar e eu não consegui chegar nele, conta.
Grupo faz a diferença– Segundo Giovani, que repetiu seu resultado de 2010 na prova, a maneira que os africanos treinam faz a diferença quando eles chegam para largar em qualquer prova do mundo. Eles estão sempre treinando em grupo e isso é importante e faz toda a diferença, avalia. Porém, o atleta da Pé de Vento afirma que os africanos não são imbatíveis. Eu consegui ganhar de um queniano na Volta da Pampulha e isso mostra que a gente tem condições de ganhar deles, finaliza.
Confira o resultado final da 88ª São Silvestre:
Este texto foi escrito por: Renato Aranda