
Fischer espera encerrar sua carreira nos Jogos do Rio de Janeiro (foto: Ilham Harati/ Divulgação Garmin)
Bicampeão brasileiro de ciclismo de estrada, vencedor do Trofeo Magalluf-Palmanova (ESP) e quatro Olimpíadas. Esses são alguns dos títulos e conquistas de Murilo Fischer, um dos principais ciclistas brasileiros em atividade. Porém, não é só isso que chama atenção no atleta de 1,70 metro e 66 quilos, 33 anos e que vê nos Jogos do Rio o fim perfeito de sua carreira.
Durante palestra realizada em São Paulo para atletas da equipe de triathlon do Clube Pinheiros, Fischer mostrou simpatia e bom humor e lembrou a todo momento que não saberia muito o que aconselhar aos triatletas. Para ele, o ciclismo é muito mais fácil que a combinação de natação, ciclismo e natação.
Há 12 anos competindo e morando na Europa, o atleta que até o final do ano integra o time Garmin Cervélo, estará no país até meados de dezembro realizando seu treinamento de base para a próxima temporada.
Gosto de andar de mountain bike nesse período, porque muda bem daquele ambiente de estrada que estou acostumado, explica o brasileiro natural de Brusque (SC), que nessa época encara sete horas de treino quase como uma rotina diária.
Fischer só iniciou sua carreira como ciclista de estrada em 1997 e, desde então, as escaladas na carreira do atleta não se limitaram somente às íngremes etapas do Giro d Italia ou Tour de France. Apesar de ter considerado 2012 pouco produtivo em resultados, o brasileiro acredita que o ano foi importante. Tenho um novo contrato com uma equipe francesa, a La Française des Jeux. É um time jovem e os resultados vão aparecer bem daqui uns três anos, avalia.
Prédio de 50 andares – Concentrado principalmente para as provas que acontecem no calendário europeu, a temporada de competições de Fischer se encerrou no final de outubro. Depois dos treinos e competições extenuantes, o ciclista tem seu período de descanso como algo sagrado.
No Tour (de France) desse ano cheguei a perder mais de seis quilos. Fiquei irreconhecível depois da prova, por isso eu prezo pelas minhas férias. Tudo que é feito em alto nível profissional satura, então eu desligo e só volto quando sinto falta da bike, conta o catarinense.
Desde o início de dezembro Fischer tem realizado seu treinamento de base. Durante esse período, a intensidade não é o objetivo. De acordo com ele, o importante é ter tranquilidade durante esse processo. Meu treinador sempre fala que a base para um prédio de cinco andares é uma, já para um de 50 é outra. O que você quer? E não tenha pressa nas subidas. Se sua mãe passar por ti, fique calmo, depois a gente a alcança, fala o ciclista, de maneira descontraída.
Dor nos ossos – Um dos motivos que motiva Fischer a voltar ao país para treinar é o clima tropical brasileiro. O atleta, que hoje mora no norte da Itália, além de poder matar a saudade de amigos e familiares, tem o calor como aliado. Onde eu moro está chovendo e fazendo 9º C. Para mim o frio é o pior clima para pedalar. Eu sofro muito, sinto dor até nos ossos. Meu rendimento é melhor no calor, confidencia.
O ciclista afirma que as condições climáticas favoráveis do país é o que o motiva a continuar pedalando em alto nível. Eu tenho essa vantagem de poder vir para o Brasil, onde é minha casa, e conseguir manter uma boa rotina de treino. Na Europa, os atletas precisam ir para a África do Sul, por exemplo, ou treinar no rolo (mecanismo que simula o atrito do pneu traseiro com o solo), afirma.
Intensidade e alimentação – Os treinos mais intensos só têm início em períodos próximos de competições. E é nessas horas que ciclistas focam no objetivo individual de cada um dentro da equipe. Minha função é trabalhar para o melhor desempenho do time. Eu tenho que estar sempre pronto, pois só assim o time se torna vencedor, afirma o passista.
Tanto durante os períodos de treino de base, como de pré-competição, Fischer revela ter uma alimentação normal. Como o desgaste é constante e intenso durante as competições, ele não se restringe quanto à sua alimentação. Sou um atleta menos conservador, então minha dieta tem mais suplementos, barras e diferentes tipos de gel. Gosto de seguir mais essa linha americana e menos a europeia, revela.
O ciclista afirma que por causa dos últimos acontecimentos que fizeram tão mal ao esporte (o banimento de Lance Armstrong por uso de substâncias irregulares), muitas equipes proibiram atletas de terem médicos, preparadores e até nutricionistas particulares. Porém, Fischer afirma que sabe de suas responsabilidades e por isso, segue aquilo que lhe é designado.
Este texto foi escrito por: Renato Aranda