
Correr durante a gravidez pode trazer benefícios para a mulher (foto: Bas Silderhuis / Stock.Xchng)
Mulheres corredoras não precisam adiar o sonho da maternidade por receio de ficarem longe dos treinos. Bem-estar e controle de peso são apenas alguns dos benefícios que a corrida pode trazer para as grávidas, além da diminuição dos níveis de glicose, o que evita a diabetes gestacional. Assim que o exame der positivo, a futura mamãe deve avisar ao médico que corre regularmente, ensina Gustavo Magliocca, médico do esporte da Clínica Run&Care, de São Paulo.
Mulheres que realizam exercícios esporádicos devem iniciar com atividades de baixo impacto e intensidade leve. A corrida, nesse caso, é desaconselhada até o segundo trimestre, diz Magliocca. Mas, as habituadas aos treinos e com regularidade elevada podem seguir normalmente, desde que o obstetra descarte condições de risco.
No caso das mulheres que já corriam, o treino deve ter volume e intensidade leves, com cerca de 50% do que estava acostumada a correr antes de engravidar, ressalta o educador físico Emerson Gomes, treinador da MPR Assessoria Esportiva, também de São Paulo. O médico Magliocca explica que não é possível criar condicionamento durante a gestação, somente fazer a manutenção do treino. As corredoras devem fazer entre 65% e 75% da frequência cardíaca máxima, além de evitar tiros, terrenos irregulares e inclinações elevadas.
Cuidados especiais – É preciso estar atenta e evitar exercícios em dias quentes, sempre aquecer e desaquecer e aumentar a ingestão de alimentos nos dias de corrida. Também é muito importante realizar a hidratação adequada, com 250 ml a mais de líquido por hora de atividade, diz o médico. Outras dicas importantes são usar o top mais apertado, evitar alongamentos excessivos e parar ao sentir qualquer desconforto.
Próximo do sexto mês, a indicação é reduzir ainda mais o ritmo e, a partir da 34ª semana, a corrida deve ser trocada por uma atividade de menor impacto, como a hidroginástica.
Mamãe atleta – A jornalista Simone Manocchio é um exemplo de corredora que manteve o condicionamento durante a gestação. Já corro há dez anos e descobri que estava grávida no começo de abril, relata a paulista que espera o segundo filho. Eu consegui manter os treinos e a academia até os quatro meses, mas depois comecei a me sentir muito cansada e parei, completa.
Durante a gravidez da primeira filha, Vitória, (hoje com quatro anos e meio) ela manteve uma rotina diferente da dos dias atuais. Na primeira vez consegui manter a corrida por sete meses, mas agora me senti mais preguiçosa, brinca Simone que teve ainda alguns empecilhos nas pistas, como a vontade de ir ao banheiro com muita frequência.
É ridículo, mas não dá para negar que a cada 400 metros minha bexiga já estava cheia. Também tenho muitas dores nas costas, que foram piorando após os quatro meses, comenta. Durante a primeira gestação ela lembra que conseguia manter um ritmo controlado e se preocupava muito com o peso. Corria pra não ficar tão gorda.
Peso – Simone recomenda às mulheres que não entrem em depressão com o aumento de peso, característico durante os nove meses. O condicionamento vai cair, você vai engordar e isso passa. Para a jornalista, a preocupação deve ser com o pós-parto.
Três meses após o nascimento da Vivi corri os dez quilômetros da Maratona de São Paulo. Quase morri, é verdade, mas foi uma prova inesquecível, a retomada ao esporte que tanto amo, conta com brilho nos olhos.
Por fim, ela deixa um conselho para as futuras mamães atletas, o de curtir a gravidez. Curtam porque passa rápido. A corrida já está no seu sangue, portanto, voltar é melhor ainda.
Este texto foi escrito por: Ainá Vietro