Mulheres invadem os eventos de corrida no Brasil

Redação Webrun | Caminhada · 07 mar, 2008

Cristiane corre há três anos (foto: Danilo Belmonte/ www.webrun.com.br)
Cristiane corre há três anos (foto: Danilo Belmonte/ www.webrun.com.br)

O número de mulheres nas competições brasileiras aumenta cada vez mais. Com isso surgem no mercado de corrida novas provas exclusivas para o público feminino, assessorias esportivas só para elas e novas adeptas do esporte. Confira.

São Paulo – A presença do público feminino nos eventos de corrida do Brasil cresce a cada ano. O fato alertou o mercado running do país e hoje este já realiza competições e exclusivas só para elas.

No mês de março, por exemplo, as brasileiras poderão participar de três provas femininas: Circuito Vênus (São Paulo, no dia 09/03), Corrida e Caminhada do Dia Internacional da Mulher (Curitiba, 09/03) e Corrida Caixa Mulher (Rio de Janeiro, 30/03).

De acordo com João Traven, organizador da Corrida Caixa Mulher, a idéia da competição é criar um cenário exclusivo para o público feminino que vai desde kit atleta diferenciado, até camiseta de prova com molde para mulheres, cores mais femininas, entre outros cuidados. “Para esse primeiro evento esperamos duas mil inscritas. Mas com certeza a prova irá entrar para o calendário de competições do Brasil”, conta.

O aumento das mulheres na corrida também foi observado pela Associação dos Corredores de São Paulo, a Corpore. Segundo estatísticas da entidade, hoje dos seus 189.083 atletas, 66.826 são mulheres. Isso representa 33% do total.

Pensando nelas, a Corpore lançou no último domingo (02), na sua corrida de abertura, um espaço exclusivo para mulheres. Nesse local elas receberam massagem e puderam usufruir guarda-volume e banheiros separados dos homens.

Passado diferente – Mas nem sempre as provas de corrida foram assim. A maratonista Márcia Narloch, que já participou de três olimpíadas, lembra que já sofreu em competições de corrida somente pelo fato de ser mulher.

Segundo a atleta, há uns 20 anos atrás a mulher não tinha espaço no atletismo. Algumas provas no Brasil, por exemplo, eram feitas com uma premiação maior no masculino e menor no feminino. “Eu nunca aceitei esse tipo de coisa e brigava com alguns organizadores por causa da diferença de premiação. É um absurdo. A mulher percorre a mesma distância do homem, e até sofre um pouco mais por causa de coisas como a TPM, entre outros”, lembra Narloch.

Para se ter uma idéia da disparidade entre homens e mulheres no atletismo, a maratona feminina estreou em Olimpíadas apenas em 1984, nos Jogos de Los Angeles, nos Estados Unidos. Foi a partir de então que o cenário do atletismo começou a dar valor para as mulheres.

“Essa foi a nossa primeira conquista no atletismo. De uns 15 anos para cá a categoria feminina conquistou resultados tão importantes quanto a masculina. Nós tivemos uma evolução muito grande e conquistamos nosso espaço. Não só no Brasil, mas no mundo todo”, conta.

Narloch, que hoje tem 37 anos e 25 de carreira, acredita que o número de mulheres corredoras aumentou não só no profissional, como também no amador. “As mulheres viram a importância da corrida na vida delas, no bem estar e na saúde”.

O reflexo da preocupação da mulher com a saúde e conseqüentemente com a qualidade de vida pode ser observado também nas assessorias esportivas só para elas. Hoje em São Paulo há a assessoria esportiva TPM Treinamento para Mulheres. Comandada pela professora de educação física e bicampeã Pan-americana de triathlon, Adriana Piacsek, o grupo tem a preocupação de manter a forma de maneira descontraída.

“O trabalho que eu faço foca mais a qualidade de vida, a idéia de envelhecer com saúde e prevenir doenças. É uma coisa muito mais leve. Não é aquele treino competitivo que os homens gostam”, explica.

Do seu grupo de 70 mulheres com média de idade entre 30 e 40 anos, quase todas praticam atividade física pelo lado social e não para competir. “Elas andam, correm, encontram as amigas, conversam sobre marido, filho. É uma espécie de terapia. Ficam ao ar livre, tomam sol. É um tempo que elas podem ficar com elas mesmo”.

Para Piacsek, além do lado mental, a corrida influência muito alguns problemas típicos femininos, como a TPM. ”A corrida é maravilhosa para quem tem sintoma de compulsão e depressão nessa fase. A corrida aumenta o nível de endorfina e serotonina, que minimizam esses sintomas”, revela.

Benefícios sentidos na pele – Cristiane Camargo, que pratica corrida há três anos, percebeu diversas mudanças no seu corpo depois que começou a correr pelas ruas de São Paulo. “No meu corpo, senti total diferença. Além de emagrecer uns três ou quatro quilos eu perdi muita medida e tudo isso vem sendo mantido, pois pratico corrida freqüentemente”.

E os benefícios relatados pela publicitária não foram só no corpo. Para ela os reflexos também foram sentidos na mente. “Nos dias que eu corro, sinto que o dia rende mais, que tenho mais energia. E no dia que não acordo muito bem, ou estou em um momento de estresse, logo que começo a correr já me sinto bem melhor”, revela.

A esportista, que já participou da famosa Corrida Internacional de São Silvestre, confessa que gostou da idéia de ter competições voltadas para o público feminino. “Há benefícios diferentes de uma prova com homens e mulheres. Penso também que a corrida só com mulheres será light, pois não terá ninguém empurrando na largada e coisas do tipo”, finaliza.

Este texto foi escrito por: Donata Lustosa

Redação Webrun

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