Brasileiro participa de seu primeiro Ironman na Flórida

Redação Webrun | Triathlon · 12 out, 2005

Felipe Bastos com a bandeira do Brasil (foto: CW3 Michael Benton)
Felipe Bastos com a bandeira do Brasil (foto: CW3 Michael Benton)

No mês de novembro acontece na Flórida, Estados Unidos, a penúltima etapa do Circuito Mundial de Ironman e o Brasil será representado pelo triathleta Felipe Bastos. O mineiro, que reside nos Estados Unidos, irá participar pela a primeira vez de um Ironman. Mas para ele isso não é algo assustador. Em seu currículo ele tem importantes títulos como o primeiro lugar e o recorde do East Triathlon, que aconteceu no último mês também nos Estados Unidos.

Webrun: Como foi bater o recorde do East Triathlon?
Felipe Bastos: O “Beast of the East” (Animal do Leste) tem esse nome pela enorme dificuldade do percurso. Eu previ o percurso e sabia que seria uma prova difícil, mas tinha muita confiança na minha resistência. Eu soube administrar bem a minha energia na natação e no ciclismo, e sai para a corrida bem descansado. Foi uma ótima decisão, porque as montanhas na corrida não eram fáceis e mesmo nas descidas foi difícil manter a velocidade e não perder o controle.

Sabia que tinha condições de bater o recorde quando vi meu tempo na segunda volta da corrida e tive que manter o ritmo até o final, nem tive tempo de tirar a bandeira do Brasil que sempre carrego comigo nas provas. Eu bati o recorde por menos de 45 segundos. Só pude comemorar depois que cruzei a linha de chegada.

WR: Qual foi a prova mais difícil da sua carreira?
FB: A prova mais difícil que eu já fiz foi o Mountaineer 1/2 Ironman, e apesar de ter terminado em quinto entre os profissionais, eu sofri a prova inteira. O calor estava absurdo e as montanhas eram bem longas e muito inclinadas. A prova foi em junho de 2005 na cidade de Morgantown, na West Virginia.

Corri a primeira milha (1,6km) da corrida em menos de seis minutos e a última em pouco mais de nove. Depois da prova fui diagnosticado com “heat illness” (hipertermia). Meu corpo não conseguiu fazer minha temperatura interna abaixar sem o auxílio de toalhas geladas nas minhas costas.

WR: E qual foi o seu melhor resultado?
FB: Com 19 anos eu ganhei a prova classificatória americana para o Mundial de Triathlon e no mesmo ano fui o profissional mais novo a vencer o Campeonato de Sprint na Flórida. Aos 23 anos ganhei o Meio Ironman de Miami com o tempo de 4h09min.

WR: Como é um treino para um Ironman?
FB: São muitas horas de treino. O volume é muito alto, mas a intensidade é mais baixa se comparada com o treino de provas estilo ITU (Mundial de Triathlon) com vácuo liberado no ciclismo. Meu dia de maior volume inclui uma natação de 2.000 metros, 200km de ciclismo e 8km de corrida.

WR: Como é o Ironman da Flórida?
FB: O Ironman da Flórida e a penúltima etapa do Circuito Mundial de Ironman e a primeira prova depois do Mundial do Havaí. É uma das maiores provas de Ironman do mundo e também uma das mais prestigiadas com um prêmio total de US$ 50 mil. A prova acontece na cidade de Panamá City Beach, bem no norte do estado. Será a minha estréia num Ironman.

WR: Como você concilia seu treino com a vida pessoal?
FB: Minha namorada, Leland Black, é triathleta também. Aí já fica mais fácil. E meus amigos sabem que isso é meu trabalho e minha vida, então eles entendem os meus compromissos e decisões.

Essa profissão não é como um advogado, ou um engenheiro que pode esquecer do trabalho nos fins de semana. Meu trabalho está comigo aonde quer que eu vá, e sempre tomo decisões pensando no que é melhor para minha carreira. Acho que não teria condições de viver do esporte nos Estados Unidos se eu não tivesse essa mentalidade.

Gosto de desafios e além de ser triathleta profissional e estudante tenho meu próprio negócio, a Xp MultiSport Development, Inc. Faço treinamento de alta performance e consultoria de provas.

WR: Os Estados Unidos incentiva esportes de pedestrianismo como triathlon e corrida de rua?
FB: Muito. Mesmo provas pequenas têm premiação em dinheiro. O governo facilita a vida dos atletas com subsídios, sem falar na enorme quantidade de empresas que visam investimento no esporte através de patrocínios. Mas é difícil viver do esporte se o atleta não está sempre entre os “Top 5”.

WR: O que você vai fazer depois do Ironman da Flórida?
FB: Depois dessa prova tiro umas férias de duas semanas. Devo acampar, viajar com meus amigos, fazer “white water rafting” e também me concentrar um pouco mais nos meus estudos na Universidade da Flórida.

Este texto foi escrito por: Donata Lustosa

 

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