Curiosidades da Marcha Atlética

Redação Webrun | Marcha Atlética · 21 fev, 2003

  • Pouco comum é o fato de 4 membros de uma só família praticarem contemporaneamente esporte em alto nível, menos provável ainda, se o esporte em questão tratar-se da marcha atlética… Pois na Colômbia isso aconteceu com a família Moreno. Querubim, Hector, Clodomiro e Rodrigo, 4 irmãos que atuaram pelas décadas de 80 e 90 conquistando destaque até o nível das Américas Querubim (4o no mundial de marcha de 1987 com 1h20’16”) e Hector têm medalhas em Copas Pan Americanas de marcha e Jogos Pan Americanos, Clodomiro e Rodrigo participaram mais pela América do Sul.

  • Os Jogos Olímpicos de Atlanta ’96 foram marcados pela desorganização e falta de brilhantismo, tributo pago talvez pela conquista à força dos dólares na sua escolha como sede, ao invés de Atenas. Nesse contexto, o voluntariado responsável pelo nosso transporte da vila ao estádio olímpico “demitiu-se” alegando falta de condições de trabalho, sendo substituído por militares. Éramos 2 brasileiros participantes dos 20 km, o Sérgio Galdino e eu, e chegado o grande dia, embarcamos no segundo ônibus rumo ao estádio, que não chegava, porque o militar não sabia o caminho. A situação era de silêncio e muita tensão, um olhava pro outro e todos imaginando o pior. Ao meu lado o jovem equatoriano de 22 anos Jefferson Perez ia aparentemente tranqüilo, enquanto seu técnico colombiano lamentava tanta incompetência. Foi por pouco que não perdemos a largada, e foi por pouco, mas o suficiente, que o Jefferson ganhou a medalha de ouro. Na volta pra vila olímpica sentava à minha frente um polonês – que identifiquei pelo agasalho; comemorava muito sua oitava posição e mostrava o cronômetro com o ótimo tempo conseguido. Seis dias depois e já longe da vila, soube que aquele mesmo polonês, Robert Korzeniowski, ganhara os 50 km.

  • 1991, 3o Campeonato Mundial de Atletismo em Tókio, o soviético Mikhail Shchennikov entra no estádio para ganhar os 20 km, cruza a linha e pára comemorando. Maurizio Damilano da Itália, que entrara logo atrás tropeçando inclusive num bloco de partida esquecido da primeira etapa classificatória dos 100m, cruza a linha e continua…Faltava a volta que completaria o percurso; Damilano entendeu tudo, e marchando chamava a Shchennikov que retomou sem muito entender, para chegar em 2o lugar. Damilano que comemorou depois, comemorou melhor. Eu que deveria nessa hora estar no percurso, no sexto quilômetro fui traído pelo estômago e assistia a tudo da arquibancada, Marcelo Palma e Sergio Galdino chegaram nas 24o e 25o posições.

  • No mesmo mundial, enquanto que a Alemanha já participava reunificada, a então URSS estava em processo de desmembramento em uma séria de repúblicas independentes. A um minuto da chegada dos 50 km o soviético Alexander Pothasov com a vitória assegurada diminui o ritmo, chama por gestos e espera seu compatriota Andrei Perlov para chegarem abraçados lado a lado, simbolizando que a situação política desagregadora jamais alcançaria a união daqueles desportistas. Da arquibancada novamente, eu tive que escolher entre aplaudir e fotografar. No mundial seguinte, Stuttgart ’93, Pothasov já competia pela Bielorrusia, e Perlov, pela Rússia.

Este texto foi escrito por: Claudio Bertolino

Redação Webrun

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