A primeira etapa regular do Circuito Xterra Brasil 2016 teve um nível elevado de competição, já que alguns atletas de asfalto resolveram se aventurar na competição. Sob forte calor e num percurso praticamente plano, os competidores tiveram que mesclar força física e estratégias para alcançarem o degrau mais alto do pódio.
O sol estava forte desde as primeiras horas da manhã. Foto: Alexandre Koda/ WebrunEntre as mulheres, Laura Mira Dias e Sabrina Gobbo travaram uma disputa acirrada com a veterana Vanessa Cabrini e a estreante na competição, Flavia Fernandes. O tiro de partida foi dado pontualmente às 8h na Praia do Boqueirão para o primeiro trecho, de 1,5 quilômetro de natação entre duas boias. A primeira a sair da água foi Vanessa, inclusive à frente dos homens da elite, seguida por Flávia e Sabrina.
Vanessa pretende participar de todas as etapas esse ano. Foto: Alexandre Koda/ WebrunNo trecho de 32,2 quilômetros de Mountain Bike Flavia continuou acelerando pelo percurso de estrada de terra e areia da praia, seguida de perto por Vanessa e Sabrina, enquanto Laura ficava um pouco mais atrás. Já nos 8,5 quilômetros de corrida Sabrina conseguiu se manter à frente de Vanessa, mas já era tarde demais para pleitear a primeira colocação, pois Flávia não deu chances às adversárias e completou em primeiro com 2h22min01.
Flávia trocou o asfalto pelas trilhas. Foto: Alexandre Koda/ WebrunEstava muito quente, mas me hidratei e me alimentei bem para conseguir chegar inteira no final, relata Flávia que costuma participar de provas de asfalto. Nadei forte, sabia que a Sabrina pedalava bem, então aumentei o ritmo na corrida para garantir o primeiro lugar. Resolvi vir para a natureza para desestressar um pouco e acho que farei mais etapas, completa.
Sabrina chegou sorridente após 2h27min27 e disse que seu treinador ficaria orgulhoso dela. Ultimamente eu vinha perdendo uma colocação por conta da corrida e achei que eu não fosse conseguir de novo. Mas fui encostando, o pessoal foi me incentivando e deu certo, conta. Essa é uma prova para atleta de asfalto, não é o tipo que eu gosto, porque prefiro subidas, downhill, cascalho e aqui é só força. Mas foi legal as mulheres de asfalto começarem a migrar para o esporte crescer, completa.
Sabrina quase alcançou a campeã. Foto: Alexandre Koda/ WebrunVanessa Cabrini, depois de alguns anos afastada do XTerra, voltou e de quebra faturou a terceira colocação. Participei em 2006 e 2007, voltei para o asfalto, tive filho, fiquei quatro ano parada e aceitei o convite para correr novamente. Vou tentar fazer mais etapas do ano. Ótima nadadora, ela saiu na frente na natação, mas sentiu o forte calor. No pedal sabia que a Sabrina me alcançaria, mas isso aconteceu só no final. Saímos para correr e senti o calor (e a idade também). Fizemos a corrida praticamente juntas, mas não deu para mim, completa.
Laura ficou em quarto lugar (2h33min40) e diz que está passando por uma fase complicada da vida. Recentemente peguei zika em Ribeirão preto, mas a temporada está só começando e dá para recuperar até o final do ano.
Entre os homens, o mais rápido após a natação foi Raul Furtado, triatleta de asfalto que aos poucos está migrando para as trilhas do Xterra. Ele, porém, não conseguiu manter a liderança até o final e perdeu para Diogo Malagon que completou a prova em 2h05min29.
A prova parece fácil, porque é plana e com areia dura da praia, mas é difícil por conta do vento, que segura demais o ritmo, conta Diogo, que saiu bem após a natação, mas errou um trecho do ciclismo, perdeu posições e sofreu para alcançar os líderes. Na corrida eu me senti bem, saí acelerando e na praia parecia que não ia chegar. Mas no fim deu tudo certo, completa.
Raul Furtado estava acostumado a disputar provas no asfalto e diz que um triathlon off road é praticamente uma modalidade diferente. É bem dura, mas com um clima fantástico entre as pessoas. Pretendo correr quase todas as etapas, relata o competidor que marcou 2h06min35. A terceira colocação ficou com Felipe Moleta, que ainda se recupera dos vários meses parado após uma lesão ano passado. Desde o começo da natação sofri, na bike ainda mais e na corrida o calor prejudicou o rendimento. Tem dias que não dá mesmo e todo mundo que entra para brigar e ganhar, comenta o paranaense. Agora vamos recuperar para a etapa do Mundial, em Ilhabela.
Raul e Moleta fizeram jogo de equipe na tentativa de alcançar Raul. Foto: Alexandre Koda/ WebrunEste texto foi escrito por: Alexandre Koda