Circuito “fora do eixo” democratiza o triathlon pelo Brasil

Redação Webrun | Triathlon · 18 jul, 2013

Prova no Pará chegou à sua sétima edição (foto: Paulo Gomes#8260; webrun.com.br)
Prova no Pará chegou à sua sétima edição (foto: Paulo Gomes#8260; webrun.com.br)

Um garoto magrinho de 14 anos, com a pele queimada de sol e sem camisa caminha, carregando uma pipa na mão. A cena é comum para qualquer cidade do país, mas fica mais restrita quando adicionados outros detalhes: medalha no peito e shorts de compressão. Caio Fábio não é como todo menino de 14 anos. Ele é um triatleta.

Inclusão pelo esporte – É comum a percepção de que o triathlon é um esporte caro de se praticar. Afinal, não é qualquer um que pode arcar com os custos, por exemplo, de uma bicicleta speed de competição. No entanto, “são três modalidades que, digamos, são inerentes a uma criança (correr, nadar e andar de bicicleta)”, como aponta a coordenadora nacional do Circuito Sesc de Triathlon, Regina Plepis.

É com esse pensamento que o Sesc vem investindo na base do esporte e fomentando sua difusão no Brasil. Há dez anos no cenário nacional, o circuito de triathlon do Serviço Social do Comércio alcança diferentes regiões do país e viu grandes nomes se desenvolverem em suas provas.

Pipa na mão e medalha no peito: triathlon desde cedo - Foto: Paulo Gomes/ Webrun.com.br
Pipa na mão e medalha no peito: triathlon desde cedo – Foto: Paulo Gomes/ Webrun.com.br

“O (Diogo) Sclebin compete ‘conosco’ desde novinho”, exemplifica a coordenadora. “A primeira prova da Pâmella (Oliveira) como elite foi nossa”, prossegue. Mas chama a atenção para o verdadeiro propósito de suas provas. “O que a gente quis fazer é democratizar esse esporte, dar acesso a todos. Nossa função é mais ou menos essa, dar projeção ao triathlon no Brasil”.

Como exemplo, dá a etapa de Belém deste ano (07/07). Em 2012, segundo Regina, apenas cinco triatletas amadores competiram na distância olímpica (1.500 metros de natação, 40 quilômetros de bicicleta e dez de corrida). “Neste ano foram 30. Mesmo com a temperatura alta o pessoal vai”, conta a prova paraense acontece no início do verão local.

Escolinha – As provas abriram espaço para núcleos de ensino da prática esportiva. No Pará, no Distrito Federal e no Paraná, as unidades do Sesc dão aulas para jovens triatletas de sete a 14 anos de idade como a procura é grande, os alunos devem obedecer critérios básicos (como serem estudantes) e a preferência é por crianças que moram em zonas de risco e possuem baixa renda familiar. “Não há nenhum critério de avaliação física”, acrescenta Regina, explicando que o projeto é de inclusão. “Cedemos equipamento de treino e emprestamos as bicicletas”.

Profissional, o paraense Danilo Pimentel disputou cinco das sete provas em Mosqueiro venceu a deste ano e hoje é o terceiro colocado do ranking brasileiro de Triathlon. Serve como referência para meninos como Caio Fábio, que ainda divide seu tempo livre com pipas. “Quando vi o pessoal competindo comecei a treinar para participar também”, conta Caio, que já pratica o esporte há dois anos.

Edson percorreu 1.500 quilômetros de ônibus em quatro Estados para competir - Foto: Paulo Gomes/ Webrun.com.br
Edson percorreu 1.500 quilômetros de ônibus em quatro Estados para competir – Foto: Paulo Gomes/ Webrun.com.br

Força de vontade – São 1.500 quilômetros que separam Fortaleza, capital do Ceará, de Belém, capital do Pará. Para ir de uma cidade a outra, é preciso atravessar outros dois Estados, Piauí e Maranhão.

Isso não impediu que 50 triatletas cearenses fossem de ônibus até a ilha de Mosqueiro, distrito de Belém, para competir a etapa do Circuito Sesc. De apenas 16 anos, Edson Alves é um deles. “Todos os meus amigos da comunidade fazem (triathlon), então viemos”, conta o adolescente, praticante há dois anos.

Após a prova, confessa que sofreu com o calor do Pará e faz uma autoavaliação. “Lá em Fortaleza também é quente, mas aqui venta menos. Preciso treinar mais”, conclui, em tom de promessa.

Este texto foi escrito por: Paulo Gomes

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