
Sistema de freio hidráulico das bikes speed vai ser o mesmo usado em mountain bikes (foto: Alexandre Koda/ webrun.com.br)
O conceito de acoplar freios hidráulicos a bicicletas speed não é nenhuma novidade para a indústria de ciclismo. Porém, até hoje nada relativamente concreto é utilizado em copetições homologadas pela União Internacional de Ciclismo (UCI, em francês). Uma das principais questões que brecam o desenvolvimento desse componente para essa categoria é a falta de suporte dado pela maior entidade do esporte.
Mesmo assim a Shimano aposta que esse será a evolução das speeds e cycle-cross. O novo sistema de freios desenvolvido pela marca japonesa já está quase pronto e deve chegar ao mercado nacional no início de 2014. Esse componente está em fase final de desenvolvimento e inicialmente fará parte da linha Di2, confirma Fabius Luiz Palaro, especialista de produtos da marca.
Conforto e segurança no dia a dia – Apesar de ainda não estar perto de fazer parte das bikes de competição, o novo sistema hidráulico pode ser uma realidade nas ruas do mundo em alguns meses.
Segundo Palaro, esse freio oferecerá maior segurança aos ciclistas em dias chuvosos e em condições em que a sapata convencional não consegue corresponder às necessidades de uma parada brusca. O lema da fabricante é conferir menos esforço com a maior força possível. Esse paradoxo se explica pela sensibilidade do freio e pelo poder de frenagem que ele oferece, afirma.
Novo quadro– O fato de o sistema de freio hidráulico só integrar a linha Di2 (câmbios eletrônicos) é por questões de compatibilidade de desempenho. Nos trocadores mecânicos é necessário empurrar o manete para a troca de marchas, enquanto nos eletrônicos tudo se realiza com o apertar de botões.
Muitas vezes, ao trocar de marcha nos câmbios mecânicos, se aciona o freio sem perceber, mesmo que milimetricamente. O sistema hidráulico é muito sensível e essa frenagem sem querer pode ser prejudicial ao pedal, explica o especialista.
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| Frio hidráulico será compatível somente com a linha Di2 – Foto: Montagem sobre divulgação/ Shimano |
Para abrigar o rotor, as pinças e todo restante do sistema, rodas especiais e cubos mais compridos são necessários. Por isso, as fabricantes de bicicletas estão desenvolvendo quadros com medidas diferenciadas. A largura da roda traseira será a mesma da de uma mountain bike. E as soluções que indústria está apresentando são muito interessantes. Cada empresa está apresentando ideias diferentes, antecipa Palaro.
Resfriamento– A tecnologia do rotor e de todo o sistema hidráulico migrou do XT-R (linha da Shimano para mountain bikes). Sendo assim, os engenheiros da fabricante só precisaram adaptar algumas peças, para conferir leveza em um esporte em que gramas podem fazer toda a diferença.
Fora a questão peso, a preocupação em resfriar as peças que realizam a frenagem não se limitou somente ao radiador. Uma nova tecnologia foi aplicada ao rotor, que será de 140 milímetros, para reduzir a temperatura da peça de metal em até 240°C.
Altas temperaturas e acidentes– Apesar dos esforços da Shimano e das demais fabricantes de componentes em projetar um sistema de freio hidráulico que não ofereça risco aos ciclistas, a UCI não homologa esse sistema para bikes speed por questão de segurança.
De acordo com a organização, esse pode ser o futuro do ciclismo profissional, mas ainda é cedo para que haja uma abertura para a utilização dessa tecnologia em competições. O argumento apontado pela entidade máxima do esporte se baseia em dois aspectos: o primeiro é o risco de diferentes tecnologias em um pelotão. A UCI afirma que a potência de frenagem de um sistema hidráulico para um mecânico é enorme e isso poderia ocasionar mais acidentes em pelotões.
O segundo fator seria a alta temperatura que as peças do sistema hidráulico atingem. Em caso de quedas, o toque em um desses metais superaquecidos poderia causar queimaduras gravíssimas.
Este texto foi escrito por: Renato Aranda
