Apesar do Alzheimer ser uma doença mais comum entre idosos, a ciência tem demonstrado a importância de um estilo de vida saudável para prevenir o seu avanço. O exercício físico regular ajuda a proteger contra a deterioração do tecido cerebral, e quando aliado ao tratamento médico, melhora a qualidade de vida de quem convive com a doença.

Para o Dr. Natan Chehter, clínico geral e geriatra, membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e professor da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID), a corrida pode trazer benefícios importantes nesse contexto.
“AVC e Alzheimer são doenças que têm mecanismos de ocorrer bem diferentes. Até existe a demência vascular que é aquela que pode surgir em decorrência de um AVC, ou seja, um problema de memória que aparece depois do evento, mas não é exatamente a mesma coisa”, explica o médico.
A corrida, como exercício aeróbico, traz muitos benefícios cardiovasculares. Ela ajuda no controle da pressão arterial, da glicemia (o que é essencial para diabéticos) e também dos níveis de colesterol e triglicerídeos. Ou seja, diminui o risco cardiovascular.
“Isso é importante porque, ao manter esse risco controlado, a pessoa reduz as chances de sofrer um AVC e, em parte, também influencia positivamente na prevenção de doenças como o Alzheimer, que podem ter alguma relação com esses fatores metabólicos.”
O dr. Natan destaca que, mesmo que a pessoa precise de medicamentos para controlar essas condições, manter uma rotina de exercícios contribui para um melhor condicionamento físico geral. “A corrida pode ser uma alternativa viável e eficiente para ajudar nesse cuidado integral”, afirma.
Outro ponto de atenção é o fator genético. “A gente sabe que em torno de 40% dos casos de Alzheimer têm alguma carga hereditária. Isso não significa que 40% dos filhos de pessoas com Alzheimer vão desenvolver a doença, mas existe sim uma contribuição genética”, explica Natan.
“Quem tem histórico familiar de Alzheimer, especialmente em parentes de primeiro grau, precisa ficar mais atento. No caso do AVC, os fatores de risco podem ser mais individuais como o tabagismo, por exemplo. Se o pai fumava e teve um AVC, e o filho não fuma, já há uma redução no risco. Mas há heranças como o colesterol alto que também passam de geração para geração. Por isso, é essencial cuidar desses fatores desde cedo.”
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