
Diop se tornou corredor após assistir a Maratona de Nova York (foto: Monique Barleben/www.webrun.com.br)
Um dia após o feriado da Consciência Negra, data que reflete a inclusão do negro na sociedade brasileira, no domingo (27/11) foi realizada a corrida SP Classic Zumbi dos Palmares, tradicional disputa que também comemora a resistência do negro à escravidão. Na arena do evento, um público bastante variado legitimava uma das maiores características da corrida de rua: a igualdade entre todos e a busca pela qualidade de vida, independente da origem, profissão ou classe social.
O atleta francês Cheikh Diop, com descendência africana, acostumado a passar as férias em São Paulo, participou da competição este ano pela segunda vez e garante que a experiência valeu apena. As minhas férias coincidem com o dia que acontece a disputa. Como estou em São Paulo não deixo celebrar o evento, diz o amador de 27 anos.
Diop trabalha como engenheiro em uma empresa automobilística da França e começou a correr há exatamente cinco anos, após assistir à Maratona de Nova York pela televisão. Estava sentado no sofá como um típico sedentário observando aqueles grandes atletas, mas aquilo já tinha sido o suficiente para eu acreditar que seria capaz de também me tornar um corredor, descreve o engenheiro.
Ainda de acordo com ele, os benefícios da atividade foram surpreendentes, ao ponto de sentir a necessidade de praticar todos os dias. Com o passar dos meses passei a ter menos gripe e sentir mais disposição, por isso não consegui mais abandonar a corrida, acrescenta o corredor, que hoje também participa de maratonas. A energia de uma prova é contagiante, a gente sempre quer mais.
Neto de dois africanos que deixaram o Haiti para viver em Marselha (França), Diop garante que felizmente o pensamento do homem ocidental branco evoluiu muito nos últimos anos. Meus avós eram pessoas muito boas, mas eram excluídas da sociedade. Hoje viajo o mundo todo e raramente sofro algum tipo de preconceito, conta o atleta. As pessoas estão receptivas à diversidade e sabem que somos todos iguais.
Outros amadores – Além de Cheikh, mais atletas negros estavam presentes na arena do evento e demonstravam satisfação em participar de uma disputa que homenageia Zumbi dos Palmares (líder do quilombo de Palmares). Essa data é muito especial e acho que deveriam existir outras ações como essa, já que a gente vive em um país de forte miscigenação, acredita David dos Santos, de 32 anos.
David, morador de Santo André, participou da Troféu Zumbi dos Palmares pela primeira vez e apesar de ter gostado da prova, diz que sentiu dificuldades para completar o trajeto. O percurso estava difícil e o calor também não ajudou. O melhor momento foi a hora da chegada, reflete o paulista.
Já Carlos Alberto Cândido, que começou correr para perder peso, garante ter ficado surpreso com a quantidade de pessoas. O astral está muito bom, não imaginava que hoje seria uma manhã tão gostosa como essa. É muito bom prestigiar um evento que levanta a bandeira da consciência negra.
Este texto foi escrito por: Monique Barleben