
Com Tóquio calendário WMM terá agora 12 provas em seu biênio (foto: Kure/ Licença Creative Commons)
No início do mês de novembro o World Marathon Majors (WMM) anunciou mais uma prova em seu calendário, a Maratona de Tóquio. Com mais de 300 mil pessoas pleiteando uma vaga entre as 36 mil disponíveis, o percurso da capital japonesa se tornou a menina dos olhos do mais relevante circuito mundial de maratonas de rua. Com isso, o calendário WMM do biênio 2013-2014 contará com 12 provas tendo seu início em fevereiro.
Apesar de o evento japonês estar apenas em sua sétima edição, Martha Dallari, doutora com tese sobre corridas de ruas, afirma que as ruas de Tóquio servem como percurso para maratonistas desde 1979, porém com nome de Tokyo International Marathon.
Tradição Japonesa – Além disso, a prática esportiva também já está incorporada na cultura nipônica. Nos Jogos de 1912 já tinha japonês disputando a maratona. Eles têm uma tradição na prova, é aquela coisa japonesa de disciplina, austeridade e força interior. Maratona combina com japonês, afirma.
Porém, não é somente a afinidade cultural com esse esporte que mobiliza milhões a irem às ruas. Dallari explica que a corrida faz parte da vida dos japoneses como uma busca de um hábito de vida saudável. Desde 1917 acontecem provas de revezamento no Japão. Elas são chamadas de Ekiden e até hoje existem quatro campeonatos universitários desse tipo de corridas, explica.
De acordo com a doutora, outro fator importante que posiciona o esporte como algo relevante na sociedade é a presença de atletas de elite vitoriosos. Na história das Olimpíadas da Era Moderna, fundistas japoneses já foram donos de melhores tempos, medalhas e recordes. Eles têm uma personagem muito importante que foi a Naoko Takahashi, que ganhou ouro em Sidney (2000), além de estabelecer recorde, que só caiu agora nos Jogos de 2012, detalha.
Maratona WMM – Todo esse contexto cultural e histórico permitiu que a corrida de rua se difundisse cada vez mais na sociedade nipônica. Essa massificação, aliada ao perfeccionismo da cultura local, permitiu que a Maratona de Tóquio se tornasse uma das mais importantes do cenário mundial.
Dallari explica que a organização da prova da capital japonesa, assim como os participantes, não foge à regra cultural de superação pessoal e busca da perfeição. Em 2007, cerca de 31 mil pessoas participaram da maratona, dos quais quase 30 mil terminaram a prova. Isso mostra o quanto o japonês se prepara e bem para tudo o que ele faz, afirma.
Além da organização e grande participação do público, outro fator que colaborou para a inserção de Tóquio no calendário WMM foi o forte apelo comercial da maratona. O Majors (WMM) fala que anualmente eles têm 300 mil pessoas que querem se inscrever para as provas, mas só Tóquio tem 300 mil pessoas que pleiteiam uma vaga na largada, revela.
Lado comercial – Esse elevado número de pleiteantes se traduz em maior exposição da marca WMM, deixando-a mais em evidência. Segundo dados da organização, no ano, cerca de cinco milhões de pessoas acompanham as provas pessoalmente e a audiência pela TV chega a 250 milhões de espectadores. De acordo com Dallari, pelos números de Tóquio, a cidade deve agregar mais um milhão de pessoas ao primeiro dado, além de engrossar bem a massa que vai acompanhar as provas pela TV.
Além de toda a parte comercial, Tóquio chega para agregar mais possibilidade de provas e mais chance aos atletas que buscam o prêmio de 500 mil dólares. De acordo com o sistema de pontuação do WMM, dentro do biênio, somente os quatro melhores resultados são computados. Sendo assim, com a inserção de maratona japonesa, os fundistas terão mais duas chances de melhorarem seus resultados.
Este texto foi escrito por: Renato Aranda